{"id":1675,"date":"2020-08-19T01:49:24","date_gmt":"2020-08-19T04:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1675"},"modified":"2020-08-19T17:16:15","modified_gmt":"2020-08-19T20:16:15","slug":"janela-dos-fundos-companheirismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/08\/19\/janela-dos-fundos-companheirismo\/","title":{"rendered":"JANELA DOS FUNDOS! (CUMPLICIDADE)."},"content":{"rendered":"<p>Tomando uma ducha vespertina, depois de uma manh\u00e3 muito atribulada espiei pela fresta da janela para ver se a garoa havia cessado. Durante a manh\u00e3 inteira tinha persistido uma chuva bem fininha e fria. Precisava dar uma passada no mercado, depois do banho. Dispensa vazia e fome n\u00e3o combinam! Estava com muita vontade de preparar uma sopa de legumes variados. Sem esquecer do sals\u00e3o, l\u00f3gico! D\u00e1 um gostinho incr\u00edvel. Com a \u00e1gua quente, deliciosa, escorrendo sobre o corpo, numa sensa\u00e7\u00e3o de muito aconchego, essa ideia da sopa quente deu \u00e1gua na boca! Decidi que iria deixar a pregui\u00e7a de lado e corajosamente\u00a0 enfrentaria o frio l\u00e1 fora. Aproveitaria pra comprar um bom vinho tamb\u00e9m. &#8220;Me daria esse presente&#8221;! Com os sentidos envolvidos nesses pensamentos prazerosos, comecei a cantarolar a can\u00e7\u00e3o de sempre, no chuveiro. Tinha virado um h\u00e1bito. &#8220;You are my love&#8221;! Estava me sentindo leve e feliz, apesar do cansa\u00e7o da manh\u00e3.\u00a0 Fechei os olhos e soltei a voz como h\u00e1 tempos n\u00e3o fazia. Fiquei um bom tempo cantando e me aquecendo naquela del\u00edcia de \u00e1gua. De repente me lembrei que Elisa, minha irm\u00e3, talvez viesse, naquela noite me entregar um livro que ela tinha me prometido. Abri os olhos e novamente olhei pela janela para conferir o tempo l\u00e1 fora. Assim que espiei, percebi que, bem em frente a janela dos fundos de meu banheiro, havia um casal de velhinhos sentados de m\u00e3os dadas na sacada do outro apartamento. Estavam visivelmente felizes. Namorando do jeito deles. Curtiam a chuva fina e fria que ainda caia, protegidos em seu amor. Um beijinho aqui, outro ali. Dona Carmem e seu marido Douglas. Casados h\u00e1 longa data. Duas cabe\u00e7as brancas bem juntinhas, lendo um mesmo livro sobre uma mesa meio alta. Inclinavam-se algumas vezes para enxergar melhor uma ou outra frase. De repente riam e trocavam algumas palavras e novamente se compenetravam na leitura. Sempre de m\u00e3os dadas, numa vis\u00edvel cumplicidade que s\u00f3 o tempo pode construir. Ainda sabiam como viver a\u00a0 felicidade no casamento, apesar de seus oitenta e poucos anos de idade. N\u00e3o sei explicar o porqu\u00ea, mas aquela cena tocou meu cora\u00e7\u00e3o no profundo. Relembrei Miguel, meu ex-marido. Poxa! Quando nos casamos esse era o meu sonho. Ficar junto dele at\u00e9 bem velhinha. A gente brincava que se um dos dois ficasse &#8220;gag\u00e1&#8221;, nem assim poderia haver separa\u00e7\u00e3o. Um iria ter que cuidar com carinho do outro. Era um pacto de amor entre dois jovens sonhadores. Tanta paix\u00e3o, meu Deus! Lembrei que ele dizia que gostava de todos os meus cheiros. Todos! N\u00e3o suportava que eu usasse perfumes. Camuflava o meu aroma natural. A gente tinha tantas semelhan\u00e7as de gostos. Magia e atra\u00e7\u00e3o nos len\u00e7\u00f3is. Diverg\u00eancias tamb\u00e9m. Muitas! N\u00e3o tive jogo de cintura pra segurar os conflitos. Imaturidade emocional \u00e9 fogo! Me enganei. Fui insana quando conheci F\u00e1bio; rotulei de Deus algu\u00e9m t\u00e3o pequeno! Culpa da qu\u00edmica explosiva! Os horm\u00f4nios s\u00e3o trai\u00e7oeiros. Confundi com amor uma paix\u00e3o barata. Enlouqueci. Meu mundo ficou de cabe\u00e7a para baixo. Fui louca desvairada. Estraguei minha vida. Hoje percebo como fantasias podem nos trair. Troquei uma vida de verdade, com constru\u00e7\u00e3o de uma longa hist\u00f3ria, pelas nuvens que voam e se perdem no horizonte. Devia estar muito carente. S\u00f3 pode ter sido isso. Perdi Miguel por minha\u00a0 absoluta falta de maturidade. Imaginava uma vida irreal. S\u00f3 em contos de fadas. Devo ter regredido aos\u00a0 meus quinze anos. Falta de ch\u00e3o total. Encarando a rela\u00e7\u00e3o, constatei que o F\u00e1bio que eu imaginava, simplesmente n\u00e3o existia. Era uma farsa. Um carente e mal resolvido que mais parecia uma crian\u00e7a. N\u00e3o sabia nem o que queria da vida. Bem feito pra mim. Essa realidade surgiu muito r\u00e1pido. Magoei o meu amor. At\u00e9 o fim Miguel sempre confirmou seu amor por mim. Se arrependimento matasse!\u00a0 Aquela cena da janela despertou uma chama esquecida. Senti &#8220;inveja do casal de velhinhos!&#8221; Sa\u00ed do chuveiro, me enrolei na toalha pr\u00e9 aquecida, com uma s\u00e9ria decis\u00e3o. Ser\u00e1? Arrisquei. Fiquei rindo atoa. &#8220;MIGUEL ESTAVA COM MUITAS SAUDADES DA\u00a0 NOSSA SOPA&#8221;!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tomando uma ducha vespertina, depois de uma manh\u00e3 muito atribulada espiei pela fresta da janela para ver se a garoa havia cessado. Durante a manh\u00e3 inteira tinha persistido uma chuva bem fininha e fria. Precisava dar uma passada no mercado, depois do banho. Dispensa vazia e fome n\u00e3o combinam! Estava com muita vontade de preparar &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/08\/19\/janela-dos-fundos-companheirismo\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;JANELA DOS FUNDOS! 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