{"id":2471,"date":"2021-12-04T17:09:47","date_gmt":"2021-12-04T20:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=2471"},"modified":"2021-12-04T20:06:04","modified_gmt":"2021-12-04T23:06:04","slug":"boca-de-baleia-relacionamento-abusivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2021\/12\/04\/boca-de-baleia-relacionamento-abusivo\/","title":{"rendered":"BOCA DE BALEIA. ( RELACIONAMENTO ABUSIVO)."},"content":{"rendered":"<p>Maria Carolina, catarinense, alta e esguia. Porte orgulhoso e nobre que tenta manter diante das adversidades da vida. Criada a beira mar, adorava andar descal\u00e7a nas areias macias das praias que frequentava. Uma liga\u00e7\u00e3o muito \u00edntima com as \u00e1guas. Sempre nadou como sereia. Nos dias de boas ondas pegava sua prancha e sumia no mar. Com a separa\u00e7\u00e3o de seus pais, aprendeu a se defender sozinha das ang\u00fastias que acometiam o seu cora\u00e7\u00e3o. Foi dif\u00edcil enfrentar essa nova realidade. Muita coisa mudou em seus dezessete anos de vida. As \u00e1guas j\u00e1 n\u00e3o eram t\u00e3o azuis! Amava seu pai. Modelo de homem. Imperfeito, perfeito! Identificava-se com ele.\u00a0 Modelo desfeito como vapor dissipando-se no ar. Insegura e triste buscou desesperadamente novas refer\u00eancias. Nesse estado de extrema fragilidade, conheceu Andr\u00e9 Luiz. Personalidade semelhante \u00e0 do pai ausente. Visual bonito. Determinado e inteligente. Sedutor. &#8220;Soube seduzir a sereia&#8221;! Num repente, para ela parecia que a vida estava colorida novamente. Transferiu para &#8220;Dezinho&#8221;, esse era seu apelido, toda sua car\u00eancia e instabilidade emocional. Ele, com vinte e oito anos de idade, agia como um homem maduro e experiente. Aspectos que encantou ainda mais Maria Carolina.\u00a0 Em seu interno houve uma substitui\u00e7\u00e3o da figura paterna. (Come\u00e7o do grande problema)! Sem se dar conta, entrou nessa rela\u00e7\u00e3o com o papel de filha. (Teria que obedecer \u00e0s regras de Dezinho). A mulher cheia de desejos e sonhos ficou escondida, bloqueada em seu interior. Sem identidade adulta. Rela\u00e7\u00e3o iniciada fora dos padr\u00f5es saud\u00e1veis entre um homem e uma mulher! Depois do encantamento a filha foi descobrindo o pai sem escr\u00fapulo e sem respeito com quem tinha constru\u00eddo sonhos. Chocou-se. J\u00e1 conhecia esse filme! A revela\u00e7\u00e3o deu-se pouco tempo depois de estarem vivendo sob um mesmo teto. Com tra\u00e7os psicopatas, Andr\u00e9 Luiz sabia muito bem fazer igual a um morcego (chupa o sangue e lambe). Subjugava Maria Carolina nos pequenos detalhes da vida rotineira de um casal. Desrespeitava sua companheira, na intimidade e publicamente. Apelidos pejorativos \u00e0 sua imagem de mulher. Cr\u00edticas \u00e1cidas e destrutivas constantemente. Sentia-se o dono dela. Detestava que ela reagisse com brigas ou l\u00e1grimas. Dizia, com voz r\u00edspida ou sarc\u00e1stica, que ela era chata e mal humorada. Uma crian\u00e7a chorona! Precisava virar mulher e saber ser feliz com ele. Depois, simplesmente, fechava o tempo! (Atitude recorrente). Esses epis\u00f3dios significavam apenas uma pitadinha dos momentos abusivos que aconteceram ao longo de seu relacionamento. Almo\u00e7o em casa muitas vezes foram sin\u00f4nimos de brigas e humilha\u00e7\u00f5es. Andr\u00e9 Luiz despejava gratuitamente suas neuroses\u00a0 e tra\u00e7os patol\u00f3gicos de seu car\u00e1ter sobre sua bela e insegura Maria Carolina. Esse sofrimento sufocado, aos poucos, a foi definhando. Emagreceu. Deprimiu. Foi perdendo vitalidade e alegria de viver. Nessa auto sabotagem, inconsciente, Ana Carolina n\u00e3o percebia a areia movedi\u00e7a em que estava atolada. Sentia-se muitas vezes a vil\u00e3 da hist\u00f3ria. (Ser\u00e1 que sou eu a errada?). As palavras de Andr\u00e9 Luiz, muitas\u00a0 vezes, a convencia de ser a culpada pelo inferno emocional entre eles. &#8220;Duvidava dela mesma&#8221;! Assim foi transcorrendo o tempo e Maria Carolina resignando-se com o clima de desrespeito e humilha\u00e7\u00e3o. Adaptou-se naquela rela\u00e7\u00e3o, destrutiva e invasiva, de uma forma patol\u00f3gica. O fato de n\u00e3o conseguir engravidar foi outro aspecto que a enchia de culpa e aumentava sua baixa auto estima. Passou a sentir-se incompetente sexualmente, como mulher. Noites e noites mal dormidas.\u00a0 N\u00e3o conseguia se desvencilhar desta pris\u00e3o de depend\u00eancia emocional e de auto- sabotagem. Passados seis anos nesse quadro doentio, surgiu uma viagem profissional de Andr\u00e9 Luiz ao exterior. &#8220;Momento transformador!&#8221; Maria Carolina resolveu ir em segredo visitar a av\u00f3 materna que morava no sul. Desde que veio residir em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o tinha mais voltado \u00e0 Santa Catarina. Morria de saudades, mas n\u00e3o se permitia. Desta vez, resoluta, enfrentaria o seu medo. Encheu-se de coragem e foi matar\u00a0 suas saudades. Respirar ares novos. Nem questionou de onde veio essa for\u00e7a. (Foi assim como um passarinho acostumado com a gaiola mas que n\u00e3o esquece como era voar).\u00a0 Aproveitaria e mataria todas as saudades acumuladas e doloridas. &#8220;M\u00e3e e av\u00f3 moravam juntas h\u00e1 seis anos, desde o seu casamento&#8221;. Tinha no\u00e7\u00e3o de ter\u00a0 evitado esse encontro por conflitos entre elas e Andr\u00e9 Luiz. Definitivamente ele n\u00e3o gostava delas. Nem elas dele. Evitavam piorar o casamento fragilizado de Ana. Comunicavam-se atrav\u00e9s de telefonemas oportunos, embora a\u00a0 amassem muito.\u00a0 Andr\u00e9 Luiz as considerava ignorantes e desniveladas. Maria Carolina se afastou da fam\u00edlia tentando preservar o relacionamento j\u00e1 t\u00e3o desgastado. Abriu m\u00e3o de suas origens e afetos genu\u00ednos. Sentia-se amea\u00e7ada! (S\u00edndrome do sequestrador e sequestrado)! Agora, com a chance da viagem prolongada de &#8220;Dezinho&#8221;, sentiu-se invadida por uma nova energia.\u00a0 Resolveu ir passar um fim de semana. Talvez dar uma esticada maior.\u00a0 Aproveitaria tamb\u00e9m pra matar saudades dos amigos de inf\u00e2ncia. T\u00e3o esquecidos! Especialmente Renatinho, com quem, nos bons tempos, viajava nas ondas do mar azul. Soube que ele estava solteiro ainda. No dia da viagem, acordou ansiosa. Feliz da vida. Tomou um banho e caf\u00e9 r\u00e1pido. Chamou um taxi. Chegou cedo ao aeroporto. Cora\u00e7\u00e3o disparado. H\u00e1 quanto tempo n\u00e3o se sentia t\u00e3o leve! Durante o voo, sentiu-se literalmente nas nuvens. Assim que chegou em Florian\u00f3polis sensa\u00e7\u00e3o\u00a0 maravilhosa. Frio na barriga. Custou a acreditar. Prepararam uma festa surpresa. N\u00e3o esperava por tanta alegria. Radiante. Reviveu emo\u00e7\u00f5es profundas registradas na alma. Tanta gente querida! Encantou-se. Especialmente com\u00a0 Renatinho. Velho companheiro de tantas brincadeiras. Tornou-se um\u00a0 rapaz forte. Porte atl\u00e9tico. Surfista profissional. O abra\u00e7o entre eles selou um recome\u00e7o de algo que nunca deveria ter sido interrompido. Conversaram horas a fio. M\u00e3os entrela\u00e7adas. Nem disfar\u00e7avam a explos\u00e3o de sentimentos emergidos. A paix\u00e3o nasceu ali! O para\u00edso chegou. Maria Carolina n\u00e3o mais voltou \u00e0 capital. Abandonou seu c\u00e1rcere e o sequestrador. Quer surfar corajosamente nas ondas do amor pr\u00f3prio e auto respeito. J\u00e1 entendeu que o tom das \u00e1guas depende somente dela. N\u00e3o admite mais ser engolida pela baleia assassina. J\u00e1 sabe se proteger!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Carolina, catarinense, alta e esguia. Porte orgulhoso e nobre que tenta manter diante das adversidades da vida. 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