{"id":2381,"date":"2021-09-15T01:43:46","date_gmt":"2021-09-15T04:43:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=2381"},"modified":"2023-10-04T20:37:12","modified_gmt":"2023-10-04T23:37:12","slug":"quem-me-dera-arrependimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2021\/09\/15\/quem-me-dera-arrependimento\/","title":{"rendered":"LOUCURA OCULTA! (VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA)."},"content":{"rendered":"<p>Caminhos me levaram a voc\u00ea. Que caminhos aqueles? Porque? Seria destino? Droga! Podia ter pulado aquele dia em minha vida. Se eu tivesse uma bola de cristal! Jonas entrou t\u00e3o sorrateiramente em meu cora\u00e7\u00e3o. Quase nem percebi. Quando me dei conta j\u00e1 estava totalmente envolvida e encantada. Maior erro que eu podia cometer! Esqueci de mim. Foi t\u00e3o intenso. Ficou mania. Doen\u00e7a mesmo. Perdi a identidade. &#8220;Virei Jonas&#8221;. Fui sua rid\u00edcula sombra! Auto crueldade me submeter a tanta agress\u00e3o psicol\u00f3gica daquele homem. Overdose! Custou reconhecer o &#8220;ser humano menor&#8221; que estava ali e ao\u00a0 tamanho em que eu estava me reduzindo. Cega por paix\u00e3o! Paix\u00e3o por um doente! Aquele ser arrogante n\u00e3o sabia o que era respeito a uma mulher. Abruptamente se transformava num animal feroz e insens\u00edvel, alternando com atitudes de extremo carinho em momentos diferentes. Desproporcional! Desequilibrado mesmo! Esse tra\u00e7o de car\u00e1ter perverso emergia principalmente quando ele se\u00a0 defrontava com minha alegria. Acho que mobilizava seus sentimentos bloqueados. Muitas vezes, causticamente, falava que eu parecia hiena. Sorria do nada. Sem motivo! No come\u00e7o disso tudo eu nem ligava para o jeito doente dele. At\u00e9 achava engra\u00e7ado. Quando as agress\u00f5es foram ficando recorrentes e mais intensas, algo dentro de mim sinalizou que n\u00e3o dava mais. Eu teria que tomar uma atitude! Essas cenas insanas sempre ocorriam quando est\u00e1vamos a s\u00f3s. &#8220;Loucura inteligente&#8221;. Encobria seu desequil\u00edbrio dos olhares externos, no social. Disfar\u00e7ava-se sob uma camada de bom humor e muitas brincadeiras. Era admirado pelo seu jeito educado, gentil e inteligente. Especialmente pela sua grana! &#8220;Socialmente, a imagem do bom menino que deu certo&#8221;. Dentro de casa, a besta explodia! Bastava contrariar seus caprichos ou vontades, l\u00e1 vinha o &#8220;Jonas louco&#8221;. Desrespeito total. Lado escuro, mesclando mel e fel! Conturbava o meu mental. Ficava confusa. Enlouquecida, depois das crises. N\u00e3o sabia o que fazer, duvidava at\u00e9 de mim! Muitas vezes imaginava que talvez Jonas estivesse apenas estressado, coisa de momento, quando arrependido,\u00a0 cabisbaixo pedia desculpas. Ficava feliz. Quem sabe? Qual nada! Da\u00ed um tempinho ele se repetia em atitudes severamente neur\u00f3ticas.\u00a0 Nova decep\u00e7\u00e3o! Nova viol\u00eancia. Tentei ponderar e desculpar por quatro longos anos. Ele nunca quis fazer um tratamento psicol\u00f3gico. Dizia sentir-se\u00a0 perfeitamente equilibrado. Perfeito! Muitas vezes, tive enorme vontade de sumir. Mandar tudo pro inferno! Virou uma gangorra a minha rela\u00e7\u00e3o com Jonas. Baixos e altos. Altos e baixos! Muito mais baixos que altos. Minha energia sendo sugada de forma vampiresca. Com o passar do tempo fui mudando internamente. Cansando de perdoar. &#8220;O bom menino no social foi perdendo sua for\u00e7a dentro de casa&#8221;. Suas neuroses n\u00e3o engatavam mais em minhas neuroses. O n\u00f3 lentamente se desfazendo. Ambival\u00eancia entre amor e raiva em que eu estava estagnada foi evoluindo num sentimento \u00fanico, forte, anunciando sinais vitais de minha identidade. O meu emocional buscando\u00a0 focar num caminho livre e claro. Amor e raiva se transformando em &#8220;Amor Pr\u00f3prio&#8221;. Lentamente e silenciosamente foi crescendo essa nova consci\u00eancia, disposta a proteger minha integridade de mulher. Num belo s\u00e1bado de sol aconteceu o \u00e1pice dessa rela\u00e7\u00e3o emocional ca\u00f3tica que eu mantinha com Jonas. Animada, preparei uma reuni\u00e3o em casa, com amigos em comum. Tudo planejado. Tudo estava tranquilo.\u00a0 Por um motivo banal, o imbecil do Jonas teve a aud\u00e1cia de\u00a0 armar um novo e intenso barraco em cima de mim. Coitado. Bem naquele dia. Sem perceber minha transforma\u00e7\u00e3o interna, a fera atacou novamente! Se deu mal. Desta vez me pegou mais fortalecida. Sem notar que eu estava diferente e\u00a0 disposta a buscar alegria de viver, com ou sem\u00a0 ele. Tremi de raiva! Muito desequil\u00edbrio daquele doente. Por motivo banal ele recaiu! Estava segurando uma bandeja com copos cheios de cervejas, cantarolando com a m\u00fasica de fundo. Feliz. Distra\u00edda. Num repente, tropecei no p\u00e9 de uma cadeira. Parece coisa do diabo. Jonas estava bem ali. Agachado. Amarrando o t\u00eanis. Sua bermuda ficou molhada pela bebida. Enfurecido levantou a cabe\u00e7a abruptamente. Ficou em p\u00e9, soltando fogo pelo olhar. Transformou-se no demente que eu j\u00e1 conhecia. Rosto vermelho de raiva. Olhos saltando pelas orbitas. At\u00e9 salivou de tanta f\u00faria. Reagiu como se eu tivesse dado um soco no meio da cara dele, sem motivo algum. Rea\u00e7\u00e3o absurda.\u00a0 Insultou-me violentamente. Minhas pernas foram ficando tr\u00eamulas. Ele simplesmente, n\u00e3o ouvia minhas desculpas.\u00a0 Esbravejava, me ofendendo, xingando de vadia, desastrada, infeliz! Gritava dizendo\u00a0 que eu nunca fazia nada direito, mesmo.\u00a0 Suas ofensas foram num crescer assustador, enquanto eu pedia mil desculpas. Soltou adjetivos pejorativos que derrubam qualquer dignidade.\u00a0 Rir comigo do acontecido seria esperar muito daquele doente. Aproveitou que est\u00e1vamos sozinhos na sala de jantar e despejou toda a raiva de uma vida. Confesso que fiquei com medo de sua loucura sem limites. Sorte que o pessoal da festa estava no quintal dan\u00e7ando e n\u00e3o percebeu o ocorrido. Seu olhar de \u00f3dio e viol\u00eancia no instante da f\u00faria, deixou um registro do definitivo fim da nossa rela\u00e7\u00e3o. Foi num estalo, em minha mente. N\u00e3o queria, nunca mais, aquele olhar\u00a0 de \u00f3dio sobre\u00a0 mim.\u00a0 Eu n\u00e3o merecia aquela viol\u00eancia! Calada e decidida voltei \u00e0 festa. Estranhamente tranquila. Como se tudo estivesse maravilhoso. Dai a pouco surge Jonas, com uma gelada na m\u00e3o. Dissimulado. Brincando e rindo.\u00a0 Naquele instante, reafirmei em meu cora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o queria mais Jonas em minha vida. A falta de respeito a minha pessoa estava sendo enterrada naquele momento! Com essa convic\u00e7\u00e3o, depois que todos foram embora e Jonas embriagado,\u00a0 em sono profundo em nosso quarto, decidida, fui dormir no quarto de h\u00f3spedes. Sensa\u00e7\u00e3o estranha e nova. Respira\u00e7\u00e3o ora leve, ora acelerada. Parecia que eu estava anestesiada. Dormi profundamente naquela noite. Acordei pela manh\u00e3, ainda esquisita. Sonhos de recome\u00e7o, de uma nova vida. Um tanto triste, por ter me auto sabotado durante tanto tempo e\u00a0 permitir que aquele homem violento quase anulasse minha identidade. Jonas, por sua vez, ao acordar, fazendo-se de v\u00edtima, como sempre, tentou me seduzir e se desculpar. Tentou, beijos for\u00e7ados. Frios. Frustrou-se! Afastei-o com firmeza. Senti\u00a0 avers\u00e3o!\u00a0 Ele percebeu. Ficou sem ch\u00e3o ao ouvir minha decis\u00e3o. Ali na cozinha, em p\u00e9, levantei a cabe\u00e7a, olhei em seus olhos. Bem firme. Resoluta, sem titubear, pedi o divorcio. Surpreso. Agressivo. Gritou que eu estava louca. Precisava me tratar. Concordei!\u00a0 Falei, ent\u00e3o, que n\u00e3o se metesse com uma louca! N\u00e3o seria mais seu tapete. Nem de homem, algum. N\u00e3o deixei o desequilibrado Jonas, falar. Eu berrava! Meu cora\u00e7\u00e3o saia pela boca. Vociferei todo o sufoco contido h\u00e1 anos. Ele ouviu tudo num sil\u00eancio assustador. Entendeu que era o fim. Silencioso, foi embora de casa naquela manh\u00e3 de domingo ensolarada! Levou junto seu ego inflado e poucos pertences. N\u00e3o deixei que levasse nossa gatinha, Lila. Saiu sozinho com o seu carr\u00e3o vermelho! Foi embora de minha vida deixando rastros de m\u00e1goas. Muitas feridas para cuidar. Natural que eu chorasse algumas noites. N\u00e3o sei se de raiva ou saudades dos falsos momentos bons. N\u00e3o importa. Lavar feridas com l\u00e1grimas ajudam na assepsia da alma. Ando com d\u00f3 de mim mesma. Isso n\u00e3o \u00e9 bom! Muitas vezes me sinto como crian\u00e7a sozinha, fragilizada.&#8221; Quem me dera voltar no tempo&#8221;. Jonas, jamais seria uma escolha. Resgatar minha menina interna com a consci\u00eancia de agora, \u00e9 tudo que preciso. &#8221; Procurando por mim&#8221;!\u00a0 &#8211; Queixa de Ana Rita, quando buscou psicoterapia. (Depois de participar de um Workshop na integra\u00e7\u00e3o entre corpo e mente. Chegou em meu consult\u00f3rio na busca\u00a0 de um trabalho emocional na linha de Reich). &#8220;Concomitantemente Ana Rita est\u00e1 come\u00e7ando um movimento social, na amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, em defesa das mulheres que sofrem viol\u00eancias domesticas, tanto f\u00edsicas quanto psicol\u00f3gicas&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhos me levaram a voc\u00ea. Que caminhos aqueles? Porque? Seria destino? Droga! Podia ter pulado aquele dia em minha vida. Se eu tivesse uma bola de cristal! 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