{"id":2257,"date":"2021-06-21T19:11:30","date_gmt":"2021-06-21T22:11:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=2257"},"modified":"2023-10-18T23:21:14","modified_gmt":"2023-10-19T02:21:14","slug":"sorvete-no-portao-carencia-inseguranca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2021\/06\/21\/sorvete-no-portao-carencia-inseguranca\/","title":{"rendered":"&#8220;SORVETE NO PORT\u00c3O&#8221;!    ( CAR\u00caNCIA\/ INSEGURAN\u00c7A)."},"content":{"rendered":"<p>Isaura. Doce Isaura. Quando crian\u00e7a suportou muito preconceito pelo seu jeito diferente de ser. Sofreu o diabo! Nasceu mais introspectiva, \u00e9 certo, por\u00e9m, o ambiente familiar contribuiu muito para intensificar caracter\u00edsticas de inseguran\u00e7a e fragilidade. Filha de pais ausentes, al\u00e9m disso, sofreu consequ\u00eancias de ser o &#8220;sandu\u00edche&#8221; entre duas irm\u00e3s extremamente competitivas, indiferentes \u00e0 sua meiguice e intensa sensibilidade. Pareciam dois tratores quando o tema era ocupar espa\u00e7o! &#8220;Engoliam como jiboia a identidade da menina&#8221;. Isaura n\u00e3o tinha recursos internos para reagir. Esse quadro recorrente foi desenvolvendo em Isaura intensa car\u00eancia e dificuldades de express\u00f5es genu\u00ednas. Chegando \u00e0 idade escolar, inevitavelmente, levou esse pesado pacote emocional para dentro da sala de aula. Seus pais, inadvertidamente, envolvidos t\u00e3o somente com o profissional e com o pr\u00f3prio casamento desestruturado. Cheio de brigas e agress\u00f5es verbais. N\u00e3o percebiam a\u00a0 ang\u00fastia velada da filha. Deixaram de desempenhar suas fun\u00e7\u00f5es como genitores equilibrados e respons\u00e1veis. N\u00e3o\u00a0 cuidaram da fam\u00edlia que constru\u00edram. Sua m\u00e3e, Maria, acordou pra realidade s\u00f3 depois do dif\u00edcil div\u00f3rcio, com Joel, pai\u00a0 de Isaura. Tentou do melhor jeito que conseguiu resolver a situa\u00e7\u00e3o conflituosa entre as filhas. &#8220;O mal j\u00e1 estava feito!&#8221;.\u00a0 Buraco emocional instalado, principalmente, no cora\u00e7\u00e3o da sens\u00edvel Isaura. Na verdade, Maria esteve cega! Por longos anos n\u00e3o enxergou a realidade que estava bem embaixo de seu nariz. Faltou consci\u00eancia. Faltou maturidade e integra\u00e7\u00e3o! Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o, Maria sentiu extrema necessidade de\u00a0 encarar todos os problemas emocionais nutridos dentro de casa. Percebeu como n\u00e3o cuidou da estrutura emocional da fam\u00edlia, parte fundamental no papel dos pais! Quando se conscientizou, sofreu. Sentiu-se extremamente culpada.\u00a0 Focou sua sensibilidade e amor num\u00a0 maior contato com as filhas e melhorar as rela\u00e7\u00f5es entre as irm\u00e3s e com ela pr\u00f3pria. Esse objetivo passou a ser sua meta. Lutou! Muitas vezes foi nocauteada. Nunca desistiu. Quando percebia o sofrimento de Isaura na escola por n\u00e3o conseguir se enturmar e as dificuldades em acompanhar pedagogicamente a turma, Maria se descabelava. Agora a briga era dela! Resolveu que precisava estar presente no dia dia. Exagerou! Tentava compensar a fragilidade da filha superprotegendo-a, sem perceber que essa atitude deixava a menina mais insegura ainda. Alguns maldosos rotulavam Isaura com apelidos pejorativos. &#8220;Esquisita&#8221; era o apelido mais suave! Nesse meio emocional de rejei\u00e7\u00e3o, Isaura intensificava sua conten\u00e7\u00e3o e atitudes desastrosas. Concomitantemente, como \u00e9 natural, foi desenvolvendo cada vez mais, necessidade de ser aceita e admirada. Sem percep\u00e7\u00e3o de tempo e espa\u00e7o, tentava agradar \u00e0s pessoas absurdamente. Numa tentativa inocente em se sentir aceita, tornou-se muito tagarela. Valia qualquer assunto.\u00a0 Coment\u00e1rios fora dos contextos \u00e9 o que mais fazia. Motivo de crescentes indiferen\u00e7as e rejei\u00e7\u00f5es. Chacotas camufladas aconteciam! Sua verdadeira identidade cada vez mais sufocada.\u00a0 Comportamento inadequado, funcionava como uma bola de neve, s\u00f3 crescia. Certa vez, Ant\u00f4nia, amiga comum de suas irm\u00e3s, foi fazer uma visita a elas. Quando essa amiga chegou, assim que apertou a campainha, Isaura em sua extrema car\u00eancia e ansiedade correu ao congelador, pegou um delicioso sorvete de morango e foi depressa receber Ant\u00f4nia. Sorrindo, abriu o port\u00e3o segurando o geladinho. Ali mesmo, sem esperar que a amiga entrasse, insistiu que ela pegasse e provasse o sorvete! Ant\u00f4nia meio sem gra\u00e7a, constrangida, estranhou. N\u00e3o sabia se aceitava ou n\u00e3o. Deu uma desculpa qualquer deixando para depois. As irm\u00e3s presenciaram\u00a0 a cena e come\u00e7aram a gozar de Isaura. Esse fato foi um importante divisor de \u00e1guas em sua vida emocional. &#8220;Sorvete no port\u00e3o&#8221;! Express\u00e3o que se tornou goza\u00e7\u00e3o. A partir dai, toda vez que se falasse no tema &#8220;car\u00eancia&#8221;, esse termo passou a ser usado pelas irm\u00e3s como refer\u00eancia de extrema car\u00eancia. &#8220;Olha o sorvete no port\u00e3o &#8220;! Maria, sua m\u00e3e, depois de intensa crise no casamento, j\u00e1 separada, arranjou\u00a0 tempo para\u00a0 olhar e acolher suas filhas t\u00e3o esquecidas por ela! Queria resgatar o tempo perdido. Percebeu a extrema car\u00eancia de Isaura. Conversou muito com a filha. Aqueceu a rela\u00e7\u00e3o entre elas. Tentou obter de Isaura sentimentos n\u00e3o expressos, guardados l\u00e1 no fundo do cora\u00e7\u00e3o. Foi dif\u00edcil a aproxima\u00e7\u00e3o. Paulatinamente, Isaura foi cedendo. Maria fez o poss\u00edvel! Investigou como uma boa m\u00e3e deve fazer as hist\u00f3rias e queixas de rejei\u00e7\u00e3o sofrida por Isaura. N\u00e3o censurou. N\u00e3o julgou. Apenas acolheu com o cora\u00e7\u00e3o. Conseguiu falar de carinho e amor. Pela primeira vez em seus treze anos de idade, Isaura sentiu a m\u00e3e pr\u00f3xima e afetuosa. Conversaram muito. Longas conversas! Por estar adolescendo, Isaura\u00a0 estava com maior percep\u00e7\u00e3o de sua dificuldades emocionais, conseguindo reconhecer sua ansiedade em agradar as pessoas e as atitudes err\u00f4neas que usava pra isso. &#8220;N\u00e3o conseguia agir naturalmente&#8221;. Falou que detestou a goza\u00e7\u00e3o das irm\u00e3s e a rea\u00e7\u00e3o da amiga Ant\u00f4nia. &#8216;Esse fato\u00a0 acionou sentimentos calados pelo tempo&#8221;. Maria, atenta, achou que seria um bom momento para Isaura iniciar um processo em psicoterapia. Decidiu que buscar organizar o psicol\u00f3gico de Isaura seria essencial naquele momento. Resgatar sua identidade. Sorte que encontrou Mariza. Psic\u00f3loga sens\u00edvel, amadurecida e experiente. Soube desenvolver uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e aceita\u00e7\u00e3o\u00a0 com Isaura. Ela ficou no processo terap\u00eautico durante quatro anos.\u00a0 Ningu\u00e9m a reconheceria. Isaura mudou tanto! Outra pessoa. Arranjou um namorado que combina em tudo com ela. Feliz! &#8220;RI MUITO DO SORVETE NO PORT\u00c3O. VIROU PIADA&#8221;!<\/p>\n<p>_\u00a0 ( Caso relatado por Mariza, terapeuta de Isaura).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isaura. Doce Isaura. Quando crian\u00e7a suportou muito preconceito pelo seu jeito diferente de ser. Sofreu o diabo! Nasceu mais introspectiva, \u00e9 certo, por\u00e9m, o ambiente familiar contribuiu muito para intensificar caracter\u00edsticas de inseguran\u00e7a e fragilidade. Filha de pais ausentes, al\u00e9m disso, sofreu consequ\u00eancias de ser o &#8220;sandu\u00edche&#8221; entre duas irm\u00e3s extremamente competitivas, indiferentes \u00e0 sua &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2021\/06\/21\/sorvete-no-portao-carencia-inseguranca\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;&#8220;SORVETE NO PORT\u00c3O&#8221;!    ( CAR\u00caNCIA\/ INSEGURAN\u00c7A).&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2257"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2257"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2257\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2980,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2257\/revisions\/2980"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}