{"id":1203,"date":"2019-10-08T18:32:17","date_gmt":"2019-10-08T20:32:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1203"},"modified":"2019-10-10T11:34:31","modified_gmt":"2019-10-10T13:34:31","slug":"provocacao-limites-da-paciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2019\/10\/08\/provocacao-limites-da-paciencia\/","title":{"rendered":"O DOCE SABOR DA ESPERA! (PACI\u00caNCIA\/CALMA)."},"content":{"rendered":"<p>Me chamo Sheila. Desde pequena me chamam de &#8220;Moleca&#8221;. Eu era muito arteira. Por isso minha m\u00e3e se preocupava demais comigo. Fui uma crian\u00e7a inquieta e n\u00e3o gostava de esperar por nada. Muito rebelde. Adorava aprontar! Precisei passar por momentos doloridos para assimilar os ensinamentos de minha m\u00e3e. Ela queria que eu buscasse ser uma pessoa mais tranquila e equilibrada. Sempre repetia que ter paci\u00eancia e calma era uma grande\u00a0 virtude. Torna a gente mais forte e segura. N\u00e3o imaginei como essas caracter\u00edsticas seriam t\u00e3o fundamentais em minha vida. Quando pequena, muitas vezes, eu pedia algum presente ou tinha algum capricho fora de hora; ela, sabiamente,\u00a0 me ensinava a esperar. Dizia que era importante postergar algumas vontades e prazeres. Falava que depois seria at\u00e9 mais gostoso o sabor da realiza\u00e7\u00e3o do desejo. Na \u00e9poca, eu n\u00e3o entendia muito isso. Me revoltava. Fazia birra. Ela com ternura e firmeza, na maioria das vezes, n\u00e3o cedia. S\u00f3 depois da adolesc\u00eancia, fui internalizando esse padr\u00e3o mental e percebendo que isso me conduzia a situa\u00e7\u00f5es bem resolvidas, tanto no psicol\u00f3gico quanto no aspecto f\u00edsico. &#8220;Saber esperar e ter paci\u00eancia&#8221;. Quanta sabedoria! Houve um acontecimento traum\u00e1tico quando eu tinha onze anos de idade. Mudaria rumos em minha vida. Precisei como nunca seguir os\u00a0 ensinamentos de minha m\u00e3e. Foi numa tarde de sol, no quintal da casa de minha av\u00f3. L\u00e1 estavam M\u00f4nica, Felipe, Andr\u00e9 e eu.\u00a0 Todos os meus amiguinhos queridos! A gente tinha mais ou menos a mesma idade. Combinamos brincar de cantar\u00a0 em cima do galho de uma das mangueiras. Escolhemos a mais alta! Era um lugar incr\u00edvel! Dava vista para um vale maravilhoso. A gente avistava tamb\u00e9m todas as \u00e1rvores frut\u00edferas do pomar e a chamin\u00e9 soltando fuma\u00e7a\u00a0 do fog\u00e3o \u00e0 lenha. Cheiro delicioso . Um convite ao jantar. Sensa\u00e7\u00e3o de liberdade e poder! Al\u00e9m das mangueiras, tinham laranjeiras, macieiras e jabuticabeiras.\u00a0 At\u00e9 p\u00e9 de jaca! Est\u00e1vamos no outono. Aquele vento frio da tarde balan\u00e7ando os galhos! Arrepiava. Arrepio gostoso! Naquele dia, a gente n\u00e3o parou nem pra ir tomar o lanche da tarde. Lembro de minha av\u00f3, chamando com insist\u00eancia, l\u00e1 da porta da cozinha. A gente gritava bem alto que j\u00e1 iria. Mas crian\u00e7a \u00e9 egoc\u00eantrica, mesmo! Parece que se desse uma pausa na brincadeira, o mundo iria acabar! At\u00e9 porque logo ia anoitecer, a gente queria aproveitar ao m\u00e1ximo. A brincadeira consistia em cantar m\u00fasicas que falassem de um tema escolhido pelo grupo. Segurando\u00a0 numa corda, amarrada num dos galhos, a gente subia e cantava l\u00e1 em cima. Nossa, como estava divertido! A palha\u00e7ada rolava. Al\u00e9m de cantar, tinha que fazer malabarismos corporais. Expressar a can\u00e7\u00e3o. A gra\u00e7a era manter o equil\u00edbrio. Quando chegou a minha vez de cantar, eu subi normalmente. J\u00e1 tinha uma certa experi\u00eancia naquilo. L\u00e1 em cima, n\u00e3o sei porque, comecei a me sentir tonta. Percebendo que n\u00e3o estava bem, me segurei forte na corda. Dei um jeito de sentar no galho. Meus amigos, assim que perceberam a situa\u00e7\u00e3o, foram\u00a0 rapidamente chamar a minha av\u00f3. S\u00f3 ficou o Felipe comigo. Ele subiu at\u00e9 onde eu estava tentando me ajudar. De repente tudo ficou escuro. S\u00f3 sei que acordei numa cama de hospital. Sem poder andar! Fiquei internada por longos meses. Sai de l\u00e1 numa cadeira de rodas! Soube depois que ca\u00ed e causei danos \u00e0 minha coluna. Felipe, desesperado, n\u00e3o conseguiu me segurar l\u00e1 em cima. Ele sofreu muito com tudo isso. Se sentiu culpado. Foi um per\u00edodo muito dif\u00edcil. Amadureci na marra! J\u00e1 se passaram quinze anos desse dia fat\u00eddico! Durante esse per\u00edodo muita coisa aconteceu. Os meus amigos se mudaram. Nunca mais os vi. S\u00f3 restou o sens\u00edvel Felipe. No come\u00e7o, ele resistiu muito em ir me visitar; n\u00e3o tinha coragem.\u00a0 Soube que por um bom tempo se deprimiu e chorou muito.\u00a0 Imaginem, eu tive que consol\u00e1-lo! Busquei sempre ter for\u00e7a e batalhar. Esperar a vida melhorar. Aprendi a encarar com otimismo os desafios que a vida tem me trazido. Tenho encontrado muitas formas de ser feliz e iniciar projetos pessoais jamais sonhados. Lancei um livro auto-biogr\u00e1fico h\u00e1 quatro meses. Esta indo muito bem! Estou cursando psicologia. Sempre me interessei em conhecer os movimentos do psiquismo humano. Essa viagem interna tem me realizado muito. Grandes planos \u00e0 vista! Felipe se tornou meu melhor amigo. Me d\u00e1 a maior for\u00e7a! Ele\u00a0 terminou o curso de engenharia naval e j\u00e1 esta pensando em fazer seu mestrado ano que vem. \u00c9\u00a0 uma gra\u00e7a de homem! Um pouco ansioso. De vez em quando me sufoca com atitudes generosas e controladoras. Nesses instantes, busco sentir\u00a0 calma e paci\u00eancia. Lembro sempre de minha m\u00e3e! Mostro a ele aspectos importantes e necess\u00e1rios para a sa\u00fade de nossa amizade e companheirismo. Ele por sua vez me ensinou a ser organizada e construir projetos em cima dos sonhos. Nos \u00faltimos tempos notei Felipe meio estranho. Cheguei a me preocupar que ele tivesse percebido a paix\u00e3o oculta que sinto por ele h\u00e1 tanto tempo!\u00a0 Tudo ficou mais iluminado para mim, neste \u00faltimo fim de semana. Estava rabiscando o meu segundo livro na sala de estar. Coloquei som de jazz pra relaxar.\u00a0 Preparei suco verde pra estimular as energias.\u00a0 Pensava num tema que viesse das entranhas. De repente, a campainha tocou. Fui olhar pelo olho m\u00e1gico pra ver quem era. N\u00e3o acreditei! Era o Felipe! Eu estava toda descabelada. Ele n\u00e3o poderia me ver assim! O que ser\u00e1 que ele queria? Meu cora\u00e7\u00e3o disparou e decidiu. Num impulso, n\u00e3o pensei duas vezes. Abri a porta. Encontrei um par de olhos brilhantes e muito tes\u00e3o no ar! O c\u00e9u se fez presente. Valeu a pena esperar!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Me chamo Sheila. Desde pequena me chamam de &#8220;Moleca&#8221;. Eu era muito arteira. Por isso minha m\u00e3e se preocupava demais comigo. Fui uma crian\u00e7a inquieta e n\u00e3o gostava de esperar por nada. Muito rebelde. Adorava aprontar! Precisei passar por momentos doloridos para assimilar os ensinamentos de minha m\u00e3e. Ela queria que eu buscasse ser uma &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2019\/10\/08\/provocacao-limites-da-paciencia\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O DOCE SABOR DA ESPERA! 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