{"id":2456,"date":"2021-11-04T17:09:40","date_gmt":"2021-11-04T20:09:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=2456"},"modified":"2023-10-02T00:11:09","modified_gmt":"2023-10-02T03:11:09","slug":"lauro-som-no-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2021\/11\/04\/lauro-som-no-silencio\/","title":{"rendered":"LAURO ! ( SOM NO SIL\u00caNCIO)."},"content":{"rendered":"<p>Lauro, meu papagaio, est\u00e1 presente h\u00e1 uns bons anos em minha vida. Companheir\u00e3o amado e fiel. Noutro dia, estava na sala, tranquila, focada, assistindo a uma reportagem especial que falava sobre a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter nas pessoas. Compenetrada, ouvia o\u00a0 especialista explicar que o car\u00e1ter \u00e9 constru\u00eddo atrav\u00e9s de h\u00e1bitos, orienta\u00e7\u00f5es e contatos que fazem parte da experi\u00eancia individual. Ressaltava que as atitudes revelam a pessoa, traduz como ela funciona. Falava, tamb\u00e9m, como a primeira inf\u00e2ncia\u00a0 \u00e9 uma fase fundamental na forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter, ressaltando tamb\u00e9m a adolesc\u00eancia onde se revive o \u00c9dipo. Eu j\u00e1 tinha lido algo a respeito, mas, os detalhes estavam atualizando a minha curiosidade. O especialista falava de uma forma motivadora e f\u00e1cil sobre o significado emocional das constru\u00e7\u00f5es internas. Fui acompanhando esses temas importantes. Trouxe temas da psicologia sobre o desenvolvimento do psiquismo humano, como funcionam os bloqueios emocionais e a forma como se refletem na forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter. Doutor Pedro, ressaltou ainda, a\u00a0 import\u00e2ncia do contato afetivo e do contato do amor dos pais em rela\u00e7\u00e3o a crian\u00e7a.\u00a0 Como esses aspectos podem auxiliar\u00a0 na constru\u00e7\u00e3o de uma pessoa saud\u00e1vel e equilibrada. (Priorizar a qualidade do contato). Durante\u00a0 pausa de quinze minutos, aproveitei e fui at\u00e9 a cozinha tomar um ch\u00e1 verde, bem quentinho. Caiu t\u00e3o bem! Saboreando, sentei-me na cadeira de madeira entalhada, pertinho da janela. Inspirei o perfume dos jasmins vindo do quintal. Del\u00edcia! Inspirei fundo. Sentindo ainda mais o delicioso aroma.\u00a0 Come\u00e7o a refletir\u00a0 sobre todos os assuntos pautados naquela reportagem. N\u00e3o sei porque, lembrei, de repente,\u00a0 da hist\u00f3ria de Maria Eduarda, ex-aluna, muito querida, com s\u00e9rios problemas emocionais. Lembrei- me de seus olhinhos tristes, pedintes de\u00a0 amor. &#8220;Cruel, crian\u00e7a sofrer&#8221;! Queria muito v\u00ea-la feliz como seus colegas de classe. Do\u00eda muito perceber\u00a0 ang\u00fastia em seu olhar infantil. Meu instinto protetor ficou agu\u00e7ado. Busquei contato com ela. Fui me aproximando de\u00a0 sutilmente de Maria Eduarda. Queria conquistar sua confian\u00e7a. Busquei me aproximar de sua fam\u00edlia. Fiz tudo que pude! Eduarda fazia parte da primeira turminha com qual\u00a0 eu tinha o compromisso de\u00a0 instru\u00ed-las e mostrar o quanto poss\u00edvel, como a vida pode ser bela! Tornar-me professora foi um sonho desde crian\u00e7a. Logo que me formei em pedagogia, consegui essa primeira classe. L\u00e1 havia lindos pares de olhos curiosos, me esperando.\u00a0 Alunos entre cinco e seis anos de idade. Apaixonada, nem sentia o tempo passar. Adorava lidar com aquelas energias cristalinas. Quinze energias. Meninos e meninas. Na calma daquela noite, ali sentada, tomando meu ch\u00e1, as informa\u00e7\u00f5es transmitidas na reportagem, trouxeram a presen\u00e7a de Eduarda muito viva em minha mente. Relacionei instintivamente, o que tinha entendido sobre os conceitos de psicologia com a hist\u00f3ria de car\u00eancia afetiva da minha menina. Encaixava perfeitamente no caso dela. Menina triste e delicada, sens\u00edvel e muito carente. Dona de uma criatividade incr\u00edvel. Sabia construir atrav\u00e9s de seus desenhos, historias fortes e simb\u00f3licas, com personagens singulares. Fechada em si mesma! N\u00e3o interagia com coleguinhas. Nas tarefas em grupo n\u00e3o participava. Preferia estar s\u00f3 em seu mundo imagin\u00e1rio. Nasceu um carinho muito grande entre n\u00f3s. &#8220;Minha crian\u00e7a interna identificou-se com Eduarda&#8221;. Eu era a \u00fanica companhia com quem ela se expressava. Demonstrava sentir-se acolhida e segura. Seus olhinhos quase negros, mostravam um brilho incomum sempre que est\u00e1vamos pr\u00f3ximas. Certo dia, um fato transformador mudou rumos! Envolvida com a crian\u00e7ada, bem na hora do lanche, enquanto todas corriam e brincavam, notei Eduarda sozinha num cantinho do p\u00e1tio. Cabisbaixa! Fui at\u00e9 ela apressadamente. Segurei suas m\u00e3ozinhas, frias e \u00famidas. Muito p\u00e1lida. Esse quadro me preocupou.\u00a0 Segurei-a\u00a0 no colo, apreensiva. Imediatamente chamei nosso medico de plant\u00e3o. Depois da avalia\u00e7\u00e3o criteriosa, foi constatado que era um quadro apenas de fundo emocional. Muita ansiedade naquela crian\u00e7a! De certa forma, fiquei mais tranquila. Resolvi chamar seus pais para uma reuni\u00e3o. Insisti que fossem eles pr\u00f3prios e n\u00e3o a bab\u00e1 como sua m\u00e3e prop\u00f4s. ( Para ela bab\u00e1 representava a m\u00e3e em tudo).\u00a0 Busquei conhecer toda a hist\u00f3ria na intimidade de seu lar. Constatei que seu ambiente familiar era excessivamente frio. Sem contato. &#8220;Pais ausentes&#8221;. Quem cuidava dela eram bab\u00e1s tempor\u00e1rias que viviam se revezando. Soube que a m\u00e3e de Eduarda n\u00e3o hesitava em despedir funcion\u00e1rias por motivo banais. Nenhuma delas podia fazer qualquer coment\u00e1rio sobre\u00a0 car\u00eancia e necessidades de Eduarda. &#8220;Doutora Fernanda&#8221;, m\u00e3e, de Eduarda, dava tudo a filha, menos amor. Em sua vis\u00e3o, bab\u00e1 tinha que suprir qualquer necessidade da crian\u00e7a. &#8221; Para isso era bem remunerada&#8221;. R\u00edgida e pr\u00e1tica, detestava mi mi mi!\u00a0 Vivia enfronhada em sua promissora profiss\u00e3o de cirurgi\u00e3 pl\u00e1stica, congressos e muito trabalho hospitalar. Encontros a noite com amigos, ocupava o resto do tempo. Seu marido tamb\u00e9m cirurgi\u00e3o, acompanhava a mulher em tudo. Viviam como namorados! Normalmente quando chegavam em casa tarde da noite, Eduarda j\u00e1 dormia. A coordena\u00e7\u00e3o da escola, convocou uma reuni\u00e3o com os pais de Eduarda. Foi produtiva! Conseguiu derreter um pouco do gelo da &#8220;doutora Fernanda&#8221;.\u00a0 Mencionei situa\u00e7\u00f5es e fatos ocorridos na escola que ela ignorava. Demonstrou surpresa. Certa indigna\u00e7\u00e3o! Na cabe\u00e7a dela aquilo era inusitado. N\u00e3o podia ter acontecido! N\u00e3o se considerava uma m\u00e3e negligente. Depois de longas conversas, nossa psic\u00f3loga sugeriu psicoterapia. Fernanda, surpreendentemente, resolveu tentar. Iniciou terapia familiar e individual. Foi o momento transformador na vida de Eduarda. O tempo passou. O ano escolar terminou.\u00a0 Sutis mudan\u00e7as no comportamento de Eduarda. No ano seguinte,\u00a0 chegou com sorriso mais aberto, interagindo mais\u00a0 com as outras crian\u00e7as. Maior vi\u00e7o no olhar. &#8220;As coisas foram se reestruturando&#8221;. Fernanda est\u00e1 se descobrindo como m\u00e3e. (O Caminho do auto conhecimento pode ser a cura dos males do cora\u00e7\u00e3o)! Hoje, sempre que Eduarda me encontra no p\u00e1tio, nos intervalos,\u00a0 ganho um abra\u00e7o quente. Apertado, apertado. E seu beijo?\u00a0 Envolvida nessas sensa\u00e7\u00f5es, distra\u00edda, tomando o \u00faltimo gole de meu ch\u00e1, ou\u00e7o\u00a0 voz estridente:- &#8220;LOLITA, LOLITA. LOURO QUER CAF\u00c9&#8221;!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lauro, meu papagaio, est\u00e1 presente h\u00e1 uns bons anos em minha vida. Companheir\u00e3o amado e fiel. Noutro dia, estava na sala, tranquila, focada, assistindo a uma reportagem especial que falava sobre a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter nas pessoas. Compenetrada, ouvia o\u00a0 especialista explicar que o car\u00e1ter \u00e9 constru\u00eddo atrav\u00e9s de h\u00e1bitos, orienta\u00e7\u00f5es &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2021\/11\/04\/lauro-som-no-silencio\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;LAURO ! ( SOM NO SIL\u00caNCIO).&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2456"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2456"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2456\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2958,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2456\/revisions\/2958"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2456"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}