{"id":1547,"date":"2020-06-02T02:00:58","date_gmt":"2020-06-02T05:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1547"},"modified":"2020-06-02T18:32:12","modified_gmt":"2020-06-02T21:32:12","slug":"beijo-de-cravo-e-canela-sabores-e-sentidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/06\/02\/beijo-de-cravo-e-canela-sabores-e-sentidos\/","title":{"rendered":"BEIJO DE CRAVO E CANELA! ( SABORES E SENTIDOS)."},"content":{"rendered":"<p>Tive bons amores. V\u00e1rios tipos. De v\u00e1rias maneiras. Amores de paz. Amores infernais. Amores doces. Amores amargos. Amores plat\u00f4nicos. At\u00e9 que encontrei Bernardo! Pra mim significava\u00a0 a soma de todos eles. Ent\u00e3o o escolhi! N\u00e3o foi pelo seu olhar misterioso. Tampouco pela voz envolvente. Nem pela m\u00e3os impressionantemente fortes. Elas falavam em seus gestos. Transmitiam tanta seguran\u00e7a! Engra\u00e7ado, \u00e9 como se elas mobilizassem os meus sentidos. Tinham uma energia \u00fanica! Tamb\u00e9m n\u00e3o foi por causa delas que eu o escolhi. Nem pela sexualidade sempre fervente que me levava \u00e0s nuvens. Nem seus ardentes beijos cheios de desejo. N\u00e3o, n\u00e3o foi! O que me prendeu e enfeiti\u00e7ou e fez com que eu o eternizasse dentro de mim, foi a estrutura de ser humano que imaginei que ele fosse. Cada encontro, uma descoberta. Cada descoberta era como se fosse uma pe\u00e7a a mais para completar o quebra cabe\u00e7a em meu cora\u00e7\u00e3o. &#8220;O homem ideal&#8221;! Parece loucura mas tinha uma certa l\u00f3gica. Depois de ter sofrido decep\u00e7\u00f5es, achei ser essa uma forma de n\u00e3o errar em uma nova escolha. Bernardo era a s\u00edntese dos meus anseios. Um ser humano equilibrado: raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o. Cora\u00e7\u00e3o quente. Pensamentos organizados. Simpatia contagiante. Sabia colocar nas palavras a emo\u00e7\u00e3o correspondente. Uma del\u00edcia de papo. Nosso primeiro encontro foi inesquec\u00edvel para mim. Aconteceu na pra\u00e7a da igreja de onde eu morava. Lembro, era uma noite de lua cheia. A\u00a0 claridade da lua enfeitava toda a pra\u00e7a. Eu e ele sentados num banco bem embaixo de um\u00a0 p\u00e9 de ip\u00ea. O luar estava t\u00e3o intenso que dava pra ver as flores do ip\u00ea dourado, reluzindo\u00a0 como se fosse um dia de sol. Foi ali que aconteceu o nosso primeiro beijo. Gosto de canela e cravo. Quanta saudade daquela noite! Naquele momento, misturados aos sentidos, os aromas do delicioso doce de ab\u00f3bora de minha av\u00f3. Ela fazia sempre que eu\u00a0 ia em sua casa, quando crian\u00e7a. Adorava aquele gostinho de cravo e canela que ela colocava nos doces e compotas de frutas. Ao sentir o beijo, me arrepiei toda. Prazeres misturados. Sensa\u00e7\u00f5es deliciosas e muito tes\u00e3o! Mexeu com minhas entranhas. De todos os beijos que experimentei, aquele foi o mais marcante. Inesquec\u00edvel! Suas m\u00e3os e o seu beijo me colocaram no cativeiro da paix\u00e3o. Mesmo assim, escravizada, eu n\u00e3o\u00a0 teria escolhido Bernardo se ele n\u00e3o tivesse preenchido a imagem do quebra cabe\u00e7a do homem ideal. Mas as pe\u00e7as se encaixaram. Uma a uma. Ficou perfeito. Em meu cora\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia acabado o encaixe. &#8220;Bernardo&#8221;! N\u00e3o demorou muito fomos morar bem no p\u00e9 da serra. Casa gostosa e simples. Muita natureza e vida. Esquilos apareciam por l\u00e1. Gatos e cachorros numa irmandade ex\u00f3tica, brincando pelo quintal, junto com galinhas cacarejando por toda parte. P\u00e1ssaros de toda esp\u00e9cie, com seus cantos, nos acordavam todas as manh\u00e3s, sinalizando o nascer do dia. A gente s\u00f3 saia de l\u00e1 para dar aulas no col\u00e9gio, num bairro pr\u00f3ximo. Fins de semana eram o momento de receber amigos especiais com comidinha caseira. Fog\u00e3o \u00e0 lenha.\u00a0 Minha \u00fanica diverg\u00eancia com Bernardo, era na escolha do prato. Sou vegetariana. Ele n\u00e3o. A gente sempre acabava num bom consenso. N\u00e3o tivemos filhos, por escolha. Talvez um dia, quem sabe! Se n\u00e3o desse pra\u00a0 ter um filho da barriga, tudo bem. Adotaria! Afinal, tantas crian\u00e7as precisam de um lar. Amor n\u00e3o ia faltar! Assim a vida transcorreu por sete anos. Os beijos variando em muitos sabores diferentes. Incr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de estar viva. Afrodis\u00edacos! Mas, n\u00e3o sei bem o que houve, depois de um certo tempo, os beijos foram se rareando e ficando sem sabor. Fui me assustando. Era ele ou eu? As conversas ficando cansativas. Cinza! Faltava tes\u00e3o pra continuar. O para\u00edso no meio do mato foi se entristecendo. At\u00e9 ent\u00e3o eu nunca tinha pensado em viver de outra forma.\u00a0 Aquele tinha sido o mapa tra\u00e7ado pelo meu cora\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o me dera conta da lenta intoxica\u00e7\u00e3o emocional que foi tomando conta de nossa rela\u00e7\u00e3o? Bernardo ficava sempre na dele. Evitava discuss\u00e3o. Pra ele tudo estava bom. E agora? Ficamos meio perdidos. Eu n\u00e3o conseguia viver sem sabor. A vida muitas vezes faz conspira\u00e7\u00f5es para mobilizar sentimentos adoecidos. Num feriado da independ\u00eancia tive que levar meus alunos no desfile oficial da escola. Eu iria sozinha. Naquele dia, antes de sair de casa, beijei muito as minhas cinco cachorrinhas. Elas me passavam uma energia incr\u00edvel. Na verdade eu as chamava de filhas. Com elas os sabores n\u00e3o mudaram! Dei um tchau chocho para o Bernardo e fui ao encontro, com os meus alunos. Era um dia quente e nublado. Eu rezando pra n\u00e3o chover. L\u00e1 no desfile apareceu um rapaz alto. Boa apar\u00eancia. N\u00e3o tirava o olho de mim. H\u00e1 tanto tempo eu n\u00e3o prestava aten\u00e7\u00e3o pra isso! J\u00e1 tinha at\u00e9 esquecido dessa sensa\u00e7\u00e3o. Aquela situa\u00e7\u00e3o me deixou constrangida. Envaidecida e sem jeito. Afinal, eu era uma mulher casada. N\u00e3o tinha perfil de infiel. Sempre me preocupei com a minha reputa\u00e7\u00e3o. Nunca gostei de galinhagem. Acho que por estar carente e confusa emocionalmente, de algum jeito, eu alimentei aquela sedu\u00e7\u00e3o. Olhar insistente, o rapaz se aproximou. Num segundo, faiscou meu cora\u00e7\u00e3o. Me senti adolescente novamente. Cheia de vida e com uma certa culpa apertando o peito. Mesmo assim, voltei pra casa feliz! Me sentindo bonita. Atraente. At\u00e9 minhas cachorrinhas me estranharam. Os horm\u00f4nios nos traem! N\u00e3o sei como aquele rapaz sedutor\u00a0 conseguiu o meu telefone. Foi ficando t\u00e3o forte. N\u00e3o resisti aos ass\u00e9dios. Cedi. Resolvi me aproximar\u00a0 do Francisco. Aquela imagem de um homem carente e charmoso, n\u00e3o saiam de minha cabe\u00e7a. Mexeu em minhas car\u00eancias. Fiquei com ideia fixa no seu olhar. Me estranhei! Disfar\u00e7ar de Bernardo foi ficando dif\u00edcil. Acho que, por me sentir diferente, ele come\u00e7ou a se preocupar com a gente. Buscava me agradar nos detalhes. Comeu at\u00e9 comida vegetariana! Fiquei extremamente dividida. Fui perdendo a refer\u00eancia interna de meus sentimentos. Confus\u00e3o e muita dor. Olhava Bernardo e sentia amor. Tes\u00e3o, n\u00e3o! Olhava para o Francisco, sentia tes\u00e3o. Amor n\u00e3o. Apenas preenchia as fantasias de uma mulher carente. Ele insistindo na sedu\u00e7\u00e3o. Mostrando sempre o seu melhor lado. Idealizando a vida dele comigo. Era t\u00e3o exagerado quanto o antigo Bernardo. Isso me envaidecia o ego. Tamb\u00e9m me assustava. Fiquei assim por alguns meses. Driblando os meus dois homens! At\u00e9 me sentia poderosa. N\u00e3o montei um quebra cabe\u00e7as para o Francisco. Apenas ficou no plat\u00f4nico. Embora eu sentisse vontade de experimentar o novo, resisti. Era contra os meus princ\u00edpios. Sou a chamada &#8220;certinha&#8221;! Heran\u00e7a de m\u00e3e! Comecei a somatizar toda aquela ang\u00fastia. Usei o racional e resolvi\u00a0 sair daquela droga em que me meti. Organizar a minha vida. Me sentia empobrecida emocionalmente. Entre dois amores. Sem nenhum de verdade. N\u00e3o queria dessa forma. Busquei uma psicoterapia decente. Um profissional experiente. Descobri que estava na crise dos sete anos. Casamentos podem ser assim! Entendi que corria s\u00e9rios riscos de perder constru\u00e7\u00f5es insubstitu\u00edveis. Perder a luz que eu j\u00e1 conhecia. Entrar no escuro do desconhecido e caminhar at\u00e9 o mesmo ponto em que estava agora. Amores se constroem ao longo do tempo. Tempos ruins fazem parte da trajet\u00f3ria. Um bom marinheiro, em tempestades, &#8220;leva o barco devagar&#8221;. Compreendi que estava fugindo de mim mesma.\u00a0 Fiz uma retrospectiva para encontrar o in\u00edcio da crise. Aprendi abrir o peito. Respirar. Sentir e expressar. Senti que entre eu e o Bernardo n\u00e3o cabia mais ningu\u00e9m. S\u00f3 muito amor! N\u00f3s \u00e9ramos o suficiente um para o outro. Nenhum desconhecido preencheria, saudavelmente, esse espa\u00e7o em minha rela\u00e7\u00e3o com Bernardo. Eu teria que me encarar. Tinha um grande amor em jogo. Hoje sei que carente atrai carentes! A neurose se fixa nesse ponto e torna a pessoa imatura e sem bases s\u00f3lidas na realidade. Os afetos e carinhos adormecidos durante esse per\u00edodo de crise est\u00e3o sendo acordados. Assumi meus descuidos.\u00a0 Bernardo os dele. Est\u00e1 sendo maravilhoso sentir novamente o sabor de cravo e canela. Francisco? Sou grata a ele. Possibilitou que eu reconhecesse a diferen\u00e7a entre o amor verdadeiro e a fantasia er\u00f3tica. &#8220;QUASE ENTREI NUMA GELADA&#8221;!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tive bons amores. V\u00e1rios tipos. De v\u00e1rias maneiras. Amores de paz. Amores infernais. Amores doces. 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