{"id":1849,"date":"2020-12-29T00:54:32","date_gmt":"2020-12-29T03:54:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=1849"},"modified":"2020-12-29T20:04:52","modified_gmt":"2020-12-29T23:04:52","slug":"a-mendiga-e-eu-raiva-no-olhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/12\/29\/a-mendiga-e-eu-raiva-no-olhar\/","title":{"rendered":"A MENDIGA E EU! ( REVOLTA DO SOCIAL)."},"content":{"rendered":"<p>Tarde quente de ver\u00e3o. Sol meio escondido entre nuvens amea\u00e7adoras. De vez em quando seu clar\u00e3o surgia em pequenos espa\u00e7os entre elas. Brisa suave do mar aliviava o calor.\u00a0 Olhei pela sacada do meu apartamento. Queria ver se dava tempo de caminhar antes da chuva. D\u00favida. Resolvi arriscar. Caminhada pela praia, com passos acelerados, \u00e9 um santo rem\u00e9dio. Alivia estresse. Bom para corpo e o cora\u00e7\u00e3o. Amplia a consci\u00eancia. Respira\u00e7\u00e3o r\u00e1pida desintoxica. Acelera o metabolismo. &#8220;A alma agradece morar numa casa mais leve&#8221;! Coloquei o velho t\u00eanis branco. N\u00e3o por falta de op\u00e7\u00f5es. Tantos presentes e compras por impulso. Mas n\u00e3o tem jeito. Adoro o conforto do velho t\u00eanis. Vesti um shorts largo, camiseta branca. Tudo muito confort\u00e1vel! L\u00e1 fui eu apressadamente aproveitar o tempo, antes da chuva cair. No cal\u00e7ad\u00e3o, embaixo de uma das muitas \u00e1rvores, bem encostada ao tronco, uma mendiga andrajosa. Pele do rosto, bra\u00e7os e pernas escaldados pelo sol. Chocante! Ela olhava para o NADA. Suas roupas de uma sujeira \u00fanica. Cabelos endurecidos pelo p\u00f3 e fuligem da avenida. &#8220;Muita escurid\u00e3o naquela imagem humana&#8221;. Cortou meu cora\u00e7\u00e3o. Parei por uns segundos em frente a ela. Senti uma necessidade enorme de ajud\u00e1-la. Refleti rapidamente de que forma poderia fazer isso. A mendiga nem percebeu minha presen\u00e7a. Continuava olhando para o vazio. Pessoas passavam por ali fazendo seus exerc\u00edcios, despreocupadas e indiferentes. N\u00e3o notavam sua presen\u00e7a. Como se ela n\u00e3o existisse. Essa exclus\u00e3o social e esse estado de mis\u00e9ria, revelado naquele quadro, me entristeceu muito. Como pode um ser humano se alienar tanto? Que experi\u00eancias o levaram a esse ponto? E suas fontes de afetos? Fiquei imaginando a extrema solid\u00e3o em que vivia. Esses pensamentos provocaram em meu interno intensos questionamentos sobre a vida. Sobre o comportamento das pessoas. &#8221; O MUNDO PODE SER MUITO CRUEL!&#8221;. Essas sensa\u00e7\u00f5es foram muito intensas. Tinha que fazer algo. Interrompi a caminhada. Voltei rapidamente para casa. Montei uma sacola com frutas, lanches e sucos. Achei que aquela mulher estava desidratada. Os sucos lhe fariam bem! Algum dinheiro para necessidades imediatas! Coloquei-me em seu lugar. Senti uma intensa\u00a0 revolta e desamparo. Uma estranha no ninho humano. Com sensa\u00e7\u00e3o de dever cumprido, peguei o elevador e fui ao encontro da mendiga. Atravessei a avenida movimentada. Muitos carros e \u00f4nibus naquela hora. Atravessei rapidamente, assim que o farol se abriu para mim. Estava ansiosa. Queria ajud\u00e1-la logo. Isso aliviaria o meu cora\u00e7\u00e3o. Estava muito mobilizada emocionalmente. Assim que cheguei bem perto dela, sua express\u00e3o me surpreendeu. Assustou! Mesmo assim, fiz a oferenda com todo o carinho que estava em mim. Nossa! Fiquei perplexa! Recebi uma rea\u00e7\u00e3o de hostilidade imensa. Um olhar frio. Rejeitou todos os alimentos que lhe ofereci: -&#8220;N\u00e3o. N\u00e3o quero!&#8221; Repetiu v\u00e1rias vezes essa frase. Seu olhar e sua voz foram ficando mais duros \u00e0 medida que minha insist\u00eancia aumentava. Fiz com a cabe\u00e7a um sinal que a entendia. Numa \u00faltima tentativa, perguntei baixinho: &#8211; Nem o dinheiro? Aquele olhar duro, fixou o meu. Em tom agressivo e amea\u00e7ador disse:- Caramba j\u00e1 disse que n\u00e3o! Desviou novamente o olhar e fixou no vazio. Entendi que estava decidida. Entendi tamb\u00e9m que tentou me mostrar orgulho e dignidade a seu modo. \u00c9 como se eu a estivesse desrespeitando.\u00a0 Invadindo sua privacidade. Ali, colocou o seu limite. Foi claro que\u00a0 seu gesto estava dizendo que n\u00e3o tinha pedido nada daquilo que eu estava querendo lhe dar. Senti que estava me mostrando um certo desprezo pela minha ajuda.! &#8220;Eu era mais uma das que n\u00e3o conseguiam tocar o seu cora\u00e7\u00e3o&#8221;.\u00a0 Ela ainda tinha for\u00e7as para se defender. Enxerguei\u00a0 uma mulher forte, guerreira. Revoltada. Sua atitude falou de um cora\u00e7\u00e3o sofrido. Miseravelmente maltratado pela vida. Quem sabe de seus amores! Quantos os caminhos percorridos? Chorei! Compreendi. Sua fome vinha da alma. Escura e destruidora. Fixada na energia do \u00f3dio. Ela conseguia expor apenas o instinto machucado. &#8220;ANIMAL FERIDO NUMA SELVA DE PEDRA!&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tarde quente de ver\u00e3o. Sol meio escondido entre nuvens amea\u00e7adoras. De vez em quando seu clar\u00e3o surgia em pequenos espa\u00e7os entre elas. Brisa suave do mar aliviava o calor.\u00a0 Olhei pela sacada do meu apartamento. Queria ver se dava tempo de caminhar antes da chuva. D\u00favida. Resolvi arriscar. Caminhada pela praia, com passos acelerados, \u00e9 &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2020\/12\/29\/a-mendiga-e-eu-raiva-no-olhar\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;A MENDIGA E EU! 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