O SEDUTOR BARATO! (CARÁTER PSICOPATA).

Nossa história emocional já começa  dentro do útero em que fomos concebidos. Lá se instalam os nossos primeiros registros emocionais que podem refletir durante toda uma vida! Após o nascimento, nas outras etapas do  desenvolvimento, também é de grande importância o contato do amor genuíno. A ausência ou negação desses sentimentos, podem gerar patologias, podendo afetar o equilíbrio energético do corpo ou da mente.  Cada corpo vai expressando  sua própria historia de vida.  Os grandes estresses e traumas recalcados em nosso interno podem se transformar em profundas ameaças a nossa felicidade. Esses registros são imperceptíveis a olhos leigos. Podem se expressar, no entanto, de forma imprevista e incontida, através de atitudes e expressões reativas, desproporcionais à situação emocional que os provocaram, ou, ainda, transparecer na postura corporal. Dependendo da gravidade desse registro traumático, o organismo fica como uma panela de pressão! Essa condição é  tão bela quanto trágica. Bela, pela incrível potência do psiquismo. Trágica, pelo efeito devastador que pode causar em uma vida! Como é determinante nossa estrutura psíquica! Seria bem mais fácil se a gente pudesse ter acesso direto ao inconsciente e lidar com todas as profundas marcas caladas no coração. Evitaria tanta fuga de si mesmo. Tanta auto-sabotagem! Um contato saudável com a realidade com menos regressão emocional estariam mais presentes. Pessoas mais estruturadas conseguem percorrer a trilha do Amor e fazer melhores escolhas para sua vida.  O auto-conhecimento é uma boa forma de tentar sair dessa armadilha. Importante saber que a prevenção é a forma terapêutica mais eficaz.  Toda mulher em gestação deve ampliar a consciência, exercitando o auto-amor e estendendo esse amor no contato com o seu bebê. É mágico. Transformador! Nascimentos mais felizes. Existem vários tipos de caracteres que podem ser estruturados de acordo com a qualidade de seu desenvolvimento . Cada caráter tem uma atitude própria diante da vida.  Quero ressaltar aqui alguns traços  do caráter Psicopata, por ser o mais ameaçador. Muito alastrado pelo mundo! Existe em todas as camadas sociais. Sede de poder é um dos traços importantes desse tipo de caráter. É frio e calculista, mas, muitas vezes, usa a máscara de uma doce criatura. Envolvente e sedutor! Vive em função de seu próprio quadro mental. Não consegue enxergar o outro. Precisa se sentir admirado. Não sente culpa alguma. Não consegue entrar em contato com o seu próprio coração. Foi vítima de um útero congelado! Não recebeu o  alimento emocional suficiente. Não recebeu amor! Conseguiu sobreviver, porém, lacrou inconscientemente os sentimentos. O seu coração ficou como uma caixa blindada dentro do peito. Só pensa em si mesmo! Não sente empatia. É como um trator. Se precisar, esmaga o outro! Muitas vezes tem uma atitude de abutre: espera prazerosamente a vítima perder as forças para atacar! É narcísico e articulado. Existem vários níveis de traços psicopáticos. Vai depender da quantidade do “alimento” que não recebeu! A  mãe de um psicopata não tem noção do que  provocou em seu filho. Ela provavelmente reagiu às situações emocionais de que foi vítima em sua própria história. “COMO É IMPORTANTE UMA GESTAÇÃO SAUDÁVEL E CHEIA DE AMOR”! Foi para não morrer que o caráter psicopata teve que desenvolver essas defesas. Inconscientemente. Fechou-se em si mesmo para sobreviver! Constrói mentalmente o seu sentir. Não se acha cruel! Normalmente é um bom líder e precisa se sentir importante. Tem enorme necessidade de sucesso e reconhecimento. Acha que tudo que faz é necessário ser feito. Normalmente capricha muito! Na realidade, existe em seu interior muita fragilidade e incompetência para o SENTIR. Atrás dessa máscara de poder habita um ser humano regredido que não conseguiu se sentir desejado e amado. Cobra do mundo tudo o que não recebeu. Esse é o seu jeito de ser feliz.  Sua sedução deixa cicatrizes na alma! “SOMOS O RESULTADO DA NOSSA GENÉTICA E A SOMA DE NOSSAS EXPERIÊNCIAS EMOCIONAIS!”.

O SONHO DA SENSÍVEL CAMILA! ( EMOÇÕES CAMUFLADAS).

Camila ganhou dos Deuses o privilégio das grandes belezas. Sempre ouviu isso das pessoas! Dona de traços perfeitos e de uma alma imensamente sensível. Meio introvertida. Difícil de se abrir emocionalmente, mas com uma enorme facilidade de perceber o outro. Filha do meio entre duas irmãs de temperamentos fortes e muito controladores. Teve enormes dificuldades de conquistar um espaço e se sentir respeitada. Tornou-se insegura e carente emocionalmente. Esse seu jeito excessivamente meigo sempre foi interpretado como fragilidade pela maioria das pessoas. Na verdade, encobria toda uma força e vontade de vencer. Camila não conseguiu ter atitude para explorar essa capacidade. Esses aspectos ficaram bloqueados causando-lhe muitas angústias e conflitos. Pelo fato de ter sido o “sanduíche” entre as irmãs e de ter se submetido a muitas situações de rejeições e  críticas negativas, desenvolveu internamente uma enorme carência e instabilidade emocional. Medo de expressar vontades, desejos e opiniões. Verdadeiro pavor de não ser aceita!  Assim ancorou-se numa fragilidade crescente que foi dificultando toda a sua vida.  Muitas vezes, essa instabilidade oscilava entre a segurança de sua beleza física e a insegurança emocional. Sabia que era fisicamente bonita! O espelho confirmava. Mas isso não bastava! Ela queria ser admirada e desejada! Não conseguiu conquistar um espaço saudável no ambiente familiar e nem no social. Sentia-se o patinho feio tendo que se contentar com “restos e sobras”! Algumas vezes, quando sentia que ia se deprimir, corria para o espelho. Ali, ela tentava resgatar um pouco de segurança e auto estima e, assim, recomeçava a buscar  o caminho de seus desejos. Quantas tentativas perdidas, meu Deus! Quantas noites mal dormidas com sonhos recorrentes! Em seus pesadelos sempre havia histórias de mortes e grandes perdas. Muita ansiedade. Muito medo! “BELA E ANSIOSA”. Algumas vezes, a sua angústia era tão grande que  perdia a vontade de viver. Entrava numa grande depressão. Seus pais também tiveram uma parcela de culpa na  auto-construção fragilizada de Camila. Claro que foi de forma inconsciente. Eles também, de algum jeito, não receberam de suas fontes de afetos o necessário para administrar a extrema sensibilidade de Camila. Essa menina cresceu, mas não conseguiu amadurecer. Emocionalmente fixou-se na adolescência. Está com trinta e seis anos e meio e se comporta como se tivesse quinze. Continua linda! Está num momento de intensos questionamentos de vida. Fase de grandes conflitos e sonhos. Estão surgindo sinais de que quer se apropriar de sua idade emocional e a integrar à cronológica. Quer virar mulher! Pesadelos estão emergindo, mobilizando ansiedades e angústias. Começou a fazer terapia. Sim, ela decidiu que quer mudar! Trouxe um sonho recorrente para ser entendido. O SONHO:- Estava em um hotel com as suas duas irmãs. Elas tinham combinado de irem à uma festa. As irmãs já tinham se arrumado, lindamente. Maquiadas e vestidas sensualmente, expressando segurança e se sentindo “rainhas”! Camila, atrasada como sempre, não tinha  se organizado em nada, embora estivesse louca para ir à festa. As irmãs, impacientes, gritavam pra que ela se apressasse. Ameaçavam ir embora. Camila, afobada, correu até o banheiro para tomar uma ducha rápida. Ofegante, não conseguia se desvencilhar das roupas. Muita dificuldade pra tirar cada peça. Eram muitas as camadas de roupas em seu corpo. Parecia não acabar nunca! Ela foi entrando em desespero. Não podia perder aquela festa de jeito nenhum! Finalmente, quando conseguiu entrar no chuveiro, seu pé esquerdo entalou no ralo. Que desespero! Havia muita sujeira naquele ralo. Mesmo com muito nojo, ela conseguiu terminar o seu  banho. Voltou para o quarto e foi correndo vestir a  roupa da festa. Novamente a ansiedade bateu forte! A cama estava muito bagunçada. Muitas roupas misturadas. Ela não conseguia encontrar o vestido escolhido. Desespero!!! Falta de ar. Taquicardia!!! Acordou. Ainda meio trêmula se recostou na beira da cama e buscou se aquecer num tantinho de sol que entrava pela janela de quarto. Sob o calor acolhedor daquele sol de outono, ficou refletindo sobre a sua vida por quase duas horas. Decidiu que queria mudar. Se entender melhor. Sair da armadilha emocional em que se encontrava. Apresentei Camila! Sou sua terapeuta. Estamos analisando toda a simbologia desse seu sonho. Ela já reconhece as diversas camadas de defesa que precisou desenvolver para se proteger dos sofrimentos. Estamos respirando. Alongando. Sentindo e expressando suas dores. Camada por camada. Respeitando o ritmo da vida expressiva. RESGATE DE AMORES E DORES RECALCADOS PELO TEMPO!!!

MATAR? NÃO!!! ( AMOR UNIVERSAL).

Quando pequenina adorava os almoços lá em casa. Minha mãe sabia cozinhar como ninguém! Lembro dos cozidos que ela preparava com alguns legumes e muito músculo bovino. Cozinhava até quase derreter. Eu achava uma delicia! Ela sabia juntar alguns temperos incríveis.. O gostinho da manjerona no arroz com frango, não dá pra esquecer! Naquela época eu gostava da carne branca do peito do frango. Me lambuzava de tanto prazer. E bisteca de porco? Quando ela preparava dava água na boca! A comida dela era famosa! Sempre tinha muitas carnes nas refeições. Das mais variadas formas. Meu pai era muito carnívoro. Criança normalmente não associa a morte do animal com a alimentação. Pra mim era só comida! Por outro lado sempre adorei animais. Tinha gatos e cachorros com quem eu convivia e brincava muito.  Eles representavam para mim fontes de afetos importantes. Vivi a minha infância num lar natural e feliz. Meus pais amorosos e muito presentes. De vez em quando eles brigavam feio, mas, eu sentia que eles se amavam. Depois das brigas sempre se beijavam! Minha mãe era um poço de ciúmes e inseguranças. Hoje posso compreendê-la. Meu pai era danado e mulherengo. Tocava instrumentos de sopro.  Respirava música. Trabalhava durante as noites. Chegava em casa ao amanhecer. Lembro que ele sempre trazia alguma guloseima pra me agradar. Era muito carinhoso comigo. Em seus ensaios, lá em casa, tocava as músicas que eu mais gostava. Foi através dele que tive a experiência transformadora para a minha vida! Quando eu tinha nove anos de idade, numa manhã de domingo, meu pai tinha acabado de chegar do trabalho. Trouxe uma galinha viva! Ela era de um lindo marrom dourado. Quando acordei para ir à igreja e vi aquela ave ciscando em meu quintal, fiquei muito surpresa e feliz. Achei demais! Fiquei um tempo fazendo carinho na cabeça dela. Ela parecia gostar tanto!  Até cheguei atrasada para o culto. Quando o culto terminou voltei correndo para chegar logo em casa. Nem chamei  minha priminha para brincar, como eu sempre fazia. Cheguei esbaforida. Minha mãe fazendo o seu tradicional almoço de domingo. Estava um aroma delicioso! O ar de casa estava inundado de temperos! Estimulou a minha fome, mas,  naquele momento, era mais importante eu rever a minha ave amiguinha! Já tinha até pensado num nome pra ela: “LUZ”. Corri para o quintal. Estranhei ! Ela não estava mais lá. Fiquei com medo que  tivesse fugido. Era muito fácil fugir daquele quintal. Aquelas cercas tinham espaços tão abertos! Ansiosa fui perguntar à minha mãe se ela não tinha visto a “LUZ”. Percebi uma expressão estranha em seu rosto. Não gostei! Quando ela  se expressava  daquele jeito tinha algo ruim pra me contar. Seu lema era sempre me falar a verdade. Nunca mentir! Isso ela soube me ensinar muito bem.  Com muita sutileza me explicou o que tinha acontecido. Falou sobre a cadeia alimentar e tudo o mais… Desabei!  Não queria acreditar que os adultos matavam cruelmente os bichinhos que eu tanto amava. Desatei a chorar.  Minha amiguinha marrom brilhante tinha sido transformada sem piedade, num almoço de domingo. Foi a primeira vez em minha vida que associei “morte de animais” com pratos suculentos! Não queria aceitar que matar animais fosse necessário para suprir nossas necessidades alimentares. Achei que não era bom ser gente grande. Muita insensibilidade!!! Por um bom tempo fiquei magoada com os meus pais.  Não tinham o direito de terem feito aquilo! Eles conversaram muito comigo tentando explicar todos os motivos que levam ao consumo de carne. Não aceitei nenhum. Sempre tive uma personalidade forte! Nunca mais quis provar nenhum tipo de carne.  Minha mãe respeitou. Passou a me oferecer variedades de grãos, verduras, legumes e frutas de montão! Me tornei uma mulher saudável e com muita energia, sim! Os animais tem o direito à vida! Assim como os humanos eles também tem a  capacidade de amar e trocar afetos.  Culturalmente os nossos sentidos se acostumam com o cheiro, sabor e o incentivo do consumo da carne. Aprendi a educar o meus sentidos e sentir empatia. Não quero comer dor!  Amo todos os seres. Quero trocar com o universo a energia lilás do amor!  Lançada a campanha :” Segundas e Quintas, Sem carne”. Sou Vegetariana. Sou  Paul McCartney!

O DOCE SABOR DA ESPERA! (PACIÊNCIA/CALMA).

Me chamo Sheila. Desde pequena me chamam de “Moleca”. Eu era muito arteira. Por isso minha mãe se preocupava demais comigo. Fui uma criança inquieta e não gostava de esperar por nada. Muito rebelde. Adorava aprontar! Precisei passar por momentos doloridos para assimilar os ensinamentos de minha mãe. Ela queria que eu buscasse ser uma pessoa mais tranquila e equilibrada. Sempre repetia que ter paciência e calma era uma grande  virtude. Torna a gente mais forte e segura. Não imaginei como essas características seriam tão fundamentais em minha vida. Quando pequena, muitas vezes, eu pedia algum presente ou tinha algum capricho fora de hora; ela, sabiamente,  me ensinava a esperar. Dizia que era importante postergar algumas vontades e prazeres. Falava que depois seria até mais gostoso o sabor da realização do desejo. Na época, eu não entendia muito isso. Me revoltava. Fazia birra. Ela com ternura e firmeza, na maioria das vezes, não cedia. Só depois da adolescência, fui internalizando esse padrão mental e percebendo que isso me conduzia a situações bem resolvidas, tanto no psicológico quanto no aspecto físico. “Saber esperar e ter paciência”. Quanta sabedoria! Houve um acontecimento traumático quando eu tinha onze anos de idade. Mudaria rumos em minha vida. Precisei como nunca seguir os  ensinamentos de minha mãe. Foi numa tarde de sol, no quintal da casa de minha avó. Lá estavam Mônica, Felipe, André e eu.  Todos os meus amiguinhos queridos! A gente tinha mais ou menos a mesma idade. Combinamos brincar de cantar  em cima do galho de uma das mangueiras. Escolhemos a mais alta! Era um lugar incrível! Dava vista para um vale maravilhoso. A gente avistava também todas as árvores frutíferas do pomar e a chaminé soltando fumaça  do fogão à lenha. Cheiro delicioso . Um convite ao jantar. Sensação de liberdade e poder! Além das mangueiras, tinham laranjeiras, macieiras e jabuticabeiras.  Até pé de jaca! Estávamos no outono. Aquele vento frio da tarde balançando os galhos! Arrepiava. Arrepio gostoso! Naquele dia, a gente não parou nem pra ir tomar o lanche da tarde. Lembro de minha avó, chamando com insistência, lá da porta da cozinha. A gente gritava bem alto que já iria. Mas criança é egocêntrica, mesmo! Parece que se desse uma pausa na brincadeira, o mundo iria acabar! Até porque logo ia anoitecer, a gente queria aproveitar ao máximo. A brincadeira consistia em cantar músicas que falassem de um tema escolhido pelo grupo. Segurando  numa corda, amarrada num dos galhos, a gente subia e cantava lá em cima. Nossa, como estava divertido! A palhaçada rolava. Além de cantar, tinha que fazer malabarismos corporais. Expressar a canção. A graça era manter o equilíbrio. Quando chegou a minha vez de cantar, eu subi normalmente. Já tinha uma certa experiência naquilo. Lá em cima, não sei porque, comecei a me sentir tonta. Percebendo que não estava bem, me segurei forte na corda. Dei um jeito de sentar no galho. Meus amigos, assim que perceberam a situação, foram  rapidamente chamar a minha avó. Só ficou o Felipe comigo. Ele subiu até onde eu estava tentando me ajudar. De repente tudo ficou escuro. Só sei que acordei numa cama de hospital. Sem poder andar! Fiquei internada por longos meses. Sai de lá numa cadeira de rodas! Soube depois que caí e causei danos à minha coluna. Felipe, desesperado, não conseguiu me segurar lá em cima. Ele sofreu muito com tudo isso. Se sentiu culpado. Foi um período muito difícil. Amadureci na marra! Já se passaram quinze anos desse dia fatídico! Durante esse período muita coisa aconteceu. Os meus amigos se mudaram. Nunca mais os vi. Só restou o sensível Felipe. No começo, ele resistiu muito em ir me visitar; não tinha coragem.  Soube que por um bom tempo se deprimiu e chorou muito.  Imaginem, eu tive que consolá-lo! Busquei sempre ter força e batalhar. Esperar a vida melhorar. Aprendi a encarar com otimismo os desafios que a vida tem me trazido. Tenho encontrado muitas formas de ser feliz e iniciar projetos pessoais jamais sonhados. Lancei um livro auto-biográfico há quatro meses. Esta indo muito bem! Estou cursando psicologia. Sempre me interessei em conhecer os movimentos do psiquismo humano. Essa viagem interna tem me realizado muito. Grandes planos à vista! Felipe se tornou meu melhor amigo. Me dá a maior força! Ele  terminou o curso de engenharia naval e já esta pensando em fazer seu mestrado ano que vem. É  uma graça de homem! Um pouco ansioso. De vez em quando me sufoca com atitudes generosas e controladoras. Nesses instantes, busco sentir  calma e paciência. Lembro sempre de minha mãe! Mostro a ele aspectos importantes e necessários para a saúde de nossa amizade e companheirismo. Ele por sua vez me ensinou a ser organizada e construir projetos em cima dos sonhos. Nos últimos tempos notei Felipe meio estranho. Cheguei a me preocupar que ele tivesse percebido a paixão oculta que sinto por ele há tanto tempo!  Tudo ficou mais iluminado para mim, neste último fim de semana. Estava rabiscando o meu segundo livro na sala de estar. Coloquei som de jazz pra relaxar.  Preparei suco verde pra estimular as energias.  Pensava num tema que viesse das entranhas. De repente, a campainha tocou. Fui olhar pelo olho mágico pra ver quem era. Não acreditei! Era o Felipe! Eu estava toda descabelada. Ele não poderia me ver assim! O que será que ele queria? Meu coração disparou e decidiu. Num impulso, não pensei duas vezes. Abri a porta. Encontrei um par de olhos brilhantes e muito tesão no ar! O céu se fez presente. Valeu a pena esperar!

SORRISO MASCARADO (DEFESAS DO CARÁTER).

Cristiano, na infância, era considerado um menino triste. Não conseguia ter amiguinhos, nem mesmo na escola. Vivia isolado e criando brincadeiras solitárias nas horas em que não estava estudando. Esse menino triste, aos dez anos de idade, resolveu ter como companhia os “livros da biblioteca da escola”. Desta forma poderia conseguir amiguinhos imaginários e preencheria sua enorme carência. Escolhia os temas que estivessem em pauta em suas fantasias e os mencionados pelos seus professores. Assim foi se desenvolvendo intelectualmente. Paralelamente, foi estudando muito. Entregou-se, compulsivo, à leitura dos livros da biblioteca da escola. Tornou-se o melhor aluno da classe. Todos os colegas começaram a perceber que ele existia. “Como é difícil se livrar de um apelido”! Principalmente um pejorativo. De “orelhudo esquisito”, passou para “orelhudo esperto”. Um novo rótulo. Tinha orelhas de abano!!! Na verdade ele não se incomodava com isso. Até gostou do novo apelido. Afinal era uma nova identidade. Reconhecia alguma qualidade boa nele. Ficou mais extrovertido. Mudou seu jeito, ao extremo. Começou a falar alto. Rir em exagero!  Como foi dando certo, achou que assim ficaria mais atraente e divertido. Chamaria mais a atenção das pessoas. E, de certa forma, estava certo. Passou a ter mais companheiros. Virou um palhaço. Fazia piada de tudo. As gargalhadas eram frequentes, até quando sem motivo. Na realidade conseguia companhia, mas tinha muita dificuldade de desenvolver amizades verdadeiras. Ter um amigo do peito! Só amizades frágeis! Terminou o colégio. Fez faculdade de publicidade, não perdendo o seu jeito “aparentemente” feliz de viver a vida. Cristiano tornou-se um publicitário de prestígio e se resolveu muito bem financeiramente. Muito sucesso entre as mulheres e homens. Nunca se entregou a um Amor de verdade! Socialmente tinha a vida muito preenchida. Emocionalmente se sentia um lixo. Havia um buraco em seu coração que ele tentava preencher, mas não conseguia. Passados sete anos de grande ascensão profissional, com trinta anos de idade, entrou numa terrível depressão. Teve que se afastar do cargo, sob licença médica. Não entendia o porquê desse sofrimento. O sorriso, que era  tão frequente, foi sepultado. Perdeu o interesse profissional. Momento caótico! O menino triste renasceu. Só que desta vez foi muito pior. Cristiano  não conseguiu criar nenhum recurso para se refugiar. Logo ele, tão criativo! Trancou-se em casa. Trancou-se em si mesmo.  Perdeu o interesse pela vida. Só queria ficar na cama, de pijamas e mal cuidado. Sem apetite! Em quatro semanas emagreceu quase oito quilos. Transformou-se numa caricatura de si mesmo. Irreconhecível! Não queria ver ninguém. Só aceitava a companhia de seu gato angorá, presente de Bruna, antiga namorada. Depois de quase um mês nessa condição deplorável, Bruna soube, através de amigos, o que estava acontecendo com Cristiano. Ela ainda era apaixonada por ele. Vivia tentando reconquista-lo. Jogava charme e sensualidade o quanto podia. Sem êxito! Para Cristiano a paixão tinha se acabado há tempos. O gato angorá ficou como o único vinculo entre eles. De vez em quando, Bruna ligava para saber do “gato”. Ultimamente Cristiano nem atendia mais o telefone. Preocupada, Bruna resolveu ir visita-lo pessoalmente. Queria ver com os próprios olhos o que estava acontecendo com ele! Chegando lá, não se conformou com o que viu. O seu querido daquele jeito? Isso não! Mulher de atitude e obstinada, resolveu ajuda-lo. Mesmo com forte resistência dele. Fez papel de mãe, mesmo!!! Colocou-o no chuveiro bem quentinho. Aqueceu uma toalha macia e felpuda, para que ele se sentisse acolhido após o banho. Afinal aquela tarde de outono estava gelada! Depois foi para o fogão e preparou a sopa de legumes mais saborosa que conseguiu. Fez torradinhas no alho e suco de laranja. Arrumou uma mesa linda. Colocou até flores coloridas para alegrar o ambiente. Cristiano, assim que terminou o banho, sentiu o aroma que vinha da cozinha. Estava irresistível! Num segundo, recordou das sopas deliciosas que sua mãe preparava. Sensações sinestésicas! Acho que era uma das únicas coisas boas daquela época em que  vivia  fechado nele mesmo. Essa lembrança de prazer e a energia nova que estava sentindo com a presença de Bruna , despertou nele a vida escondida no peito. Lentamente foi até a adega. Pegou a garrafa de vinho que há muito tempo havia guardado para uma ocasião especial. Desta vez o sorriso veio do coração.  BRINDARAM À VIDA!!!