ROMPENDO MÁSCARAS! ( RELACIONAMENTO).

Existem vários tipos de caracteres. Cada um deles encoberta (revela, a olhos treinados), na estrutura corporal, as emoções que os originaram. O caráter narcísico, popularmente muito conhecido e tão desconhecido em sua construção emocional, é um bom modelo para se ter noção das consequências que a carência afetiva – a privação precoce de afeto – pode acarretar sobre o jeito de ser de uma pessoa. Somos naturalmente narcisistas. Essa característica é inerente ao ser humano. Num grau normal, isso é bom. Revela um saudável amor próprio e condições de se cuidar para estar neste mundo de uma forma equilibrada. Narcisismo, bem dosado, representa uma boa auto-estima. Num grau exagerado, é patológico. A pessoa se torna extremamente egocêntrica, sem capacidade de empatia! Haje como um trator! Precisa desesperadamente de um espaço onde possa se sentir admirada e respeitada. Busca o que não teve! Quer sempre ser o melhor! Assim  se expressa para o mundo. É uma compensação. Na verdade, esse comportamento funciona como uma máscara, que encobre um ser humano inseguro e frágil – uma defesa para se sentir importante, admirado, aceito. No campo social existem muitos doentes narcísicos! No ambiente familiar, no entanto, por haver maior intimidade, sua fragilidade fica mais exposta.  “Quanto mais intimidade, menos máscaras”! A relação de uma vida a dois proporciona um bom exemplo de quebra de defesas. O dia-a-dia, na intimidade, é revelador! É um excelente espelho que pode refletir as neuroses de cada um. Muitas vezes, em discussões, ouvimos do companheiro, acusações sobre o nosso comportamento. Não aceitamos! Ficamos com muita raiva. É difícil reconhecer que somos imperfeitos! Nosso narcisismo não aceita. Recebemos como uma agressão. Claro que a neurose do outro pode, também, estar atuando contra a nossa! Em situações de brigas existe o perigo da soma de neuroses!  Intensos riscos! “Ego contra ego”. Briga feroz! Utilizar o racional nesses momentos é salutar. Fugir da reação impulsiva. Após a crise emocional, uma forma de resgatar algum equilíbrio é exercitar a humildade. Autoquestionar-se. Dizia São Paulo: “a humildade é a verdade.” Oportunidade de crescimento e auto conhecimento. Pode ser transformador! Temos dificuldades em admitir nossos defeitos de caráter, mas, também, em reconhecer nossas reais virtudes! Nos vínculos íntimos, expressamos nossas melhores e piores qualidades. Fantasias, desejos, raivas e todos os tipos de sentimentos. Ao mesmo tempo em que podem ser a causa de tantas rupturas, poderiam ser o fertilizante de relações mais genuínas, mais gostosas,  se houver a ampliação da consciência. O mundo misterioso das emoções é avassalador! Já no macro cosmo, aqui, no mundo externo, vivemos das aparências. Elas são mais fáceis de administrar. Muitas vezes, são enganosas. Não podemos nos iludir só com as aparências! A estrutura corporal, os gestos e expressões  representam a unidade do ser. A psicoterapia pode ajudar muito neste processo de reconhecimento e construção. AUTO CONHECIMENTO! A partir daí fica mais fácil administrar seus traumas e neuroses. Crescimento é de dentro para fora. Fica mais fácil olhar para o mundo de uma forma saudável. Quem se apropria de si mesmo, dificilmente se tornará vítima de alguém. Já sabe o que quer! A sedução de nenhum narcísico conseguirá afetar quem se escolheu para ser feliz!  “MENTE E CORPO: UNIDADE FUNCIONAL”! REICH.

SEQUESTRO DE MIM! ( SENTIDOS APRISIONADOS).

Quantos de nós podemos respirar normalmente, com um rítmo prazeroso, pleno?  Na nossa sociedade é quase impossível. A  respiração funciona de forma involuntária. Tem  padrões próprios. Esses padrões refletem a mobilidade do diafragma. Se ele estiver muito comprimido, a amplitude de seus movimentos será limitada e a respiração não será plena. Com o tempo, isto pode trazer sérios danos à saúde. Somos energeticamente  o resultado da forma que respiramos. Podemos, no entanto, interferir, através da consciência, e tentar mudar esses padrões, expandindo o nível da respiração. Para isso, existem várias técnicas. Diferentes linhas. Cada linha, dentro de sua abordagem, busca a saúde global do organismo. Quero falar da importância e da relação que existe entre o “respirar e os nossos sentimentos”. Vivemos num mundo de muitas repressões e estresses. Muitos sentimentos reprimidos. Estão diretamente ligados à contenção do diafragma e a nossa postura corporal. Aprendemos bem cedo a conter e trancar no coração muitos de nossos  afetos e desejos, muitas frustrações. O nosso peito, muitas vezes, funciona como a “caixa preta do avião”. Difícil acesso. Concomitantemente, o organismo, na maioria da vezes, reage como um todo, comprimindo-se em vários níveis. Se esse quadro de bloqueio se transformar num padrão, vai enrijecendo o diafragma e alterando o ritmo normal da respiração. Pedro é um bom exemplo sobre as consequências nefastas que um diafragma doente pode causar em uma pessoa.  Nasceu uma criança forte e cheia de saúde. Cresceu num lar com muitos preconceitos e com pouca afetividade. Assim foi aprendendo a se conter e a suportar o que não queria.  Desenvolveu muito medo de se expressar naturalmente. Tentou algumas vezes, não foi ouvido. Desistiu!  Transformou-se num homem que seria bonito se não fosse sua estrutura corporal dura e de atitudes robotizadas. Peito enrijecido. Encurvado, parece que carrega o mundo nas costas. Adora livros e filmes trágicos. Tudo que se refere a sofrimento desperta o seu interesse. Tornou-se um homem ácido e muito crítico. Como se fosse uma compensação para seus sentimentos reprimidos. Muitas vezes se torna um chato. Não tem criatividade e seus assuntos são repetitivos. Aprendeu a falar de negócios. Isso ele faz bem! É o politicamente correto! Desta forma tenta se valorizar com as pessoas. Mas, muitas vezes, não é ouvido como queria. Idealiza a vida. Acha a realidade maçante. Esconde-se no trabalho. Coitado! Não consegue  ser feliz. Um dia destes, sentindo-se muito ansioso, respiração alterada, foi caminhar na praça principal de seu bairro. Conselho de seu médico!  Precisava se distrair um pouco. Tentou olhar as pessoas e toda a animação que lá havia. Realmente o mal estar foi indo embora. Parando em frente à vitrine de uma loja de perfumes, viu sua imagem refletida no espelho. Nunca tinha se visto daquela forma. Detestou o que viu! Não era assim que ele se imaginava. Não podia ser ele, ficou inconformado! Num segundo, sua mente se integrou um pouco mais com o corpo. A respiração melhorou muito! Houve um confronto entre a sua imagem expressa e a autoimagem. Naquela caminhada, os ventos sopraram a seu favor. O exercício de andar mobilizou sua respiração. Os sinos tocaram! Surgiu uma cena infantil, em que se sentira muito humilhado na escola. Lembrou-se da raiva intensa, da falta de reação. A partir desse insight, os caminhos começaram a se abrir para Pedro. Procurou tratamentos. Psicoterapia, para organizar situações mal resolvidas. Yoga, para reaprender a respirar. Escolhas salutares para a recuperação da respiração equilibrada e de sua reestruturação emocional. O processo de libertação já começou. Mudar demora um tempo. Caminhada interna e respiração é um casamento saudável. O SEQUESTRO ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS.

SOL E DESEJO ARDENDO! (SENSAÇÕES).

Na manhã daquele domingo quente de verão, acordei agitada. Transpirando muito. Minha camiseta de dormir toda molhada, grudando nas costas, pelo suor excessivo.  Não sei se transpirava de tanto calor ou de medo! O pesadelo que tinha me atormentado durante toda a noite, ainda se refletia intensamente em mim. Meu corpo todo dolorido. Parecia que eu tinha levado uma surra. Você voltou com toda a força! Pensava que já tivesse morrido em mim! Naquela noite lhe senti presente! Fiquei ouvindo  sua voz  quente a murmurar palavras de amor, de paixão. A noite inteira. Parecia que havíamos retomado os velhos tempos. Muitas brincadeiras! Me fez rir, novamente. Até doer a barriga. Meu doce palhaço! Sensível e irônico! Homem menino carente. Tão forte diante da vida. Não sabia de onde vinha tanta força e firmeza. Afinal, com uma história emocional de tanta rejeição e abandono. Que força para enfrentar a vida! Despertou em mim muita vontade de cuidar de você. Esse foi um dos aspectos seus que me encantou. Essa ambivalência de seu caráter. Forte e frágil!  Nas minhas horas de dor, a sua presença energética me acalmando e mostrando um mundo melhor.  Isso atrai muito, sabia?  Você se permite ser dual. É uma das poucas pessoas que conheço que se expressa tão naturalmente. Na noite do pesadelo, revivi a paixão profunda que avassalou a gente. No sonho, revivi seus beijos quentes e provocadores. Me sentia nas nuvens. Trêmula e feliz!  Num dado momento, envolvida em seus braços fortes e peludos, num abraço de entrega, no auge dessas sensações, de repente, senti um empurrão. Quase perdi o equilíbrio. Me apoiei na parede para não cair. Assustada acordei, ainda dentro do pesadelo. Abri os olhos, tentando entender o que estava acontecendo. Foi terrível! Você tinha tido um ataque do coração. Encontrei você muito pálido, estendido no chão, sem sentidos. Parecia um morto. Desesperada, não encontrava o meu celular. Sai de casa correndo, pela rua afora. Fui pedir socorro. Estava desnorteada. Agonia intensa. Todas as luzes da rua apagadas. Não havia ninguém por ali. Tentei gritar, o som da voz não saia. Meu maxilar rígido. Garganta e boca secas. Minha mente fixada no meu amor estendido lá no chão frio do quarto. Me senti toda enrijecida. Catatônica. Acordei. Nossa! Que sofrimento horrível esse pesadelo me causou. Não imaginava que ainda te amava tanto! Já fazia quase oito meses que a gente tinha se separado. Por um motivo de ciúmes ridículo de sua parte. Eu não aceitava o seu controle. Fiquei com muita raiva de você. Duvidar de mim e me ofender? Isso eu não admitia. Risquei você do pensamento, mesmo! Achava que já  tinha lhe esquecido. Aquele pesadelo foi revelador. Acordei você em mim! Muito medo de nunca mais ver você. Levantei da cama. Abri a janela do quarto. Cheiro de maresia pelo ar. Barulho das ondas do mar. Surgiu uma vontade enorme de  respirar e correr na orla. Ao mesmo tempo, em meu peito, sentia um aperto!  Sentimentos intensos, despertados naquele sonho/pesadelo. Meu coração disparado.  Muita necessidade de ser ouvida. Conflito instalado. Aceitar o convite do sol? Do coração? Liguei! O reencontro foi um renascimento.  Mãos dadas. Magia no ar. Sol ardendo na pele. Desejo queimando as entranhas. Foi o dia mais quente de todos os verões. Felipe! Estou sonhando acordada. O TESTE DEU POSITIVO!

O GRITO DE HELENA! (CATARSE).

Algumas vezes a gente pode se sentir como um estranho neste mundo. Nada parece ter sentido. O  sistema energético fica comprometido. É como se existisse um abismo entre a nossa realidade interna e a externa. Pelo instinto de vida, natural nos seres vivos, buscamos preencher esse buraco das mais variadas formas. Dependendo, essa forma pode ser desastrosa e, até, intensificar o estado de cisão. Normalmente, a repressão é a causadora desse estado emocional. Na educação tradicional aprendemos, na maioria das vezes, a reprimir emoções naturais que fazem parte do desenvolvimento saudável do ser humano. Vivemos em função das aparências! A sociedade, em grande parcela, é hipócrita. Os valores essenciais ficaram distorcidos. Confiança e respeito genuíno quase não existem.  Como viver num mundo assim? O que fazer para tentar restabelecer valores essenciais para um mundo melhor e mais equilibrado? Desenvolver pessoas mais seguras e felizes? O trabalho preventivo no ampliar da consciência é fundamental nesse propósito. Isso deve começar no núcleo familiar, ou, ainda, nas mulheres gestantes. E em todos aqueles que se dispõem a preparar  seres humanos para o mundo. Estimular a buscar dentro de  sentimentos que gerem atitudes saudáveis. Sentimentos de respeito, aceitação e acolhimento. Qualquer mudança transformadora deve ser a partir do “SI” (DE DENTRO PARA FORA)! Vou contar aqui o caso de HELENA: Moça de caráter rígido, inteligente e super esforçada. Filha única. Foi criada em uma família de classe média alta. Teve quase tudo que o dinheiro pode comprar. Não teve o que mais precisava!  Sua mãe, sempre entregue a vaidades fúteis. Pouco conheceu a filha. Pai, um renomado advogado, narcísico. Diferente de sua mãe. Ele a mimava e ao mesmo tempo a sufocava! Desde que Helena era criança, ele a induziu a ser advogada. Nunca se preocupou em saber se era isso que ela sonhava para a sua vida. Queria deixar seu legado à ela. Decisão tomada. Não se discutia. Afinal, ele tinha batalhado tanto pra subir na vida! Controlada e conduzida pelo pai, “DR.ALFREDO”. Esse foi o caminho de Helena… Frequentou as melhores escolas. Cursou a melhor universidade. Destacou-se como excelente aluna. O pai, sempre muito orgulhoso da “sua menina”! O tempo passou rápido.  Como era de se esperar, ela se formou com louvor. Foi trabalhar com o pai. Pegou logo o ritmo da empresa. Depois de uns anos ele foi forçado a se aposentar. Saúde precária. Desenvolveu uma doença degenerativa. Helena ficou com o império e, rapidamente, se estabeleceu como a importante substituta do DR. ALFREDO.  Cresceu muito! Conseguiu fama e sucesso profissional. Ganhou um bom dinheiro. Trabalhava como um robô. Nunca parou para questionar a sua vida. Para compensar os dias intermináveis que passava no escritório lotado de trabalho, a jovem Helena frequentava muitas festas, nos fins de semana. Nem sempre com as melhores companhias. Só não queria ficar sozinha. Precisava relaxar nas bebidas. Já tinha virado um hábito. Certa vez, numa dessas festas, já em sua quarta batida de gim com morango,  Helena começou a dançar as músicas caribenhas que ali tocavam. Meio embriagada, deixava o corpo se expressar sem censura. Girava, girava! Sozinha. Olhos fechados. Naquele momento parecia que só ela existia! Seus pés quase que tropeçavam um no outro. As pessoas que ali estavam abriram espaço para que ela pudesse continuar sua dança frenética. Nunca tinha se soltado assim. A impressão que dava é que queria exorcizar os demônios presos em seu peito. Assim ficou por infindáveis dez minutos. Quando perdeu quase todas as forças das pernas, se jogou no chão. A cabeça ainda girava muito. Num repente, se sentiu mais leve e começou a rir muito. “Assim como uma louca”! Passada essa experiência, foi levada para casa pelo seu motorista particular.  Na semana seguinte, logo na segunda feira, resolveu que queria se auto conhecer e sentir novas sensações. Tinha gostado da cena vivida. Nem foi trabalhar, naquele dia. Na noite anterior, tinha sonhado que era psicóloga. Desejo contido, que nunca expressou a ninguém. Buscou uma  terapia de auto-conhecimento. Encontrou um ótimo terapeuta. Já está em terapia há quatro meses e vem se sentindo com alegria de viver. Numa das últimas sessões, num trabalho de profunda respiração, conduzido pelo terapeuta, entrou num movimento de profunda libertação. Num repente, começou a emitir um som gutural que foi aumentando, até virar um grito primal, assim como dos animais. Esse som, rouco, primitivo, vinha das entranhas! Ali, ela soltou todos os sentimentos e desejos reprimidos. Essa catarse trouxe uma necessidade enorme de mudar rumos. De finalmente se ouvir! Não queria continuar seguindo o caminho profissional do pai. Não precisava mais responder às expectativas de ninguém para ser admirada e amada. Iria ouvir a voz do coração. Decisão tomada. Hoje, já tem a coragem de ser FELIZ!