{"id":1643,"date":"2020-08-05T16:01:38","date_gmt":"2020-08-05T19:01:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1643"},"modified":"2020-08-05T17:22:24","modified_gmt":"2020-08-05T20:22:24","slug":"aborto-encontro-no-profundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/08\/05\/aborto-encontro-no-profundo\/","title":{"rendered":"ABORTO! (ENCONTRO NO PROFUNDO)."},"content":{"rendered":"<h4><strong>V<\/strong><strong>e<\/strong><strong>ra<\/strong><strong>\u00a0acordou p\u00e9ssima naquele domingo de p\u00e1scoa. Tamb\u00e9m, depois da bebedeira da noite anterior! Fazia um bom tempo\u00a0 que ela n\u00e3o sa\u00eda de casa. Andava mal por tantas dores sofridas. Resolveu aceitar o convite de Nina,\u00a0 amiga muito querida que n\u00e3o suportava ver o quanto Vera estava sofrendo nos \u00faltimos tempos. Nina n\u00e3o podia nem ouvir falar o nome de Eduardo, o causador desses sofrimentos. Ela bem que\u00a0 avisou a amiga, que ele n\u00e3o era &#8220;flor que se cheirasse&#8221;. Acostumado a ser mimado pela m\u00e3e, super protegido, cresceu infantilizado e ego\u00edsta. Queria ser cuidado por todas as mulheres. Tinha l\u00e1 algumas qualidades que agradavam \u00e0s suas eventuais v\u00edtimas. Vera o conhecia desde o in\u00edcio da faculdade. Encantou-se assim que o viu na cantina, entre os intervalos de aulas. Era um galanteador nato. Conseguia o que queria com o seu jeito de menino inseguro e brincalh\u00e3o embora tivesse vinte e cinco anos de idade. Sabia rir dele mesmo! Essa foi a forma que encontrou para ocupar o seu espa\u00e7o social e ser bem aceito. Vera, tamb\u00e9m insegura, v\u00edtima de um pai ausente e de uma m\u00e3e ego\u00edsta, n\u00e3o teve bons modelos para constru\u00e7\u00e3o de sua estrutura psico-emocional. Ficou carente e fragilizada. Naquele encontro da cantina, quando Eduardo se aproximou e sussurrou:- &#8221; Quero esses olhos pra mim!&#8221;, Vera derreteu-se. Literalmente atendeu ao pedido dele. Ali come\u00e7ou sua paix\u00e3o! Com o passar do tempo todos percebiam que Vera era mais apaixonada por Eduardo que ele por ela. Ela era mais velha que ele seis anos. Ele estava com trinta e um anos quando a conheceu. Entre idas e vindas ficou com ele por longos sete anos. Tinham feito um pacto de n\u00e3o se casarem oficialmente. &#8220;Casar pra que?&#8221; Foram morar juntos com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o terem filhos. Ele n\u00e3o queria! N\u00e3o se sentia preparado. Tamb\u00e9m colocava a situa\u00e7\u00e3o financeira deles como uma boa desculpa pra refor\u00e7ar essa decis\u00e3o! Professores como eles ganham t\u00e3o pouco nesse mundo consumista! Eduardo vivia dizendo isso. Na verdade tamb\u00e9m n\u00e3o queria abrir m\u00e3o de seus caprichos e nem ter maiores responsabilidades na vida. Vera engolia essa decis\u00e3o por absoluta dificuldade que sentia em deix\u00e1-lo. Ela se conformava porque se sentia dependente emocional dele. Mas o destino trama situa\u00e7\u00f5es inesperadas. Numa noite quente, depois de duas garrafas de um bom vinho tinto , Eduardo e Vera se entregaram ao sexo como h\u00e1 muito n\u00e3o acontecia. Abriram uma terceira garrafa e o ch\u00e3o sumiu! Tudo aconteceu no tapete da sala, perto da lareira. Ela aquecia ainda mais o desejo! Ali adormeceram jogados naquele tapete felpudo. Fazia um friozinho t\u00edpico de inverno. Vera acordou antes que Eduardo. Correu para o banheiro. Evitou pensar que n\u00e3o tinham usado camisinha. &#8220;Estava no seu per\u00edodo f\u00e9rtil&#8221;. N\u00e3o contaria a Eduardo! N\u00e3o sabe porque tomou essa decis\u00e3o. L\u00e1 no fundo, bem no fundo do cora\u00e7\u00e3o, ela queria muito ser m\u00e3e! Estava perto dos quarenta anos. O tempo n\u00e3o perdoa. Passa r\u00e1pido demais. Assim ficou com esse segredo at\u00e9 o per\u00edodo de sua pr\u00f3xima menstrua\u00e7\u00e3o. Fez teste de gravidez. N\u00e3o deu outra. O antigo sonho se confirmou. Vera estava gr\u00e1vida! Ficou extremamente ambivalente. Seu cora\u00e7\u00e3o pulava de alegria e seu racional assinalava perigo na rela\u00e7\u00e3o com Eduardo. Sabia que, imaturo e irrespons\u00e1vel como ele era, tudo poderia acontecer. Continuava brincalh\u00e3o como antes, mas de uns tempos pra c\u00e1 deu pra ser explosivo. Violento mesmo. Vera ficou num conflito danado. Sozinha, entrava em contato com o seu lado m\u00e3e e at\u00e9 chorava de alegria. Nos momentos com Eduardo sentia uma ang\u00fastia incr\u00edvel. At\u00e9 quando conseguiria esconder <\/strong><strong>dele<\/strong><strong> a gravidez ? De uma coisa ela j\u00e1 tinha certeza:- QUERIA AQUELE FILHO! J\u00e1 imaginava a rea\u00e7\u00e3o de Eduardo. Esperava pelo pior! Passaram-se dois meses e meio. Vera sabia que era uma corrida contra o tempo. N\u00e3o daria mais pra prorrogar a not\u00edcia a Eduardo. Planejou o fim de semana perfeito tentando um clima de prazer. Como ele gostava: &#8211; lasanha verde, pudim de leite com calda de caramelo e muito vinho. Talvez\u00a0 uma boa transa depois do almo\u00e7o! Quem sabe se, inundado de prazer, sua rea\u00e7\u00e3o fosse acolhedora. Vera n\u00e3o tinha expectativa dele pular de felicidade com a not\u00edcia, j\u00e1 que era dif\u00edcil pra ele. Acolhimento j\u00e1 seria uma resposta feliz diante das circunst\u00e2ncias. Desgra\u00e7adamente n\u00e3o foi isso o que aconteceu! Ao saber da not\u00edcia, vociferou express\u00f5es violentas por ter sido enganado at\u00e9 ent\u00e3o. Ofensas pesadas. Exigia que ela se livrasse &#8220;daquela situa\u00e7\u00e3o&#8221;, imediatamente ou a deixaria para sempre. Demonstrou ali o \u00ednfimo ser humano e companheiro que era. Nenhuma sensibilidade e empatia. N\u00e3o abriu espa\u00e7o para di\u00e1logo com a companheira com quem dividia a vida h\u00e1 tempos. Vera gritou:- &#8220;Aborto n\u00e3o!&#8221; Disse em alto e bom tom que pra ela bastava. N\u00e3o queria mais um homem insens\u00edvel, grosseiro e sem respeito ao seu lado. Assumiria o presente que Deus lhe deu como uma recompensa de todo o amor que sentiu por ele durante tanto tempo. Trancou-se no banheiro e chorou. Chorou muito! Aquelas l\u00e1grimas lavaram a sua alma. Conversou bem baixinho com o seu beb\u00ea. Falou da felicidade que estava sentindo com a sua vinda. Prometeu amor eterno. Acariciou o seu pr\u00f3prio ventre! Saiu de l\u00e1 refeita. Na sala o &#8220;infeliz,&#8221; roncava no sof\u00e1 como se nada tivesse acontecido. Vera come\u00e7ou a agir com uma doida feliz. Colocou sua m\u00fasica preferida bem alta e come\u00e7ou a dan\u00e7ar freneticamente. Eduardo acordou meio zonzo no meio daquele som. Levantou a cabe\u00e7a e falou mais alto que o som da m\u00fasica :-Nossa, tive um pesadelo horr\u00edvel. Sonhei que voc\u00ea estava gr\u00e1vida! Vera n\u00e3o pensou duas vezes e expulsou aquele animal de casa. Isso aconteceu h\u00e1 dois anos. Vera ainda est\u00e1 se recuperando do profundo stress emocional que viveu. Est\u00e1 se reconstruindo. A \u00fanica certeza que\u00a0 tem \u00e9 que renasce a cada dia. Assim que chega em casa, seu cora\u00e7\u00e3o transborda de alegria. Dois bracinhos fofos confirmam isso. &#8220;O cheirinho de seu cangote \u00e9 s\u00f3 meu. Nunca pensei que amor doesse. Como \u00e9 bom! ESTOU ABORTANDO O EDUARDO. UF!&#8221;.<\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vera\u00a0acordou p\u00e9ssima naquele domingo de p\u00e1scoa. Tamb\u00e9m, depois da bebedeira da noite anterior! Fazia um bom tempo\u00a0 que ela n\u00e3o sa\u00eda de casa. Andava mal por tantas dores sofridas. 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