{"id":1629,"date":"2020-07-28T21:19:35","date_gmt":"2020-07-29T00:19:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1629"},"modified":"2020-07-29T23:03:29","modified_gmt":"2020-07-30T02:03:29","slug":"o-jardineiro-louco-perda-da-razao-rascunho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/07\/28\/o-jardineiro-louco-perda-da-razao-rascunho\/","title":{"rendered":"O JARDINEIRO LOUCO! ( REEQUIL\u00cdBRIO DA RAZ\u00c3O)."},"content":{"rendered":"<p>Antonio \u00e9 um homem de quarenta e dois anos de idade. Pode-se dizer que viveu apenas trinta e sete. Foi ai que enlouqueceu. Diziam que enlouqueceu por Amor! Homem extremamente sens\u00edvel. Inteligente. Nasceu numa fam\u00edlia simples e muito amorosa. Nunca faltou contato afetivo que nutrisse sua sensibilidade e sonhos, a n\u00e3o ser no per\u00edodo em que esteve internado na creche, quando muito crian\u00e7a. Sua hist\u00f3ria: Z\u00e9 Dami\u00e3o, seu pai, jardineiro simples, nascido na ro\u00e7a. Por l\u00e1 ficou\u00a0 at\u00e9 o nascimento de Antonio quando decidiu morar na cidade grande. Tentar subir na vida. Ouviu dizer que na cidade seu sal\u00e1rio triplicaria. Arriscaria trabalhar em jardinagem nos condom\u00ednios de luxo. Era um homem ignorante, mas muito, muito esperto! Tanto que aprendeu sozinho a criar lindos jardins. Casado com Maria das Gra\u00e7as, mulher semi analfabeta, por\u00e9m de muita iniciativa. Desconhecia o que era pregui\u00e7a.Tinha atitude diante da vida. Combinara com o marido que iria \u00e0 cidade grande buscar emprego em casa de madame. Cozinheira de m\u00e3o cheia, seria f\u00e1cil arranjar uma coloca\u00e7\u00e3o. Partiram cheios de sonhos e expectativas e um lindo beb\u00ea para criar. L\u00e1 as coisas n\u00e3o foram t\u00e3o f\u00e1ceis quanto pensaram. O sal\u00e1rio era bem melhor mesmo. Quanto mais somado ao sal\u00e1rio de Maria das Gra\u00e7as. Dava pra viver bem e ter novas expectativas. S\u00f3 que o custo de vida era bem mais alto que o da ro\u00e7a. Batalharam juntos. Com dor no cora\u00e7\u00e3o, Maria deixava Antonio o dia todo na creche. Sentia que crian\u00e7a pequena precisava era de m\u00e3e mesmo. Escola s\u00f3 na idade certa. N\u00e3o quando se \u00e9 um bebezinho. Mas ela n\u00e3o tinha sa\u00edda. S\u00f3 assim conseguiriam trabalhar. Tiveram muitos tombos. Muitas levantadas. L\u00e1, perceberam a enorme dist\u00e2ncia entre os sonhos e a realidade! Apesar de tudo, n\u00e3o desistiram da luta. Por um bom tempo, tiveram que se acomodar em lugares extremamente simples, com piores condi\u00e7\u00f5es das que haviam na ro\u00e7a. Mas sempre que o des\u00e2nimo se aproximava eles pensavam que parte do sonho j\u00e1 tinha se realizado. Estavam na cidade grande! Isso j\u00e1 era bom demais. Estavam mais pr\u00f3ximos de poder educar e formar o Antonio. Seria um doutor. J\u00e1 tinham decidido. Daria muito orgulho ainda pra eles! Antonio foi um menino retra\u00eddo e t\u00edmido. Tinha um comportamento introspectivo e meio calado, mas muito criativo. Conseguia ir bem nos estudos. Tinha uma certa dificuldade de se socializar. Com\u00a0 sacrif\u00edcio e muita economia, seus pais conseguiram que seu menino fizesse o curso superior. Antonio correspondeu em parte \u00e0s expectativas da fam\u00edlia. N\u00e3o fez medicina como os pais queriam. Sem chances! N\u00e3o tinha voca\u00e7\u00e3o. Nem tentou. Era um jovem sens\u00edvel. Exageradamente sens\u00edvel. N\u00e3o gostava de ver sangue. Fragilizava f\u00e1cil. Quase desmaiava. Imagine se fosse fazer medicina! N\u00e3o quis de jeito nenhum. Formou-se em agronomia. Assim como o pai, gostava de plantas e de lidar com a terra. Logo que se formou, foi trabalhar numa\u00a0 empresa m\u00e9dia que vendia plantas, paisagismo e neg\u00f3cios correlatos. Depois de um tempo seu patr\u00e3o ficou encantado com o sua\u00a0 criatividade e \u00f3timo desempenho. N\u00e3o demorou muito foi nomeado gerente, com participa\u00e7\u00e3o nos lucros da loja. Seus pais ficaram radiantes em ver o filho bem sucedido e ganhando um bom dinheiro. Sonho realizado! Suficiente para\u00a0 eles n\u00e3o precisarem mais trabalhar. Resolveram\u00a0 voltar para o interior. Antonio continuou na cidade grande trabalhando muito. Ficou conhecido como &#8220;Antonio das flores&#8221;! Falante e comunicativo em seu emprego. L\u00e1 ele se soltava. Adorava contar aos clientes aspectos cient\u00edficos de cada esp\u00e9cie de planta ou flor quando surgisse interesse pelo assunto. Parecia que estava dando uma aula. Algumas vezes at\u00e9 se tornava um chato. Ficava t\u00e3o empolgado que n\u00e3o parava de falar. N\u00e3o se tocava! Sentia-se envaidecido quando se dava conta de seu desenvolvimento profissional e do reconhecimento das pessoas. Refor\u00e7ava a sua auto-imagem. Os ventos estavam soprando a favor. Seu padr\u00e3o prop\u00f4s sociedade em troca do trabalho excelente que ele realizava na empresa. Antonio entraria com a responsabilidade de administrar a loja sozinho gerenciando tamb\u00e9m os quarenta funcion\u00e1rios que l\u00e1 trabalhavam.\u00a0 O patr\u00e3o\u00a0 com setenta e dois anos de idade, se afastaria. Estava cansado. Queria aproveitar essa fase da vida de uma nova forma. Talvez viajar e conhecer muitos lugares. N\u00e3o ter hor\u00e1rios r\u00edgidos. Antonio topou. Foi transformado num empres\u00e1rio,\u00a0 com apenas vinte e oito anos de idade. Metade da empresa &#8220;Natureza Viva&#8221;! Sonho realizado! A loja tinha um grande movimento. Nesse contexto emocional sua auto-estima ficou l\u00e1 em cima. Identidade refor\u00e7ada. N\u00e3o era um homem bonito. Charmoso sim! At\u00e9 demais. Um misto de simplicidade e autenticidade que lembrava a transpar\u00eancia de uma crian\u00e7a. Cabelos castanhos e lisos com uma mecha insistindo em cair sobre o olho esquerdo. Olhar profundo, um tanto ca\u00eddo e de uma tristeza sutil. Talvez marcas do per\u00edodo da inf\u00e2ncia passada dentro de uma creche em per\u00edodo integral. Esse tra\u00e7o de tristeza era uma das marcas de seu charme. Quando seus pais voltaram para o interior, se viu sozinho na cidade grande. Antonio foi morar num apartamento pequeno mas muito confort\u00e1vel. Ficava bem pr\u00f3ximo do seu emprego. Assim iria a p\u00e9 para o trabalho. Nunca quis tirar carta de motorista. Combinou que iria visitar os pais uma vez por m\u00eas. Nesse meio tempo se apaixonou perdidamente por uma cliente da loja. Laura! Mo\u00e7a bonita e sensual. Extremamente extrovertida. Um tanto leviana e\u00a0 mal falada nas redondezas. Gostava de atrair homens carentes. Tirava seus proveitos e os abandonava sem nenhum arrependimento. Era considerada uma mulher fatal, na linguagem popular. Coitado de quem ca\u00edsse em suas garras! Ant\u00f4nio carente e meio ing\u00eanuo, caiu como um pato. Pobrezinho. Laura, esperta como ela s\u00f3, n\u00e3o perdeu tempo. Jogou muito charme e conversa em cima de Antonio. O homem pirou. Perdeu o ch\u00e3o. Desatinos atr\u00e1s de desatinos. Ela brincava com a fragilidade emocional dele. Saia com ele e com outros. N\u00e3o tinha escr\u00fapulos. Esse era o seu padr\u00e3o de comportamento. Laura tinha tamb\u00e9m outros tra\u00e7os de car\u00e1ter. Gostava de cuidar! Sabia ser carinhosa. Al\u00e9m disso, sabia fazer pratos deliciosos, assim como a m\u00e3e Antonio. Isso para ele era o m\u00e1ximo. Cada dia mais fascinado. Ficou uma coisa doentia. Obsessiva. Laura sabia alimentar isso nele.\u00a0 Por outro lado o imprevisto aconteceu. Laura se surpreendeu apaixonada, tamb\u00e9m, pelo jeito simples e cristalino de Antonio. Era aut\u00eantico como uma crian\u00e7a. Laura dizia que ele era o menino dela. Felizes da vida\u00a0 resolveram morar juntos. Seria uma experi\u00eancia. Se desse certo, maravilha! Laura conseguiu ser parcialmente fiel por quase nove anos. Nesse tempo resolveu estudar culin\u00e1ria para aperfei\u00e7oar seus dons. Queria trabalhar na \u00e1rea e ganhar o seu dinheiro. Considerando o car\u00e1ter da mo\u00e7a, parece que tinha amadurecido durante o tempo que moraram juntos. Antonio respirava Laura! Ele se transformou num fantoche em suas m\u00e3os. Antonio nem lembrava de visitar os pais l\u00e1 no interior; n\u00e3o queria desgrudar de seu amor. Ela muito voluntariosa. Antonio morria de medo de perd\u00ea-la. Fazia tudo que Laura queria. Parecia um rob\u00f4! Se despersonalizou totalmente. Sentia-se feliz em viver daquele jeito com ela. S\u00f3 que essa depend\u00eancia de Antonio enfraqueceu ainda mais a rala\u00e7\u00e3o entre eles. Laura paulatinamente foi perdendo o interesse por ele. Come\u00e7ou a detestar seus exageros com ela. Evitava os seus carinhos, sempre com uma boa desculpa. Se para Antonio naquela altura do relacionamento tudo estava perfeito, para Laura foi ficando insuport\u00e1vel! Ela come\u00e7ou a sair sozinha nos fins de semana, dando sempre uma desculpa mentirosa. Estava no auge de seus trinta anos hormonais. Queria muito mais da vida! J\u00e1 n\u00e3o sentia mais nada por Antonio. Nem gratid\u00e3o pelos anos que conviveram e tudo que ele fez por ela.\u00a0 Queria novos ares\u00a0 para oxigenar o cora\u00e7\u00e3o. Partiu! Silenciosamente. Apenas uma mensagem de voz implorando para ele nunca procur\u00e1-la. Um adeus frio e calculista. Sem a menor marca de carinho. Foi o pior fim de semana na vida de Antonio. Restou somente o perfume dela no len\u00e7ol da cama! Antonio desnorteou-se. Pensou que fosse uma brincadeira malvada. Depois foi caindo a ficha. N\u00e3o conseguia aceitar o abandono. N\u00e3o conseguia admitir que se enganara tanto. Come\u00e7ou a entrar em diferentes estados emocionais. Desde a nega\u00e7\u00e3o at\u00e9 a depress\u00e3o. Com o passar dos dias alternava ciclos de compuls\u00e3o e obsess\u00e3o. Sozinho e sem amigos, estava perdendo a vontade de viver. Quem o conhecia comentava n\u00e3o ser poss\u00edvel uma mulher fazer esse estrago na vida de um homem. S\u00f3 se ele estivesse doente! Antonio n\u00e3o queria se alimentar. Come\u00e7ou a se embriagar. Se negava a tomar rem\u00e9dios. Afastou-se do trabalho por absoluta falta de condi\u00e7\u00f5es. O psiquiatra diagnosticou um quadro de confus\u00e3o mental alternado com mania e depress\u00e3o. Indicou afastamento do trabalho temporariamente at\u00e9 melhorar seu estado de sa\u00fade. Antonio, fragilizado, voltou para o interior para a casa dos pais. L\u00e1 teria acolhimento emocional. O doutor lhe disse que o quadro mental desencadeado por aquele stress era uma tend\u00eancia heredit\u00e1ria. Tinha nascido com ele. Fazia parte de sua estrutura ps\u00edquica, por isso precisava de tratamento. Seu av\u00f4 paterno tivera um quadro mental semelhante, por outros motivos. Antonio nunca mais viu Laura. Embora de in\u00edcio tivesse feito de tudo pra encontr\u00e1-la. Soube-se que ela estava com outro algu\u00e9m. Foi morar longe dali. Antonio entrou na fase da NEGA\u00c7\u00c3O da realidade. Esperava que ela de repente voltasse ou ligasse. Assim passava os dias alienado, l\u00e1 no interior. N\u00e3o estava bem mesmo. Comportamento estranho. Express\u00e3o muitas vezes n\u00e3o coerente com a realidade. Seus pais preocupados e cuidando do \u00fanico filho. Para preencher o tempo Antonio come\u00e7ou a trabalhar com jardins e flores l\u00e1 no interior. Passados quase cinco anos nessa condi\u00e7\u00e3o mental, algo de novo aconteceu. Come\u00e7ou a pintar. N\u00e3o queria mais voltar pra cidade. L\u00e1 a vida d\u00e1 medo! A perturba\u00e7\u00e3o mental se acalmava com as flores ou com as telas. Sua empresa na cidade foi vendida e seus pais investiram o dinheiro para sobreviverem bem. Hoje, depois de quase cinco anos, Antonio anda fazendo lindos quadros com temas floridos e passionais. Encontrou na arte a forma de expressar sentimentos bloqueados dentro de si. Fez uma exposi\u00e7\u00e3o de quadros no \u00faltimo fim de semana que atraiu muitos turistas. O tema girava em torno de uma fatal hist\u00f3ria de amor. O personagem principal estava exposto como um &#8220;Jardineiro louco&#8221;, que enlouqueceu por amor. Teve um turista que comprou toda a cole\u00e7\u00e3o. Ficou encantado com a sutileza dos tra\u00e7os e com aquela hist\u00f3ria de amor. Esse turista prometeu voltar e talvez negociar com Antonio seus quadros no exterior. Depois daquela tarde de domingo, algo de novo aconteceu no cora\u00e7\u00e3o de Antonio. Parece que acordou novamente para a vida. Em seu ritmo foi se organizando energeticamente e mentalmente. Parecia um milagre! O &#8220;Tonho louco&#8221; conseguiu falar de sua dor. Libertou-se! BOAS VINDAS ANTONIO.\u00a0 Noutro dia, pintando uma de suas telas em pra\u00e7a p\u00fablica, algu\u00e9m novo na cidade lhe perguntou: &#8211; Quem \u00e9 voc\u00ea? Sorrindo, respondeu:- ANTONIO DAS FLORES OU TONHO LOUCO. VOC\u00ca ESCOLHE!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio \u00e9 um homem de quarenta e dois anos de idade. Pode-se dizer que viveu apenas trinta e sete. Foi ai que enlouqueceu. Diziam que enlouqueceu por Amor! Homem extremamente sens\u00edvel. Inteligente. Nasceu numa fam\u00edlia simples e muito amorosa. Nunca faltou contato afetivo que nutrisse sua sensibilidade e sonhos, a n\u00e3o ser no per\u00edodo em &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/07\/28\/o-jardineiro-louco-perda-da-razao-rascunho\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;O JARDINEIRO LOUCO! 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