{"id":1424,"date":"2020-03-17T01:49:48","date_gmt":"2020-03-17T04:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1424"},"modified":"2023-10-17T23:51:18","modified_gmt":"2023-10-18T02:51:18","slug":"e-ele-nao-mudou-carater-rigido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/03\/17\/e-ele-nao-mudou-carater-rigido\/","title":{"rendered":"E ELE N\u00c3O MUDOU! (CAR\u00c1TER R\u00cdGIDO)."},"content":{"rendered":"<p>Fui uma crian\u00e7a sonhadora e muito criativa. O mundo da imagina\u00e7\u00e3o\u00a0 me estimulava a sair da pobreza em que vivia. Nunca tive uma boneca, nem uma pequenina, como normalmente toda menina tem. Resolvi esse problema adotando o meu travesseiro como minha filhinha em minhas brincadeiras de crian\u00e7a. Quando sozinha, eu o enrolava num pano qualquer\u00a0 e desse jeito ela era o meu beb\u00ea. Ficava horas reproduzindo tudo que eu via minha m\u00e3e fazer com meu irm\u00e3ozinho. Minha m\u00e3e dava um duro danado. Al\u00e9m de cuidar de seus dois filhos e da casa, ainda era costureira. Lembro dela horas a fio atr\u00e1s daquela m\u00e1quina. Muitas vezes percebi que chorava, quietinha no canto da cozinha, perto do fog\u00e3o a lenha, onde ela fazia a macarronada mais gostosa do mundo. Todo domingo era dia de macarr\u00e3o! Eu me deliciava. N\u00e3o fosse o homem est\u00fapido com quem ela se casou pela segunda vez,\u00a0 acho que eu teria sido uma crian\u00e7a feliz. Quando ela se separou de meu pai eu tinha nove anos e um amor infinito por ele. Sofri muito com essa separa\u00e7\u00e3o. Por ser crian\u00e7a, naquela \u00e9poca, n\u00e3o pude entender os seus justos motivos. Meu pai tinha muitas qualidades, era honesto e trabalhador. N\u00e3o tinha forma\u00e7\u00e3o. Trabalhava onde surgia chance. N\u00e3o tinha tempo ruim para ele. O problema era o seu jeito duro e insens\u00edvel de ser. Homem r\u00edgido. Pai carinhoso do seu jeito. Voz forte, que me transmitia muita seguran\u00e7a. Algumas vezes, muito medo. Nunca voltava atr\u00e1s de uma opini\u00e3o formada. Enxergava o casamento como um mach\u00e3o. S\u00f3 ele decidia. A esposa n\u00e3o tinha espa\u00e7o para isso. Anulava a identidade de minha m\u00e3e. N\u00e3o valorizava os esfor\u00e7os cont\u00ednuos que ela fazia em sua m\u00e1quina de costura! Muito menos a percebia como mulher. Diga-se, uma bela f\u00eamea. Com uma sensibilidade exagerada. Muito sonhadora, assim como eu. Um belo dia, ela\u00a0 se encantou com o jornaleiro do bairro em que a gente morava. Um grande sedutor. Virou sua cabe\u00e7a! Come\u00e7ou a fazer loucuras. Tenho na mem\u00f3ria cenas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Eu e meu irm\u00e3ozinho nos escond\u00edamos atr\u00e1s da porta, at\u00e9 a briga acabar. Meu pai n\u00e3o queria a separa\u00e7\u00e3o. Minha m\u00e3e n\u00e3o quis saber. Estava louca de paix\u00e3o! Meu pai foi embora junto com a minha alegria. Passado pouqu\u00edssimo tempo, o jornaleiro entrou em casa. Estranhei e adoeci muito. Aquele homem desconhecido, querendo ocupar um espa\u00e7o que n\u00e3o era o dele. ELE N\u00c3O ERA O MEU PAI! &#8220;Afetos verdadeiros s\u00f3 se constroem ao longo da vida&#8221;. Rafael, meu padrasto, era um estrangeiro em minhas emo\u00e7\u00f5es. Ele n\u00e3o tinha o cheiro de meu pai, o seu olhar n\u00e3o me protegia.\u00a0\u00a0Essa nova rela\u00e7\u00e3o de minha m\u00e3e durou o tempo que dura a paix\u00e3o, com muitos altos e baixos. Nunca consegui gostar dele.\u00a0 Acho que nem ele de mim! Hoje compreendo que minha m\u00e3e idealizou em Rafael o homem de seus sonhos. Quando, na conviv\u00eancia, emergiu a real pessoa encoberta por toda aquela sedu\u00e7\u00e3o, a m\u00e1scara caiu. Ent\u00e3o ela resolveu nunca mais ter algu\u00e9m. Foi decidida. Ficou mais feliz assim.\u00a0 Envelheceu sozinha. Ainda vive s\u00f3! Hoje se dedica \u00e0 caridade. Faz costuras para crian\u00e7as carentes. A parte financeira ficou mais tranquila. Nada mais justo que eu e meu irm\u00e3o a ajudemos. Cuidou da gente com tanto sacrif\u00edcio e amor! Formados, cada um foi buscar sua realiza\u00e7\u00e3o e deu muito certo. Por outro lado, fiquei distante de meu pai por vinte e cinco anos. Durante esse tempo todo ele nunca mais me procurou. Sempre que\u00a0 ele surgia em memoria, eu desviava o pensamento. N\u00e3o queria sofrer! Fugia mesmo! Hoje, fazendo psicoterapia, viajando pelo meu cora\u00e7\u00e3o, nasceu uma necessidade enorme de conferir o pai que tive. Alguma esperan\u00e7a brincava dentro de meus sentimentos. Ser\u00e1 que ele havia sentido a minha falta? Ser\u00e1 que havia mudado o seu jeito de ser? E o amor? Como louca iniciei uma busca desenfreada. Precisava saber de seu paradeiro. Se ainda estava vivo! Na verdade era um resgate de mim mesma. Tentar limpar amarguras ancoradas. Talvez continuar mais leve e resolvida. Depois de muitas buscas, veio a confirma\u00e7\u00e3o. Encontrei o meu velho, internado numa casa de repouso. Percebi em seus olhos uma imensa solid\u00e3o. Tentei contato com aquela solid\u00e3o. N\u00e3o consegui! Ela fugia de mim. Num segundo momento, surgiu aquele olhar duro, t\u00e3o conhecido em minha inf\u00e2ncia. N\u00e3o desisti. Instintivamente, coloquei as suas m\u00e3os entre as minhas. Estavam meio frias, sem vida. Fui tocando-as com toda a delicadeza que os meus sentidos permitiram. Comecei a falar de amor. Algumas l\u00e1grimas rolaram em nossos olhos. Me aproximei um pouco mais. Contendo os meus solu\u00e7os, com dificuldades, pude dizer &#8220;Eu te amo!&#8221;. Ele apenas me olhou no fundo dos olhos e apertou suavemente a minha m\u00e3o. Essa foi a forma que conseguiu me falar de amor. Rapidamente, novamente, aquele olhar fugiu para sua conhecida \u00a0solid\u00e3o! Acho que \u00e9 nesse lugar que se sente mais seguro. Para ele nunca foi poss\u00edvel verbalizar o Amor. Constatei que ele n\u00e3o mudou! Continua ancorado na dificuldade de se expressar. Seus sentimentos ficaram prisioneiros de sua pr\u00f3pria rigidez de car\u00e1ter. Confesso que fiquei impotente. Rapidamente me apropriei\u00a0 da vontade de o conhecer\u00a0 melhor. Toda semana estamos nos vendo. Noutro dia at\u00e9 consegui que minha m\u00e3e fosse l\u00e1. Quem sabe esse meu velho, querido e rabugento, aprenda a falar de amor! SER\u00c1 QUE UM BOM VINHO TINTO AJUDA?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui uma crian\u00e7a sonhadora e muito criativa. O mundo da imagina\u00e7\u00e3o\u00a0 me estimulava a sair da pobreza em que vivia. Nunca tive uma boneca, nem uma pequenina, como normalmente toda menina tem. Resolvi esse problema adotando o meu travesseiro como minha filhinha em minhas brincadeiras de crian\u00e7a. Quando sozinha, eu o enrolava num pano qualquer\u00a0 &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/03\/17\/e-ele-nao-mudou-carater-rigido\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;E ELE N\u00c3O MUDOU! (CAR\u00c1TER R\u00cdGIDO).&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1424"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1424"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2979,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1424\/revisions\/2979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}