{"id":2567,"date":"2022-03-27T21:23:24","date_gmt":"2022-03-28T00:23:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=2567"},"modified":"2022-04-10T21:31:41","modified_gmt":"2022-04-11T00:31:41","slug":"saudade-cruel-aperto-no-peito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2022\/03\/27\/saudade-cruel-aperto-no-peito\/","title":{"rendered":"ABORTOS CRU\u00c9IS!( APERTO NO PEITO)."},"content":{"rendered":"<p>Realmente ele tinha raz\u00e3o! Sempre em nossas brigas, desde o namoro,\u00a0 quando o amea\u00e7ava que iria\u00a0 abandon\u00e1-lo, Sergio dizia meio que tirando sarro:- &#8221; Vai. Voc\u00ea n\u00e3o aguenta um dia longe de mim, boneca!&#8221; Furiosa eu zombava de suas palavras, ridicularizando-o. Nunca admitiria ser emocionalmente dependente dele, mas, na realidade, era simbi\u00f3tica mesmo. Respirava sua presen\u00e7a. Muita car\u00eancia minha! Amava mais \u00e0 ele que a mim mesma. Pensamentos e fantasias giravam em torno de Sergio. Paix\u00e3o aguda! Parecia uma doen\u00e7a. Tamb\u00e9m, tinha minhas raz\u00f5es. Ele era um perfeito galinha camuflado. Discreto, mas galinha! Eu ciumenta assumida. J\u00e1 tinha sido alertada por uma amiga sobre isso. Desde os tempos de faculdade ele era assim. As meninas sempre tinham um bom motivo pra falar com ele ao p\u00e9 do ouvido. E o pior \u00e9 que ele adorava. Eu sentia um misto de raiva e inseguran\u00e7a. Quatro anos assim. Angustias! Tempo passando. Formatura. Carreira. Muitas experi\u00eancias. Amamos e sofremos. Crescemos juntos.\u00a0 Brigas. Discuss\u00f5es inflamadas. Ele mais contido que eu, por\u00e9m, quando o bicho pegava. Terremoto! (Amar e sofrer s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es emocionais que ficam registradas no inconsciente). Em meio \u00e0 esse relacionamento tumultuado, de repente, a gravidez inesperada! Nossa! Ambival\u00eancia total em meu interno. Misto de alegria e medo. Conflito danado! Enfim. Assumimos. Fomos morar juntos. Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 vida nova n\u00e3o foi f\u00e1cil. Correria profissional de Sergio, junto a minha, acrescida \u00e0 gravidez. Contas a pagar. Rotinas de um casamento. Ufa! Em meio \u00e0 essa turbul\u00eancia surgiu na carreira de Sergio, uma importante viagem profissional ao Jap\u00e3o. Depois de muita conversas, decidimos irmos juntos. &#8220;Sempre quis conhecer a magia daquele pais&#8221;. Fantasias minhas, n\u00e3o faltavam naquela arquitetura \u00fanica. Nem questionei com meu obstetra, se havia algum risco para o beb\u00ea, estava me sentindo t\u00e3o bem! Imaturidade minha. &#8220;Parecia que a viagem era mais importante que tudo&#8221;! Durante o voo, n\u00e1useas e v\u00f4mitos me acometeram. Entrei em P\u00e2nico. Aflorou, inseguran\u00e7a descontrolada. N\u00e3o via a hora de chegar em terra firme. Nunca pensei passar por tanto medo na vida! Suava frio. Tive assist\u00eancia m\u00e9dica na aeronave de um m\u00e9dico a bordo. Medicou um calmante natural, no entanto, eu estava muito alterada. A gesta\u00e7\u00e3o de quatro meses, t\u00e3o tranquila se transformou em um imenso pesadelo! Assim que o avi\u00e3o pousou no aeroporto de Tokyo (Haneda), vieram fortes c\u00f3licas. Fiquei transtornada. Naquele momento senti o tamanho do medo de perder o meu beb\u00ea. (Insegura, num pa\u00eds t\u00e3o distante). Fui direto para o hospital. Ainda bem que Sergio falava ingl\u00eas. Os m\u00e9dicos explicaram que fizeram de tudo, mas, n\u00e3o deu jeito, o meu quadro piorou. Sofri um aborto. Doloroso demais. Chorei todas as l\u00e1grimas de uma vida. O mundo acabou para mim! Minha rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. N\u00e3o sei porque, passei a n\u00e3o conseguir olhar para a cara do Sergio. Acho que inconscientemente eu o culpava. Absurdo! Uma forma de fugir da culpa que assolava minha alma. No Jap\u00e3o, enquanto me recuperava numa cl\u00ednica, Sergio mal conseguiu realizar o seu trabalho. Est\u00e1vamos muito abalados. Voltamos calados para o Brasil. N\u00e3o suportamos a dor. Afetou nosso equil\u00edbrio emocional, profundamente. Sergio, ao contr\u00e1rio de mim, sabia sofrer calado! Era mestre nisso. Muito introspectivo. R\u00edgido. Eu s\u00f3 chorava. Nesse clima depressivo, fui direto para a casa de minha m\u00e3e. Estava precisando de colo amigo. Confian\u00e7a incondicional. L\u00e1 fiquei. N\u00e3o consegui voltar para a companhia de Sergio. Sentimentos confusos e absolutamente enlouquecedores. As entranhas sangravam! Depois disso nos separamos. Ap\u00f3s um ano, me vejo sozinha e ainda, amargurada. Saudade e culpa batem fortes. Saudade do filho que n\u00e3o conheci. Saudade do amor que perdi. Saudades de mim! Dos sonhos perdidos. O aborto despeda\u00e7ou tudo que eu tinha constru\u00eddo em minha vida de mulher. Hoje, trinta e quatro anos de idade, me sinto fr\u00e1gil e com muitas dificuldades de recome\u00e7ar a vida. Pensei at\u00e9 em entrar num convento e abandonar o meu cargo de\u00a0 secretaria executiva. Em meio \u00e0 esse sofrimento, na \u00faltima quinta feira, durante um caf\u00e9, conversando com uma cliente, Clarice, percebendo meu abatimento, com muito tato, sugeriu uma psicoterapeuta, que segundo ela seria capaz de me ajudar. Surgiu enfim, um ponto de luz. Quem sabe! Quero limpar sequelas de um aborto f\u00edsico e emocional que ficaram impregnadas em meu eu. &#8220;POR ISSO ESTOU AQUI&#8221;!<\/p>\n<p>Relato de Sandra Albuquerque, em sua entrevista\u00a0 no consult\u00f3rio de Ana Beatriz, psicoterapeuta especializada em Reich.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Realmente ele tinha raz\u00e3o! Sempre em nossas brigas, desde o namoro,\u00a0 quando o amea\u00e7ava que iria\u00a0 abandon\u00e1-lo, Sergio dizia meio que tirando sarro:- &#8221; Vai. Voc\u00ea n\u00e3o aguenta um dia longe de mim, boneca!&#8221; Furiosa eu zombava de suas palavras, ridicularizando-o. Nunca admitiria ser emocionalmente dependente dele, mas, na realidade, era simbi\u00f3tica mesmo. Respirava sua &hellip; <a href=\"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2022\/03\/27\/saudade-cruel-aperto-no-peito\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;ABORTOS CRU\u00c9IS!( APERTO NO PEITO).&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2567"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2567"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2567\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2587,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2567\/revisions\/2587"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}