{"id":1556,"date":"2020-06-08T23:51:23","date_gmt":"2020-06-09T02:51:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1556"},"modified":"2020-06-09T20:24:13","modified_gmt":"2020-06-09T23:24:13","slug":"filme-de-terror-mobilizacao-do-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/06\/08\/filme-de-terror-mobilizacao-do-medo\/","title":{"rendered":"FILME DE TERROR! ( MOBILIZA\u00c7\u00c3O DO MEDO)."},"content":{"rendered":"<p>Porque ser\u00e1 que apesar de ter medo, quase toda crian\u00e7a adora filmes de terror? \u00c9 curiosa essa posi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica no comportamento infantil.\u00a0 No seu aparato ps\u00edquico h\u00e1 um intenso conte\u00fado de emo\u00e7\u00f5es e fantasias, pertinentes \u00e0 pr\u00f3pria fase. &#8221; Medo e fantasia do medo&#8221;! Esses aspectos, se estimulados em grau elevado, podem deixar a crian\u00e7a num estado vulner\u00e1vel e fr\u00e1gil diante de seu momento de vida, aumentando ainda mais suas fantasias de medo. Crian\u00e7a tem tamb\u00e9m uma certa atra\u00e7\u00e3o pelo medo. Nessas viv\u00eancias, ela alimenta a sua curiosidade e descarrega tens\u00f5es. Num grau apropriado \u00e0 sua faixa et\u00e1ria pode funcionar como uma v\u00e1lvula de escape de uma gama de energias contidas em seu mundo intra-ps\u00edquico. Crian\u00e7as at\u00e9 uma certa idade est\u00e3o num est\u00e1gio muito concreto diante dos fatos. N\u00e3o tem no\u00e7\u00f5es amadurecidas sobre tempo e espa\u00e7o. Sua capacidade de elabora\u00e7\u00e3o ps\u00edquica fica muito no aqui e agora. H\u00e1 duas semanas chegou em minha cl\u00ednica uma mulher chamada Beatriz. Veio falar de seu filho Marcel, de nove anos de idade. Precisava de ajuda! Em seu relato dizia que teve uma enorme preocupa\u00e7\u00e3o em ser uma boa m\u00e3e e que isso refletisse saudavelmente na forma\u00e7\u00e3o de seu filho. Se auto- cobrava muito. Segundo ela, aparentemente, tudo sempre esteve perfeito. Marcel tinha uma boa sa\u00fade. Amiguinhos na escola. Uma crian\u00e7a normal. De uns tempos para c\u00e1 ele come\u00e7ou a manifestar um\u00a0 \u00a0comportamento diferente. Ficou mais introvertido e revelando certa ansiedade. H\u00e1 duas semanas, bem no meio da madrugada ela ouviu um grito repentino. Muito assustada correu at\u00e9 o seu quarto de Marcel. Ele estava com uma express\u00e3o de pavor, suando frio e paralisado. Aquele quadro desestabilizou Beatriz. Abra\u00e7ou o filho, bem apertado, e assim ficaram por longos minutos. Depois de um tempo abra\u00e7ados, tudo voltou ao normal. Adormeceram agarradinhos! No dia seguinte, aparentemente tudo estava bem. S\u00f3 que daquela\u00a0 noite em diante, esse quadro foi se repetindo quase todas as noites. Ele sempre se acalmando com a presen\u00e7a da m\u00e3e\u00a0 e com seus beijos. Sua\u00a0 preocupa\u00e7\u00e3o aumentou na noite que antecedeu a sua vinda ao meu consult\u00f3rio. Naquela madrugada Marcel teve um agravamento desses sintomas. Uma crise intensa e mais prolongada. Diante disso, ela, assustada, veio buscar orienta\u00e7\u00e3o. Percebeu ele mais calado durante a \u00faltima semana, mas n\u00e3o relacionou com as crises. Quando ela perguntava se estava bem, ele sempre respondia que sim. Beatriz tinha dificuldades de aceitar que houvesse problemas com o filho. Segundo ela, isso come\u00e7ou do nada. Estava tentando buscar o motivo pelo qual o seu menino n\u00e3o estava bem. Ela estava visivelmente alterada e falando muito r\u00e1pido. Comecei a investigar primeiramente sobre o clima emocional dentro de casa. Como andava o relacionamento dela com o marido. Do pai com o menino. Na escola. Esses s\u00e3o aspectos muito importantes para a sa\u00fade psicol\u00f3gica da crian\u00e7a. Nesse momento ela me respondeu que o casal vivia como se fosse uma &#8221; lua de mel&#8221;.\u00a0 Que tinham optado em ter s\u00f3 um filho pra sobrar mais tempo para ela e o marido namorarem muito! Como m\u00e3e, sempre fez de tudo para que seu filho crescesse saud\u00e1vel e feliz. Sacrificou-se! Muitas vezes comprou presentes caros, comprometendo o or\u00e7amento do m\u00eas. Fazia quest\u00e3o de mim\u00e1-lo e satisfazer at\u00e9 o seu menor desejo. Na escola, que ela soubesse, estava tudo bem. N\u00e3o podia se sentir culpada! Estava inconformada. Na verdade estava sentindo que falhou como m\u00e3e. Esse aspecto estava vindo como prioridade em seu depoimento. &#8220;Como o seu filho t\u00e3o bem cuidado tinha ficado doente?&#8221;. No transcorrer do nosso papo indaguei-lhe sobre o dia-a-dia de Marcel. Seus gostos e h\u00e1bitos. Alimenta\u00e7\u00e3o. Atividades f\u00edsicas. Hora de dormir. Brincadeiras. Tudo sobre sua rotina. Ela expressou uma certa interroga\u00e7\u00e3o no olhar, como se eu tivesse duvidando de sua capacidade de educar. Relatou que selecionava com cuidado as refei\u00e7\u00f5es para n\u00e3o serem cal\u00f3ricas demais. N\u00e3o entedia porque ele estava meio gordinho! N\u00e3o podia ser o chocolate &#8220;pequeno&#8221; que ele comia ap\u00f3s as refei\u00e7\u00f5es. Mantinha sempre um mesmo hor\u00e1rio em tudo. Tarefa escolar pronta? Momento de brincar. Da\u00ed valia a escolha de Marcel. Atividades f\u00edsicas, s\u00f3 na escola. Todos os dias, nos momentos de brincar, ele queria mesmo os joguinhos eletr\u00f4nicos. De prefer\u00eancia com muita a\u00e7\u00e3o. Violentos! Invariavelmente ela permitia. Disse que sentia o maior prazer ao ver a &#8220;felicidade&#8221; dele sempre que conseguia destruir o inimigo. Continuando com o seu relato,\u00a0 num tom de orgulho, falou que seu homenzinho amava filmes de terror, tamb\u00e9m! Eles assistiam juntos quase todas as noites. Sempre o filme escolhido por Marcel. Normalmente ap\u00f3s o jantar. J\u00e1 tinha virado um v\u00edcio! Ela fazia quest\u00e3o de assistir com ele. Achava a maior gra\u00e7a quando. em algumas das cenas de medo. ele fechava os olhos e se agarrava nela. Adorava acolhe-lo nesses momentos. &#8220;Parecia um beb\u00ea&#8221;! Esse era o momento mais c\u00famplice deles. Miguel, seu marido, trabalhava at\u00e9 tarde. Marcel esperava o pai chegar em casa. Invariavelmente, assim que ele\u00a0 chegava, dava um beijo r\u00e1pido no filho e ela e o marido colocava o filho pra dormir. Perfeito, segundo ela! Depois disso, tempo para os pombinhos. &#8220;Beatriz em sua fala, expressava\u00a0 uma preocupa\u00e7\u00e3o anormal em nunca frustrar o filho e nem o marido&#8221;. N\u00e3o aguentava v\u00ea-los tristes ou aborrecidos! Assim que Marcel adormecia ela estava dispon\u00edvel totalmente para o marido. Iam direto para a cama. Mesmo ela n\u00e3o gostando de fazer sexo antes do jantar. &#8220;Era obriga\u00e7\u00e3o dela como mulher!&#8221; Vivia pra satisfazer seus dois homens! Num certo momento, interrompi o nosso papo. Percebendo sua fala e respira\u00e7\u00e3o muito aceleradas e tensas, propus respirarmos juntas.\u00a0 Numa posi\u00e7\u00e3o de eixo, sentadas com a coluna ereta, apoiadas no c\u00f3ccix, &#8220;inspiramos e expiramos&#8221;! Ritmo pausado. Assim ficamos por alguns minutos. Foi salutar! Seu rosto mudou de express\u00e3o e se encheu de energia. Depois disso ela conseguiu me escutar e coordenar melhor as id\u00e9ias. Retomamos. Terminando o seu relato, expressou uma expectativa muito grande em me ouvir. Expliquei-lhe como joguinhos\u00a0 eletr\u00f4nicos em excesso podem ser nocivos ao sistema cerebral e emocional. Estimulam pontos importantes e inconscientes. Disse que, na idade de Marcel, h\u00e1 uma gama incr\u00edvel de fantasias sobre o medo e do pr\u00f3prio medo.\u00a0 Expliquei que a rela\u00e7\u00e3o entre a excita\u00e7\u00e3o que os joguinhos provocam e os filmes de terror, vistos continuamente, podem gerar uma super dose de est\u00edmulos psicoemocionais, numa crian\u00e7a na idade do filho dela. Essa poderia ser uma das causas do quadro emocional que ele estava apresentando. Cenas cont\u00ednuas de disputas, de agressividade e do\u00a0 est\u00edmulo do medo podem mobilizar emo\u00e7\u00f5es contidas e fantasias intensas. Nessa fase h\u00e1 dificuldades de processamento bio-ps\u00edquico dos sentimentos. Podem surgir desorganiza\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica resultando nos diversos quadros de ansiedade, em seus v\u00e1rios n\u00edveis. &#8220;A crian\u00e7a absorve o medo e n\u00e3o o processa adequadamente&#8221;! Isso vai melhorando de acordo com o amadurecimento do sistema ps\u00edquico. Absorve as sensa\u00e7\u00f5es e quando muito intensas, n\u00e3o consegue processar de acordo com a realidade, mobilizando emo\u00e7\u00f5es e compensando com fantasias internas. Claro, a ansiedade pode estar tamb\u00e9m relacionada a outras experiencias vividas. Sugeri\u00a0 mudan\u00e7as b\u00e1sicas no padr\u00e3o de divers\u00e3o de seu filho. Substituir por brincadeiras criativas e esportes ao ar livre. Preservar muito o contato do amor! Amor de contato quente e firme. Super prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 amor! Se ainda assim n\u00e3o houvesse melhoras num curto prazo, tinha um caminho muito salutar: ludoterapia. Atrav\u00e9s de jogos e desenhos a crian\u00e7a se expressa melhor! Consegue trazer \u00e0 luz situa\u00e7\u00f5es emocionais que n\u00e3o conseguiria verbalizar. De repente, Beatriz me interrompeu. Esbo\u00e7ando um sorriso meio amargo expressou baixinho: &#8211; Acho que n\u00e3o fui boa m\u00e3e! Repetiu v\u00e1rias vezes a mesma frase. Em seguida, continuando, disse que sempre se cobrou muito na educa\u00e7\u00e3o de Marcel. N\u00e3o estava aguentando a ang\u00fastia em perceber que tinha errado. Tinha apostado que satisfazendo todos os desejos de seu filho e evitando frustra\u00e7\u00f5es, estaria fortalecendo o seu psicol\u00f3gico. Nunca tinha se questionado sobre se joguinhos e cenas de filmes de terror poderiam desequilibrar o emocional de seu filho. Na verdade, ela estava profundamente frustrada. Se auto cobrava muito. Enquanto se colocava, veio abruptamente um choro contido por solu\u00e7os que me diziam de sentimentos presos em seu peito. Entendi que n\u00e3o era s\u00f3 a sua auto-cobran\u00e7a como m\u00e3e, mas, principalmente a rigidez com que encarava essa fun\u00e7\u00e3o. Rigidez com que encarava a vida! Percebi outras frustra\u00e7\u00f5es que n\u00e3o poderiam ser tocadas naquele momento. O quadro de terror noturno de seu filho estava sendo a ponta do iceberg, mexendo em sua auto-imagem e estrutura emocional. Me aproximei, coloquei as minhas m\u00e3os entre as dela e olhando bem no fundo de seus olhos convidei-a:- M\u00c3E, QUER CONHECER BEATRIZ?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porque ser\u00e1 que apesar de ter medo, quase toda crian\u00e7a adora filmes de terror? \u00c9 curiosa essa posi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica no comportamento infantil.\u00a0 No seu aparato ps\u00edquico h\u00e1 um intenso conte\u00fado de emo\u00e7\u00f5es e fantasias, pertinentes \u00e0 pr\u00f3pria fase. &#8221; Medo e fantasia do medo&#8221;! Esses aspectos, se estimulados em grau elevado, podem deixar a crian\u00e7a &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/06\/08\/filme-de-terror-mobilizacao-do-medo\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;FILME DE TERROR! ( MOBILIZA\u00c7\u00c3O DO MEDO).&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1556"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1556"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1556\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1564,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1556\/revisions\/1564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}