AMOR E PAIXÃO (CONFLITO).

Domingo. Saboreando uma taça de vinho tinto, na ampla  varanda de meu apartamento, frente ao mar. Raro momento, mesclado de prazer e saudade. Certa nostalgia no ambiente. Raios faiscando no horizonte e um mar violento como pano de fundo. Ondas gigantes. Assustadoras. Aqui, eu e meus pensamentos. Torturantes. Infiéis e traiçoeiros. Malditos pensamentos! Chegam sem serem convidados, abalando a aparente harmonia que insisto transparecer real. Coisas do meu racional. Tremendo rochedo que não deixa vazar quase nada do que sinto. Quase! Batida de maracujá consegue enfraquecer esse rochedo! Sozinho, sentado na poltrona verde musgo comprada há anos, poucas semanas antes do casamento. Em meio a correria do casório resolvi ir até Itatiba, cidadezinha próxima, onde havia ofertas de excelentes móveis. Assim que avistei aquela poltrona no canto da loja, logo de cara, me apaixonei. Verde foi sempre minha cor favorita. Tinha um design perfeito. Feliz, arrumei meu ninho, como um “bem te vi” apaixonado pelo canto em que iria morar, enfeitiçado por aquela pessoa que tinha encantado a minha vida tão profundamente. Quantas loucuras! Devaneios malucos. “Travessuras de crianças”. Quantas! Tudo tão perfeito. Dava medo de tanta felicidade; porém, o senhor tempo, poderoso e transformador, trouxe alterações. Com certeza, lições importantes, também. Temo que eu não tenha sido bom aluno. Os anos foram se passando. Do fogo, restou fumaça. Densa. Escura. Algumas vezes colorida. Não percebi que mudanças lentas, quase imperceptíveis, foram deixando buracos internos e um vazio angustiante no coração. Instinto de vida reagiu, fortemente, fundamental aos sentidos, na busca da sobrevivência. Faltava pulsação dentro de mim! Precisava sentir motivação pela vida. Foi então que inconscientemente acolhi uma nova pessoa em meu coração. Chegou, sem pedir licença. Ancorou-se. Foi construindo um mundo colorido que  nem lembrava mais existir. Nutriu tanto! Fortaleceu sentimentos anêmicos, quase falidos. Nova vontade de viver. Fui ancorando num quadro emocional ambivalente, cheio de altos e baixos. Muitas vezes o diafragma aperta exageradamente. Inspiro fundo e vou levando a vida sentada na mesma poltrona verde, onde bem-te-vis nem fazem mais questão de alimentar os antigos sonhos. Ao mesmo tempo, novas âncoras emocionais estimulando meus sentidos, trazendo vida e colorido. Culpa? Sempre! O mar sabe bem de minhas histórias. Sempre ouve meus queixumes apaixonados. Indecisos. Neste início de tarde, raios no céu turquesa, assustando pela beleza e força, tocaram meu fogo interno. Tão forte! Conseguiram desestabilizar a rígida estrutura psíquica que montei pra me enganar. Neste estado vulnerável, num repente, ouço uma voz companheira e amorosa, chamando:- AMOR, O ALMOÇO ESTÁ NA MESA!

CASAMENTO RECORRENTE! (TENTATIVA).

Equilíbrio mental? Impossível, naquele contexto. Idealizei uma relação com um cara que nunca existiu. Só tinha vida em minhas fantasias. Aliás, fantasias muito caras. Preço alto a pagar! Bagunçaram toda a minha estrutura psicológica. Perdi a identidade. Esqueci de mim. Durante anos aquele homem vulcão soltou lavas queimando e devastando o meu bom senso e amor próprio. Fui me transformando numa pessoa fria e esquisita. Perdendo a sensibilidade e alegria de viver. Enrijeci! Desenvolvi couraças protetoras, alterando a minha primeira natureza. Sergio Ricardo conseguiu! Identifiquei-me com a sua casca de crocodilo. Ficamos iguais! Comecei a viver a vida de forma prática, assim como ele. Fui seguindo sem olhar para trás. Pedi o divórcio! Sai do relacionamento tóxico. Precisava ser feliz. Iniciei um novo caminho levando as sequelas da toxicidade vivida com aquele homem. Dores de estomago. Zumbido na cabeça. Ansiedade! Fragilizada e assustada, busquei tratamentos naturais. Chás caseiros aos montes. Alongamentos, respiração e meditação. Iniciei alimentação vegetariana. Precisava reequilibrar o psicológico e o meu organismo. Estresses vividos foram intensos e danosos. Depois de uns tempos finalmente voltei para mim. Fazendo muitas reparações. No meu ritmo, fui resgatando valores perdidos. (Sensação incrível sentir-se conectada consigo mesma). Voltei a frequentar minha antiga turma da faculdade. Sair para dançar. Beber com amigos. Esqueci dores passadas. Percebi que a vida pode ser trágica e cômica. Senti isso na pele! O Halloween, trinta e um de outubro, foi realmente a noite das bruxarias em minha vida. Distraída, dançando, vestida de “Dama da noite”, percebi um zorro alto e esguio do outro lado do salão. Olhos fixos em mim. Desviei várias vezes do insistente olhar. Na medida em que disfarçadamente foi se aproximando, notei um verde muito intenso naqueles olhos risonhos. Mistura de energia e sedução foram se intensificando. Num milésimo de segundo, senti minhas defesas se afrouxarem. Desde que tinha terminado o relacionamento com Paulo Henrique, há dois anos e meio, aquela era a primeira vez que sentia atração novamente por alguém. Me estranhei. Resisti. Não sabotei a sensação maravilhosa que me envolvia. Estava carente daquela emoção. Sorrindo, dei boas vindas à vontade de viver. Abri meu melhor sorriso! Na medida que os olhos verdes foram se aproximando senti certa familiaridade com a expressão e a figura daquele zorro. A fantasia que ele usava camuflava traços físicos. Mas o olhar… Frio na barriga antigo se intensificou! Encoberto por sua capa preta e máscara aproximou-se, descaradamente, envolveu-me pela cintura. Saímos dançando feito loucos. Quando me dei conta estávamos girando muito no centro do salão. Tudo tão rápido. Tão mágico. Eu era a rainha da festa naquele momento! A mais linda e desejada. Assim que me sentia! Depois de muitos giros e danças, a música foi se acalmando, lentamente, até que pausou. Sei lá, “PAULO HENRIQUE SOUBE FAZER DO INTERVALO UMA NOVA SEQUENCIA”! RECAÍDA?

IMERSÃO NA FANTASIA! (METAMORFOSE).

Sentada na areia. Olhar fixo. Elas chegam barulhentas. Partem silenciosas. Chegam. Partem. Chegam. E partem… Incessantemente! Não pausam. Nem me ouvem. Não querem parir meus desejos. Ignoram meus pedidos. Meus anseios. Nem percebem o tamanho de minha angústia. Mar egoísta. Ondas maldosas. Sádicas! Imploro para que a energia desse azul se funda à minha energia. Ignoram. Malditas ondas. Soberanas. Desprezam minha dor. Coração aperta no peito. Cinza predomina em mim! Nelas, só o azul. Quase turquesa. Cor preferida do meu amor. Lúcio é turquesa! Sua energia com as pessoas tem esse tom. Comigo? Só quando faz amor. Noutros momentos, cinza escuro. Seu cinza é contaminante. Minha alma fica cinza também. Adoece. Só vitaliza quando entra no azul de Lúcio. Sexo azul  turquesa! Enlouquecedor. Pleno. Breve instante de onda azul. Turquesa, tom dos olhos que tiram meu fôlego. Momento simbiótico!  Coração dispara. Basta seu olhar, que esqueço de mim! Meus sentidos se envolvem num turquesa inebriante. Dançam nas ondas do mar azul! Quase se afogam. Surfam. Enlouquecem. Imploram carinhos. Malditos carinhos. Falsos! Eles não me querem de verdade. Hoje acordei cinza. Estou cinza. Fui contaminada pelo escuro cinza de Lúcio, assim como ondas do mar em dia de chuva. Seu olhar não me quer mais! Estou carente  do azul turquesa que remexe minhas entranhas e me faz sentir viva. Amanheceu um dia ruim! Cinza pincela cruelmente minha alma angustiada. Tento aliviar sensações difusas olhando para o mar. Resolvo correr em direção a ele. Imerjo nas ondas azuis. Perigosas. Envolventes. Quero ser desejada. Possuída por elas. Ser azul. Azul turquesa. Afogar no profundo azul. QUEIMAR  NUM SOL TURQUEZA!

LOUCURA OCULTA! (VIOLÊNCIA DOMÉSTICA).

Caminhos me levaram a você. Que caminhos aqueles? Porque? Seria destino? Droga! Podia ter pulado aquele dia em minha vida. Se eu tivesse uma bola de cristal! Jonas entrou tão sorrateiramente em meu coração. Quase nem percebi. Quando me dei conta já estava totalmente envolvida e encantada. Maior erro que eu podia cometer! Esqueci de mim. Foi tão intenso. Ficou mania. Doença mesmo. Perdi a identidade. “Virei Jonas”. Fui sua ridícula sombra! Auto crueldade me submeter a tanta agressão psicológica daquele homem. Over dose! Custou reconhecer o “ser humano menor” que estava ali e ao  tamanho em que eu estava me reduzindo. Cega por paixão! Paixão por um doente! Aquele ser arrogante não sabia o que era respeito a uma mulher. Abruptamente se transformava num animal feroz e insensível, alternando com atitudes de extremo agrado em momentos diferentes. Desproporcional! Desequilibrado mesmo! Esse traço de caráter perverso emergia principalmente quando ele se  defrontava com minha alegria. Acho que mobilizava seus sentimentos bloqueados. Muitas vezes, causticamente, falava que eu parecia hiena. Sorria do nada. Sem motivo! No começo disso tudo, nem ligava. Até achava engraçado. Quando as agressões foram ficando recorrentes e mais intensas, algo dentro de mim sinalizou que não dava mais. Eu teria que tomar uma atitude! Essas cenas insanas sempre ocorriam quando estávamos a sós. “Loucura inteligente”. Encobria seu desequilíbrio dos olhares externos, no social, disfarçando-se sob uma camada de bom humor e muitas brincadeiras. Era admirado pelo seu jeito educado, gentil e inteligente. Especialmente pela sua grana! “Socialmente, a imagem do bom menino”. Dentro de casa, a besta explodia! Bastava contrariar seus caprichos ou vontades, lá vinha o “Jonas louco”. Desrespeito total. Lado escuro, mesclando mel e fel! Alternava essa característica de seu caráter com atitudes doces, românticas, conturbando o meu mental. Ficava confusa. Enlouquecida, depois das crises. Sem saber o que fazer. Duvidava até de mim! Muitas vezes imaginava que talvez Jonas estivesse apenas estressado, quando arrependido  cabisbaixo pedia desculpas. Ficava feliz. Quem sabe? Mas, qual nada! Daí um tempinho ele se repetia em atitudes severamente neuróticas. Doentias. Nova decepção! Nova violência. Tentei ponderar e desculpar por quatro longos anos. Ele nunca quis fazer um tratamento psicológico. Sentia-se  perfeitamente equilibrado. Perfeito! Nesses tempos, muitas vezes, tive enorme vontade de sumir. Mandar tudo pro inferno. Virou uma gangorra a minha relação com Jonas. Baixos e altos. Altos e baixos! Muito mais baixos que altos. Minha energia sendo sugada de forma vampiresca. Com o passar do tempo fui mudando internamente. Cansando de perdoar. “O bom menino no social foi perdendo sua força dentro de casa”. Suas neuroses não engatavam mais em minhas neuroses. O nó lentamente se desfazendo. Ambivalência entre amor e raiva em que eu estava estagnada foi evoluindo num sentimento único, forte, anunciando sinais vitais de minha identidade. O meu emocional buscando  focar num caminho livre e claro. Amor e raiva se transformando em “Amor Próprio”. Lentamente e silenciosamente foi crescendo essa nova consciência, disposta a proteger minha integridade de mulher. Num belo sábado de sol aconteceu o ápice dessa relação emocional caótica que eu mantinha com Jonas. Animada, preparei uma reunião em casa, com amigos em comum. Por um motivo banal, o imbecil do Jonas teve a audácia de  armar um novo e intenso barraco em cima de mim. Coitado. Bem naquele dia! Sem perceber minha transformação interna, a fera atacou novamente. Se deu mal! Desta vez me pegou mais fortalecida. Cego, nem percebeu que eu estava diferente e muito disposta a buscar alegria de viver. Com ou sem ele. Como sempre, mostrou estar disposto a destruir o meu jeito de ser.  Covardemente extrapolou todos os limites possíveis de falta de respeito e consideração. Destruiu o meu emocional violentamente, como nunca antes. Imperdoável! Senti minhas energias enfraquecerem naquele momento. Tremia de raiva. Muito desequilíbrio daquele doente. Motivo banal! Estava segurando uma bandeja com copos cheios de cervejas, cantarolando com a música de fundo. Feliz. Distraída. Num repente, tropecei no pé de uma cadeira. Parece coisa do diabo. Jonas estava bem ali. Agachado. Amarrando o tênis. Sua bermuda ficou molhada pela bebida. Enfurecido levantou a cabeça abruptamente. Ficou em pé, soltando fogo pelo olhar. Transformou-se no demente que eu já conhecia. Rosto vermelho de raiva. Olhos saltando pelas orbitas. Até salivou. Furioso. Como se eu tivesse dado um soco no meio da cara dele, sem motivo algum. Reação absurda. Desproporcional. Insultou-me violentamente. Minhas pernas foram ficando trêmulas. Ele não ouvia minhas desculpas. Surdo. Esbravejava me chamando de vadia, desastrada, infeliz. Gritava que eu nunca fazia nada direito, mesmo. “Esses  os melhores elogios que ouvi”. Suas ofensas foram num crescer assustador  enquanto eu pedia mil desculpas. Soltou adjetivos pejorativos que derrubam qualquer dignidade quando tentei lhe explicar o ocorrido. (Nem passou pela cabeça dele que acidentes acontecem). Rir comigo do acontecido seria esperar muito daquele doente. Imagina! Aproveitou que estávamos sozinhos na sala de jantar e despejou toda a raiva de uma vida. Confesso que fiquei com medo ao perceber sua loucura sem limites. (O pessoal estava no quintal onde tínhamos montado a festa). Aquele olhar de ódio e violência no instante da fúria, registrou em meu interno o fim definitivo da nossa relação. Deu um estalo em minha mente. Conclui comigo mesma que aquele olhar  de ódio não queria mais sobre  mim. Não. Eu não merecia! Calada e decidida voltei à festa. Estranhamente tranquila. Depois de alguns minutos, como se tudo estivesse maravilhoso, surge Jonas. Com uma gelada na mão. Dissimulado. Brincando e rindo. Reafirmei em meu coração o que já havia decidido instantes atrás. A falta de respeito a minha pessoa estava sendo enterrada naquele instante! Com essa convicção, depois que todos foram embora e Jonas já estava em sono profundo, decidida, fui dormir no quarto de hóspedes. Sensação estranha em meu corpo. Respiração ora leve, ora acelerada. Parecia que eu estava anestesiada. No entanto, dormi profundamente naquela noite. Acordei ainda esquisita. Sonhos de recomeço em minha cabeça. Triste, por ter me auto sabotado durante tanto tempo. Permitir que humores violentos daquele homem quase anulasse minha identidade. Jonas, por sua vez, ao acordar, fazendo-se de vítima, como sempre, tentou me seduzir e se desculpar. Beijos forçados. Frios. Frustrou-se! Afastei-o com firmeza. Senti até um certo nojo!  Ele percebeu. Ficou sem chão ao perceber minha indiferença e decisão. Nunca tinha me visto assim. Resoluta! Ali mesmo, na cozinha, sem titubear, pedi o divorcio. Surpreso e agressivo gritou que eu estava louca. Que precisava me tratar. Concordei com sua ofensa. Falei que então não se metesse com uma louca! Que não seria mais seu tapete. Nem de homem. Algum. Não deixei o desequilibrado falar. Eu berrava! Meu coração saia pela boca. Vociferei todo o sufoco contido há anos. Ele ouviu tudo num silêncio assustador. Entendeu que era o fim. Silencioso foi embora de casa naquela manhã de domingo ensolarada! Levou junto seu ego inflado e alguns pertences. Não deixei que levasse nossa gatinha, Lila. Saiu só. Ele e seu carrão vermelho! Foi embora de minha vida deixando rastros de mágoas. Muitas feridas para cuidar. Natural que eu chorasse algumas noites. Não sei se de raiva ou saudades dos falsos momentos bons. Não importa. Lavar feridas com lágrimas ajudam na assepsia da alma. Ando com dó de mim mesma. Isso não é bom! Muitas vezes me sinto como criança sozinha, fragilizada.” Quem me dera voltar no tempo”. Jonas jamais seria uma escolha. Resgatar minha menina interna com a consciência de agora, é tudo que preciso. “SAUDADES DE MIM”!  – Queixa de Ana Rita, quando buscou psicoterapia. (Depois de participar de um Workshop na integração entre corpo e mente. Chegou em meu consultório na busca  de um trabalho emocional na linha de Reich). “Concomitantemente Ana Rita está começando um movimento social, na ampliação da consciência, em defesa das mulheres que sofrem violências domesticas, tanto físicas quanto psicológicas”.

ALIMENTOS LILAZES! ( SAÚDE INTEGRADA).

Hábito tem um imenso poder sobre a qualidade da saúde em geral. Através dele podemos selecionar formas doentias ou saudáveis de levar a vida. Quando desenvolvidos, norteiam atitudes, tanto emocionais quanto comportamentais. Padrão mental se forma exatamente com a repetição constante de situações, de pensamentos e de sentimentos. Interferem direto em nossas vidas. As pessoas ao longo da existência vivem inúmeras experiências e nesse processo crescem e amadurecem. Desenvolvem uma visão específica sobre saúde, família, relações afetivas, finanças, entre muitas outras. Geralmente esse processo se inicia na infância e segue pela vida. “Os padrões mentais nos estimulam a crescer ou nos limitam”. Definem nossas escolhas e decisões, na maioria das vezes. (O modelo mental é desenvolvido de acordo com crenças e  influencia o comportamento). A partir dessa consciência podemos medir a importância desse tema diante da vida. Abrir um espaço e viajar em nosso interior. Investigar modelos internos. Construtivos ou autodestrutivos? Pode-se tentar verificar desde o tipo de alimento que ingerimos para nutrir o corpo até os tipos de sentimentos com que alimentamos a alma. Identificar e alterar padrões nocivos é complicado; eles se tornam automáticos em nossas atitudes, porém é o único jeito para tentar reabilitar o equilíbrio mente-corpo. (Ajuda psicoterapêutica funciona bem). Pensamentos involuntários interferem o tempo todo. Outro caminho excelente é exercitar yoga.  Concomitantemente, referências em cursos ou leituras sobre alimentação saudável podem indicar os caminhos rumo à reparação do que foi cristalizado em nossa mente e não está nos fazendo bem. Tanto física quanto emocionalmente. (Integração entre mente e corpo pode ser transformadora). Impulsionar a mente nessa direção é um trabalho voluntário e demanda intenção e foco. É como fazer uma boa faxina! O resultado final é sensação de leveza. Sentir-se bem naquela casa! Vale a pena experimentar comer colorido. Legumes, frutas, verduras fazem a festa nas células da maioria das pessoas. Assim também como desintoxicar a mente e o coração de pensamentos e sentimentos negativos que realimentam atitudes neuróticas. “Padrão neurótico é  uma mala sem alça”! O efeito colateral dessa assepsia é a circulação da energia saudável e um novo olhar para a vida. Durante um papo desse tipo com alguns alunos de psicologia  muito mobilizados com o tema (lá pelo fim da aula), num momento de descontração, alguém do fundão expressa:- VOU ME DIVORCIAR HOJE. ALIMENTO LILÁS JÁ. RISADA GERAL!

FIM DO MUNDO! (DELÍRIO).

Sensação de bola de fogo baixando sobre a terra. Sol ardente. Queimava. Queimava muito! Elise não aguentava mais! Calor intenso vindo por todos os lados. Caminhava no deserto. Areias brancas e finas. Tão brancas. O reflexo do sol sobre elas turvava a visão. Temia que não desse tempo de chegar ao seu destino, embora não tivesse clareza sobre qual seria esse destino. Sabia que tinha uma missão a cumprir, mas, no entanto, também não tinha clareza sobre ela! De uma coisa tinha certeza: seria muito importante, vital, para sua evolução como ser humano. “Cumprir a missão”. Só teria consciência no fim do caminho! Confusa e culpada, sentia que não organizara prioridades essenciais. “Não podia ter negligenciado assim, meu Deus”! Agora – não tinha saída – correria o risco. Foi então que, pausadamente, observou ao redor. Assustada, percebeu que não havia nem um sinal de vida. “Nem uma formiga, que fosse”! Assustou-se! O sol cruel não perdoava. Cabeça fervendo (dentro e fora), apesar do chapéu. Medo acentuado aumentando. Ninguém para lhe dar a mão. Num impulso de vida, mesmo sem norte, acelera os passos tentando chegar em algum lugar onde se sinta mais segura. Bolhas ameaçadoras estourando nos pés. Dor beirando o insuportável! Garganta seca. Sede desesperada. Língua grudada na boca. Sensação de estar colada. Respiração curta e acelerada. Pensamentos confusos, enlouquecedores. Visões de aranhas imensas voando em sua direção; outras vezes, borboletas transformando-se em monstros carnívoros querendo atacá-la. Seu racional reagiu na tentativa de sobrevivência, recuperando parcialmente a lucidez, como último recurso.  Organizou os pensamentos! Tremendo esforço tentando sair daquela situação suicida. Essa breve recuperação não durou muito. Apenas instantes! Quadro mental caótico voltou. Visão cada vez mais embaçada. Sombras e vultos! Num milésimo de segundo pensou que as visões pudessem ser Anjos Salvadores. “Anjos e aranhas voadoras”! Simultaneamente. Duvidou de sua sanidade. Ambivalência total! Pernas muito bambas, mal conseguia ficar em pé. Sensação de desmaio. E o sol lá! Causticante, impiedoso, persistindo. Ignorava seu sofrimento! Já quase sem visão alguma, fecha os olhos, pisca bem forte, tentando melhorar a cegueira que sente se aproximar. Depois de repetir esse exercício, algumas vezes, como num milagre, consegue vislumbrar bem distante, lá no fim das dunas, vultos humanos se movimentando. Instantaneamente se revigora. Quis acreditar naquele vislumbre. “Sinal de vida se aproximando”! Força absurda emerge das entranhas. Acelera os passos naquela direção. Talvez tenha encontrado a saída! Nem sente mais a dor insuportável nos pés, tamanha a excitação. Começou salivar vida! Apressou-se. Passos acelerados. De repente se viu correndo. Correndo atrás da salvação! No entanto, foi percebendo alguma coisa estranha no ar. Por mais que corresse não sentia que se aproximava dos vultos avistados. Pior ainda, sensação que não tinha saído do mesmo lugar. Pensa em seu desespero: cadê as pessoas? Esfrega os olhos, agoniada.  Impotência esmorece de vez o  seu corpo. Pernas cambaleiam. Cai na areia escaldante como um saco de areia. Semiconsciente. Tem a sensação que uma nuvem enorme e  fervente está para cair em sua cabeça. Conforme essa nuvem se aproxima, ela consegue vislumbrar uma fumaça lilás e negra formando a frase  “FIM DO MUNDO!”. ( ELISE ACORDOU).

NÃO ERA HORA DE PARTIR! (ESPERANÇA).

Todas as manhãs a mesma rotina. Pontualmente, sete horas e trinta minutos, lá estava eu passando pela  praça da Avenida Joaquina. Arborizada, florida, linda, linda! Alguns ipês amarelos também enfeitavam o caminho. Nos dias ensolarados havia mais encanto ainda. Presente dourado da natureza ! Essa alameda ficava bem pertinho da biblioteca onde eu trabalhava como bibliotecário. Assim que me formei conquistei esse emprego. Foi festa. Grande sonho daquele momento de vida! Tanto prazer no trabalho que nem percebia o tempo passar. Adorava ler sobre plantas e suas diversidades e todos os temas ligados à agricultura. Sempre buscava  novidades sobre esses assuntos. Ali havia grandes obras. Sentia-me afortunado. Um verdadeiro privilegio! Assim que surgia um tempinho, aproveitava para buscar lançamentos interessantes. Num desses momentos, folheando um livro  relacionado à diversidade da “Floresta Amazônica”,  considerada a maior biodiversidade do planeta., absorto e surpreso com a citação das milhares de espécies de plantas, mamíferos, anfíbios, pássaros e peixes, enquanto virava uma página, ouvi uma  doce voz, meio infantil, dirigindo-se a mim, desfocando minha atenção! Indagou exatamente sobre o tema que eu estava folheando. Entreguei-lhe o livro. Era uma tarde de quinta feira. Primavera! Sol ameno invadia as janelas da biblioteca.  Foi assim que conheci “Esperança”! Estudante de agronomia. Mais ou menos vinte e cinco anos de idade. Introspectiva. Rosto sério. Cara de intelectual. Num cenho acentuado, as sobrancelhas moldavam um par de olhos extremamente expressivos e sonhadores. Seus olhos, ainda que doces, traiam um jeito rígido de ser. Não se encaixavam naquele rosto de expressão tão dura. Hoje, passado quatro meses, entendo diferente aquela expressão! Por trás daquela rigidez  e introspecção, se escondia uma menina insegura. Era sua defesa! Talvez tenha tido uma educação severa. Quem sabe! Esperança era linda. Cabelos longos e cacheados, de um castanho brilhante. Tinha o hábito de jogá-lo para trás com as mãos, sempre que eu puxava conversa com ela. Eu achava um charme. Adorava o momento em que ela chegava na biblioteca. Vivia fantasiando cenas incríveis entre nós. Ela nunca baixou a guarda! Inacessível! Acho que esse fato me excitava ainda mais. Quantos sonhos noturnos invadidos por Esperança! Virou vício, aguardar sua chegada todas as quintas feiras, à tarde. Parecia que ela e os ipês entravam juntos. Tamanha a energia, florindo, colorindo emoções! Menina mulher que emanava perfume agridoce, aromas que mexiam em meus desejos inconfessos. Essa contradição entre seu olhar e atitude tornou-se um mistério envolvente. Apaixonei-me por aquela menina. Perdidamente. Obsessivo. Não era normal pensar nela do jeito que eu pensava.  Vinte e quatro horas por dia, Esperança em minha mente. Brigava comigo mesmo! Raiva daquela dependência emocional que controlava os meus sentidos, sem receber o menor retorno. De vez em quando me sentia um idiota. Simplesmente não conseguia controlar o coração disparado quando ela chegava.. “Quintas feiras virou  paranoia”! Acordava feliz. Tomava um banho cheiroso. Escolhia uma roupa que encaixasse com o colorido daquele dia. Treinava expressões sedutoras frente ao espelho. (Repetidas vezes). Queria aquela menina para mim! Assim, o tempo foi passando. Eu sonhando como um adolescente. Até que numa quinta feira quente, início de verão, Esperança não chegou. Gelei! Fiquei angustiado! Ansioso. Esperei-a nas quintas seguintes. Qual nada! A menina difícil sumiu. Não deixou rastros. Sofri muito. Pensei em  morrer. “Como queria Esperança e os amarelos ipês de volta”! Saudades de seu olhar triste e sonhador. Foi cruel. Sonho destruído. Menina mulher não quis mais voltar! Parece que perdi pedaço de mim. Dia destes, num repente, enquanto trabalhava, senti seu cheiro passeando por lá. O coração disparou. Corri como um doido até o cantinho em que ela  gostava de ler. Decepção! Até duvidei de mim. Será que enlouqueci? Não havia nem sombra dela. Só o aroma agridoce emanando daquele canto. Podia jurar! Seria fruto da imaginação? Sei lá. Ultimamente a saudade anda me intimando:- CORRE ATRÁS DA ESPERANÇA SENÃO TE MATO!

QUAL É A SUA, CARA? (CÉREBRO).

Nunca mais vou deixar de consultar o “grande comandante”. Ele sabe das coisas. Todas as vezes que o ignorei foi um desastre. Não foi culpa minha! Não tinha ideia de sua força. Sempre fui desequilibrada mesmo! Parecia um animal, agia só através dos instintos. Simplesmente não conseguia reconhecer sequelas desastrosas de meus atos. Assim fui caminhando pela vida. Inconscientemente. Errei muito! Confusão emocional é o que mais me acometia. (Raiva mesclada com impotência). Sentia-me como numa gangorra subindo e descendo. Dois lados opostos: Potência e Impotência! Na impotência, a sensação era como se eu fosse uma sombra de mim mesma. Um fantoche! Sem forças pra tomar um simples banho ou alguma atitude saudável. Era como se eu estivesse morrendo. A vida não fazia sentido. Remédios psiquiátricos? Até tentei! Depois de algum tempo faziam lá seus efeitos, limitados. A longo prazo sabia que sequelas inevitáveis chegariam. (Falta de libido. Apatia. Dores musculares). Tinha muito medo de prejudicar ainda mais minha saúde tomando esse tipo de medicamento. (Escolhi interromper esse tratamento em pouco tempo). Já, na potência, o sentimento preponderante era a raiva. Invadia os meus sentidos, desnorteando ou bloqueando a sensatez. Horrível sensação! Não tinha lucidez psíquica pra identificar esse sentimento em mim. Sabia que algo estava errado, porém não reconhecia a base emocional que me impelia a uma agressividade desmedida. Nenhum auto controle sobre a situação. Minha saúde física gritava por socorro. Vários sintomas orgânicos foram emergindo. Fiquei até hipertensa. “Não queria tomar remédios para pressão alta, e, ao mesmo tempo, tinha  medo de enfartar sempre que sentia pressão no peito. A luz vermelha acendeu mais intensamente no último domingo de maio do ano passado. Crise brava me acometeu! Cinco horas da tarde. Motivo banal. A cafeteira quebrou bem quando eu estava meio deprimida e fui fazer um café. Comecei a passar mal. Parecia que ela era culpada em me frustrar. Arrebentei-a contra a parede. Perdi o auto controle! Surgiu uma raiva absurda. Raiva do mundo. Raiva de mim! Vontade de quebrar tudo que estivesse em minha frente. No coração, angústia incrível. Sensações assustadoras invadindo todo o meu ser, num crescer. Não me reconhecia. Poderosa força cegou-me. Explodia ou Implodia! Morreria assim? Conflito. Instintivamente, num gesto de sobrevivência, abri a porta, e fui andar na praia. “Talvez o mar com sua magia me acalmasse”. Assim que peguei ritmo no caminhar, a fumaça que embaçava os meus pensamentos começaram a se desfazer, lentamente. Ideias mais claras se aproximaram. Num repente, sensação de vida! Necessidade intensa de me livrar das energias agressivas que se apoderavam de mim. Entender de onde vinha aquela loucura toda. Porque? Qual seu significado? Mais calma e oxigenada, tentei conversar com meu cérebro. Estava difícil estabelecer esse diálogo, até então. Somente o emocional e o instinto andavam me comandando.. Num “insight “, enquanto acelerava os passos e um vento energético acariciava a minha face, pele, cabelos, foi nascendo uma sensação de leveza que envolveu todo o meu ser. (Naquele instante senti que era possível ser feliz). Voltei para casa. Revigorada e determinada. Foi o momento transformador dessa crise! Procurei uma excelente psicóloga. A terapia está ajudando a colorir a minha vida. Não vivo mais em preto e branco! Sabiamente ela está conduzindo a integração entre o que sinto e o que penso. Além de trabalhar os conteúdos emocionais que desencadeiam as crises insanas. A descoberta de minha força interna e a forma de administrar a impotência estão alterando a minha maneira de enxergar o mundo. Fiquei surpresa com o jeito que aprendi de lidar com a raiva. (Usar a razão antes da explosão). Faz a diferença!  É um exercício difícil, impedir que impulsos me dominem. (Questionar o comandante e respirar)! Já entendi que identificando o sentimento presente e a forma como o expressamos, pode ser o início da melhora. Essa consciência fortalece para o próximo passo que é conseguir diagnosticar o motivo da raiva! Entendi que tentar desviar o pensamento para um outro foco, desenvolve o auto controle. Dar um tempo antes de expressar! (Contar até dez lentamente pode ajudar). Evitar reações abruptas, irracionais. Outra forma é nos afastar do ambiente em que estamos, “dar uma volta”. Ponderar! Com a expansão da consciência a visão clareia. Até conseguimos avaliar a parte positiva do quadro estressante. Toda situação tem o aspecto positivo e o negativo. (Fixar no positivo). Vale super a pena. Aprendo também que a raiva bem dosada pode ser construtiva. É um sentimento legítimo. (Um diálogo com respeito e verbalização transparente, pode ser edificante). Além do mais alivia o peito sem destruir sentimentos e energias. Para se atingir esse equilíbrio é necessário fortalecer a mente e integrá-la aos sentimentos, cada vez mais. Tenho vivido sensações incríveis nessas experiências! Fato interessante:- Noutro dia, sonhei estar muito enraivecida. Meu cérebro brigava com uma raiva incontrolável, A raiva era bem escura, quase preta. Disforme e forte. O cérebro lilás tentava iluminá-la e diminuir sua força. Ela resistia muito. O cérebro não desistia! Essa aproximação forçada foi diminuindo a resistência da raiva. Num ímpeto inesperado, já enfraquecida, com medo de morrer, a raiva perguntou ao cérebro:- QUAL É A SUA , CARA? ACORDEI RINDO!

BATIDAS SELVAGENS! ( SUSTO REPENTINO).

Frio intenso nesse fim de tarde chuvosa. Inverno rigoroso. Encapotada até os pés, ainda assim o queixo treme. Vou até a sala de estar e acendo a lareira. Percebo que as lenhas estão acabando. Só dá para mais uma vez. Penso em ligar e pedir mais um bom tanto delas. Prevenir é sempre bom! Que gostoso; já estou sentindo o calorzinho invadindo o ambiente. Devagar vai ficando bem aquecido. Até esqueço do frio. Sensação deliciosa invade o meu corpo. “Sensação de útero materno”! Vou até a cozinha buscar um chá de erva cidreira. Meu favorito! Pego a xícara de porcelana vermelha que foi de minha avó. Tenho um carinho especial por ela. O chá fica mais gostoso. Adoro essa xícara! Volto à sala novamente. Retiro de cima da mesinha redonda de canto um livro e alguns artigos que estou começando a ler sobre “Auto conhecimento.” Presentão de meu amigo João. Ele adora psicologia! Folheio um pouco. Leio alguns trechos interessantes. (Costume antigo). A sinopse do livro resume a viagem fascinante ao nosso mundo interno. Continente muito pouco explorado pela maioria dos mortais! “A gente vive e morre sem se auto conhecer”! Um dos trechos descreve o conceito de Carl Gustav Jung, falando sobre o processo de individuação. Tornar-se um Ser integral. “Autônomo e independente”. Buscar o equilíbrio entre corpo, mente, alma, emoções e relações. (Precisamos manter essas áreas em equilíbrio para estarmos bem na vida). Começo a ler o primeiro capítulo. O tema vai se aprofundando um pouco mais, falando sobre dores do passado, relação com a mãe, o pai e a criança interior. Encarar as feridas para curar-se! Descobrir a máscara que foi construída para  proteger essas feridas que acabam encobrindo o ser. Aprofunda também sobre conteúdos psíquicos não expressos! “Soltar as feras”! Vou saboreando intensamente essa leitura. Pego um almofadão pra ajeitar melhor a coluna. Tomo um gole do chá, que nessa altura já esfriou. Infelizmente. Adoro bem quente! Leio outro trecho que aborda a importância do conhecimento de si mesmo. “Apropriar-se de suas qualidades, limitações, desejos, ambições. Facilita o autocontrole. Desenvolve objetivos de uma forma mais integrada”. O texto relaciona também a importância da prática da meditação como caminho da auto  realização. Essa prática ajuda  no processo de identificar o que precisa ser mudado e, a partir de nossa transformação, obter uma vida mais funcional e plena. Enfatiza que a ausência do auto conhecimento dificulta o nosso eixo, alterando o sistema energético, podendo fazer com que dependamos excessivamente da opinião do outro. Desenvolver auto cobrança exagerada e muita  crueldade consigo mesmo pode ser outra das sequelas. “Fragiliza a pessoa”. Fui me envolvendo com a leitura e não percebi o tempo passar. Nem o sono chegar. Cochilei mesmo. Também nessa sala quentinha! Acordei do cochilo com os olhos ainda sonolentos. Parecia que tinham areia. Percebi o livro entreaberto, caído no tapete. Branquinha, “parece uma bola de neve”, amada filhinha peluda, com uma das patas em cima do meu braço querendo me acordar. Sufocando-me com seus beijos. Que felicidade ter a minha Branquinha! Retribuo intensamente os carinhos. Afago muito seus pelos macios enquanto a encho de beijocas. Vou até a cozinha buscar chá quente. Enquanto isso, o telefone toca insistentemente. Olho para o telefone. Resolvi não atender. Era o Júlio César. Sempre inadequado. Caramba. Ele consegue! Estou me sentindo tão bem aqui. Julinho (assim que o chamo), detesta livros! É um cara legal, mas, pessimamente formado. O que me atraiu nele é a espontaneidade e o seu jeito natural de ser. Não tem o menor interesse em entender como funciona o psiquismo. Tento trabalhar nossas diferenças o tempo todo! Não sei se vai dar! Tenho um interesse enorme em conhecer minhas profundezas e buscar equilíbrio entre a mente e o o corpo. (Júlio Cesar é meio ignorante, só gosta de ouvir notícias na televisão. Nada intelectual)! Para mim, leitura é vitamina! Enquanto divago sobre isso, percebo, fixados em mim, dois olhinhos brilhantes e curiosos. Não aguento! Rolo no tapete com a bolinha de neve até a gente se cansar. Esgotada, ela adormece em cima da almofada como um anjo. Sento-me na posição de eixo. Respiro fundo. Tento contatar  sentimentos presentes. Conecto. Relaxo! Começo a meditar e identificar sensações. Entregue, numa sintonia absoluta com o meu eu; nesse momento sou interrompida com fortes batidas na porta (campainha quebrada).  Branquinha acordou assustadíssima. Latiu muito. Peguei minha linda no colo. Senti seu coração disparado. Apertei-a contra o meu peito, com muito carinho. Fui pra bem perto da porta, reconhecendo aquela batida, pergunto meio brincando : QUEM SERIA O SELVAGEM? MUITOS RISOS VINDOS DE FORA!

QUERO PAZ! (CONTURBAÇÃO).

Não me venha com suas lamúrias disfarçadas escurecer o meu olhar. Você representa nuvem que antecede tempestade. Mal se aproxima a paz vai embora. Um inferno! Sua história de abandono e rejeição justifica atitudes destrutivas que você sempre expressou diante da vida. Você nunca cuidou disso! Tentei de todas as formas lhe ajudar. Até indiquei terapia. Muitas vezes parecia um louco. Não deu! Seu vampirismo sugava minha energia. Da última vez tinha jurado que não lhe daria mais nenhuma chance. “Insanidade mascarada de amor”! Rasguei sua máscara. Deparei com muita raiva e egoísmo. Impressionante! Assustou minha alma serena. Decidida, exclui você de minha vida. Não foi nada fácil! Sentimento forte, mesclado de mágoa e amor, sem norte, me afligindo por longo período. Num primeiro momento parecia que meu peito iria explodir.  Sorrateiro, esse sentimento enganou meu consciente. Escondeu-se num ponto desconhecido de meu ser. Queria se proteger da dor. Não podia mais se expor. Desestabilizou minha energia orgânica completamente. Adoeci. Chorei. Chorei muito. Lavei a alma! Demorei um bom tempo pra recuperar a saúde mental e meu equilíbrio. Enfim, resgatei o amor próprio! Meu coração menino recomeçou a sonhar novamente. Liberto e maroto, não quis mais saber do que sofreu. Queria viver! Agora, no meio desse baile animado da vida, onde ritmos se alternam entre samba, valsa, jazz, você reaparece em meu céu. Nova máscara. Novas promessas. Brotou uma sensação ambivalente “amor e medo”! Nuvens ameaçadoras ressurgiram! Só de imaginar tempestades se reaproximando, o sangue gelou! Frio na barriga. Fiquei esperta. Não me permiti errar novamente. Prestei mais atenção em meu coração. Não dispensei o cérebro. Desta vez você me pegou mais integrada. Suas falas e xavecos,  enfraqueceram. Não me seduzem mais. Estranhei você! Não o quero mais. Meu sistema reptiliano repetiu forte: NÃO!NÃO! NÃO!