{"id":1501,"date":"2020-04-27T19:44:37","date_gmt":"2020-04-27T22:44:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1501"},"modified":"2020-04-28T19:55:35","modified_gmt":"2020-04-28T22:55:35","slug":"sinal-de-amor-prevencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/04\/27\/sinal-de-amor-prevencao\/","title":{"rendered":"AMORES DOENTES! (PREVEN\u00c7\u00c3O)."},"content":{"rendered":"<p>Um casal, Marcos e Marisa, meus pacientes, est\u00e1 atravessando uma grande crise em seu relacionamento. Eram adolescentes quando se conheceram no col\u00e9gio em que estudavam. Mesma idade. Sonhos profissionais opostos. Ele queria ser engenheiro. Ela psic\u00f3loga infantil. Muito diferentes em suas expectativas de vidas. Ela, extremamente emocional. Constru\u00eda castelos encantados que decorava com os seus mais lindos sonhos. Era uma arquiteta de fantasias. Muitas vezes inveross\u00edmeis. Delicada e sens\u00edvel, dona de uma meiguice tocante. Todos se sentiam bem perto dela. Sabia ser amiga e confidente. Empatia era o seu ponto marcante. N\u00e3o suportava ver o sofrimento de quem quer que fosse. Especialmente crian\u00e7as e animais. Possu\u00eda tamb\u00e9m um charme envolvente que servia como um instrumento para alcan\u00e7ar as suas metas. Nesse aspecto era bem fortalecida. No col\u00e9gio, competia com outras meninas sem medo de perder. Paquera escolhida, paquera ganha. Possui um lado muito competitivo, encoberto por uma delicadeza intensa! A filha preferida de seu pai. Tinha duas irm\u00e3s mais novas que sentiam muito ci\u00fames e inveja dela. Isso na vida a tornou segura no contato com o sexo masculino. Por outro lado, ficou carente pela falta de contato afetuoso entre ela e as irm\u00e3s. Sua m\u00e3e, mulher simples e desconectada da realidade, nunca percebeu a disfar\u00e7ada hostilidade entre as filhas, tampouco conseguia ser amiga delas. Era aquela m\u00e3e que fazia comidinha caseira e saborosa. Com um cheiro de ervas. Tempero inconfund\u00edvel! Expressava seu amor dessa forma. Tinha depend\u00eancia e uma certa obsess\u00e3o pelo marido. Ela simplesmente o venerava. Ele, ao contr\u00e1rio, era articulado, racional e um tanto r\u00edgido. S\u00f3 conseguia falar de amor quando rabiscava algumas poesias. Criativo e inteligente. Carente. Tinha uma atitude de responder as expectativas do outro. Em casa era um homem rude. Presente nas dificuldades que envolviam a\u00e7\u00e3o. J\u00e1, nas que envolviam o cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se podia contar com ele! Cr\u00edtico demais. Menosprezava qualquer problema emocional. Achava que era &#8220;choradeira&#8221;. Profissionalmente se deu bem na \u00e1rea de constru\u00e7\u00e3o civil. Sempre foi um bom provedor. Um conquistador disfar\u00e7ado. N\u00e3o podia ver mulher. Precisava ser admirado e valorizado por elas. Marisa tinha nele um \u00eddolo. Nunca questionou qualquer aspecto\u00a0 que pudesse denegrir a imagem do pai e nem o sil\u00eancio esquisito de sua m\u00e3e. Assim que cresceu, passou inconscientemente a procurar esse mesmo modelo de homem. No col\u00e9gio, depois de alguns namoros, conheceu o &#8220;famoso&#8221; Marcos. Personalidade fascinante, segundo ela. Encontrou nele muitos tra\u00e7os de car\u00e1ter semelhantes ao de seu pai. Marisa se apaixonou perdidamente. Naquela tarde iluminada de primavera, em que o conheceu, seu cora\u00e7\u00e3o decidiu que se casaria com ele. Foi se enamorando cada vez mais pelo seu jeit\u00e3o. Queria algu\u00e9m que a completasse, assim como ele. Algo muito forte e m\u00e1gico!\u00a0 Ele por sua vez se encantou com a meiguice e calma de Marisa. N\u00e3o se desgrudavam. Namoraram por um bom tempo. Quando tinham vinte e dois anos resolveram apostar no casamento. Antes mesmo de se formarem. O in\u00edcio foi dif\u00edcil. Muito trabalho. Pouco dinheiro! A ambi\u00e7\u00e3o cega de ganhar muito, prevaleceu a tudo. Ela, em sua cl\u00ednica de ludoterapia. Ele, em fazer projetos arquitet\u00f4nicos. Muitas alegrias. Frustra\u00e7\u00f5es e reconstru\u00e7\u00f5es. Estabilidade financeira chegou ap\u00f3s sete anos de muito empenho. A sexualidade, que era como um fogo no in\u00edcio, praticada frequentemente, com muita pele e tes\u00e3o, foi esfriando sem eles se darem conta. A rela\u00e7\u00e3o emocional foi ficando em segundo plano. &#8220;Corro\u00edda pelo exagerado valor ao dinheiro e ao trabalho&#8221;.\u00a0 N\u00e3o sobrava tempo para a rela\u00e7\u00e3o. Marisa cheia afazeres dom\u00e9sticos, al\u00e9m do profissional intenso, recheado de muitos congressos, dava constantemente uma desculpa qualquer, evitando intimidade na cama. Marcos, embora cansado, de vez em quando, fazia algumas tentativas. Sem o mesmo entusiasmo do come\u00e7o. Parecia uma obriga\u00e7\u00e3o de macho! At\u00e9 que foi rareando cada vez mais. Marisa n\u00e3o esquentava a cabe\u00e7a. Achava normal. Atribu\u00eda ao cansa\u00e7o, simplesmente. S\u00f3 uma fase transit\u00f3ria! Mas, n\u00e3o foi bem assim. Numa noite, depois de sete anos de casamento, Marisa\u00a0 recebeu a liga\u00e7\u00e3o de uma mulher dizendo ser a amante de Marcos. Foi o telefonema mais amargo de sua vida. Contou hist\u00f3rias de arrepiar sobre Marcos. Tantas trai\u00e7\u00f5es e mentiras! Suas pernas bambearam. Come\u00e7ou a suar frio. Jogou-se no sof\u00e1 da sala estarrecida. N\u00e3o podia acreditar no que ouviu. N\u00e3o sabia se explodia ou implodia. Tudo aquilo era pat\u00e9tico. Fechou os olhos. Segurou o choro. Sentimentos confusos. Indigna\u00e7\u00e3o profunda. Assim, arrasada, jogada no sof\u00e1, surgiu como num filme, imagens de uma cena vivida em sua meninice. Cena bloqueada em seu peito h\u00e1 tanto tempo. Surgiu forte e clareadora. Viu o desespero de sua m\u00e3e, abafando o choro, escondida num canto escuro da cozinha. Marisa tinha ido buscar um copo de \u00e1gua antes de dormir. Sua m\u00e3e, assim que a viu, tentou se recompor. Sempre escondeu todos os seus problemas emocionais. Nunca expressou quest\u00f5es de seu casamento. Naquela noite, assim que Marisa entrou na cozinha, enxugou as l\u00e1grimas no avental, tentando disfar\u00e7ar e esbo\u00e7ando um sorriso qualquer. Para Marisa, aquela imagem da m\u00e3e, contida, como a de uma crian\u00e7a que foi punida e que n\u00e3o podia expressar a sua dor , ficou congelada em seu cora\u00e7\u00e3o. Ouviu, naquela mesma noite, seu pai dizendo que iria embora na manh\u00e3 seguinte. Que daria recursos financeiros \u00e0 fam\u00edlia. Essa mem\u00f3ria emergida, reascendeu dores reprimidas em Marisa. Medo de abandono! Entrou em contato com um buraco em seu peito. Aquele acontecimento refletira muito em seu comportamento e escolhas diante da vida. Mesmo depois de adulta, nunca se dera conta da intensidade dos estragos sofridos. Nunca mais conseguiu\u00a0 pensar nas sensa\u00e7\u00f5es daquela noite. \u00c9 como se ela tivesse apagado da mente toda aquela cena vivida. Desenvolveu uma defesa para n\u00e3o alterar a sagrada figura paterna. N\u00e3o queria saber se ele fora prom\u00edscuo ou cruel.\u00a0 Para ela, ele era o maior! S\u00f3 que na noite da revela\u00e7\u00e3o de que Marcos tinha uma amante, quando sordidamente ouviu coisas obscenas a respeito de seu marido, frases\u00a0 que nenhuma mulher equilibrada aguentaria ouvir sem enlouquecer, foi como tivesse descongelado um iceberg de dores reprimidas guardadas h\u00e1 tanto tempo. Emo\u00e7\u00f5es\u00a0 recalcadas emergiram trazendo \u00e0 tona medo de rejei\u00e7\u00e3o e abandono. Ali, ela pode como nunca entender sua m\u00e3e. Identificou-se na dor, n\u00e3o na fragilidade. Isso n\u00e3o, mesmo! Naquele momento, Marisa resolveu lutar pela sua felicidade. N\u00e3o entregaria os pontos t\u00e3o facilmente. Iria tentar resgatar o seu amor. Quando Marcos chegou em casa, o clima esquentou muito! Xingamentos, ataques, defesas! Crise! Conversas equilibradas. Pedido de perd\u00e3o! Casamento muito doente&#8230; In\u00edcio de depress\u00e3o. O casal veio buscar ajuda. Queria tentar resgatar a chama perdida ao longo do tempo. J\u00e1 est\u00e3o reconhecendo que faltou cuidado. Rela\u00e7\u00e3o \u00e9 como uma plantinha. Tem que ser cuidada todos os dias. Casar todos os dias! Tirar ervas daninhas. Formigas que podem matar a planta. Carinho. Respeito e amor. Cuidar \u00e9 preven\u00e7\u00e3o em todos os aspectos da vida.\u00a0 Remediar pode n\u00e3o curar. Como dizia minha m\u00e3e:- PREVENIR \u00c9 O MELHOR REM\u00c9DIO!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um casal, Marcos e Marisa, meus pacientes, est\u00e1 atravessando uma grande crise em seu relacionamento. Eram adolescentes quando se conheceram no col\u00e9gio em que estudavam. Mesma idade. Sonhos profissionais opostos. Ele queria ser engenheiro. 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