{"id":2772,"date":"2023-02-26T15:22:11","date_gmt":"2023-02-26T18:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/?p=2772"},"modified":"2025-08-04T22:32:11","modified_gmt":"2025-08-05T01:32:11","slug":"maos-e-o-tempo-historia-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.conversasdocoracao.com.br\/blog\/2023\/02\/26\/maos-e-o-tempo-historia-emocional\/","title":{"rendered":"M\u00c3OS E O TEMPO! ( HIST\u00d3RIA EMOCIONAL)."},"content":{"rendered":"<p>Ontem, antes do jantar, casa de minha m\u00e3e, saboreava um &#8221; Tawny Port,&#8221; que Mariela, prima querida, trouxe de sua recente visita a Portugal. Bebericando, lentamente, foi me envolvendo,\u00a0 sensa\u00e7\u00e3o intensa de leveza e prazer. Cada micro gole preenchia minhas papilas gustativas, sensa\u00e7\u00e3o inebriante, de &#8220;quero mais&#8221;. Despertou lembran\u00e7as de uma vida. Lembran\u00e7as t\u00e3o cheias de afetos. Inf\u00e2ncia feliz! Inebriada, na medida em que tomava mais e mais goles, me ajeitei melhor na confort\u00e1vel cadeira de vime. Dali, dei uma espiada pela janela. Respirei fundo aquele ar perfumado pelas rosas do canteiro bem debaixo da janela . Quintal de terra batida, continuava o mesmo. Quase nada mudou. Cozinha ensolarada, toda energ\u00e9tica. Casar\u00e3o acolhedor! Tudo r\u00fastico. Muita madeira maci\u00e7a. Espa\u00e7os altos e amplos. L\u00e1 fora, ao lado do quintal de terra batida, pessegueiros floreando deixando uma lindeza pelo lugar. Encantada, imersa nessas lembran\u00e7as intensas, recheadas por tantos afetos e\u00a0 sensa\u00e7\u00f5es viscerais, vieram lembran\u00e7as de situa\u00e7\u00f5es brejeiras, engra\u00e7adas, ate de brigas bobas, chegando a ficar inflamadas, muitas vezes, mas, que invariavelmente terminavam em muito riso.\u00a0 Especialmente na cozinha. Quantas hist\u00f3rias! Ali rolavam longas conversas,\u00a0 enquanto se cozinhavam comidinhas deliciosas, invadia o ambiente e cheiros de temperos que despertavam\u00a0 os sentidos, dando \u00e1gua na boca.\u00a0 Emo\u00e7\u00f5es e lembran\u00e7as vinham sorrindo, algumas tamb\u00e9m machucavam.\u00a0 Saudade da tia Zinha, chegou com tudo. Doeu. L\u00e1grima escondidas! Costureira de m\u00e3o cheia. Irm\u00e3 de meu pai. Mulher forte, determinada. Amorosa como ela s\u00f3. Sempre me protegendo de minha m\u00e3e, contra castigos merecidos, resultados das muitas traquinagens que eu insistia em repetir. E o vestido de linho?\u00a0 Vermelho com\u00a0 bolas brancas. Tia Zinha confeccionou pra mim, especialmente, em sua antiga m\u00e1quina de costura.\u00a0 Presente de anivers\u00e1rio dos meus sete anos! Simplesmente, adorava aquele vestido que ganhei da tia Zinha. Mangas fofas e bolero. Lindo. Era o meu preferido. Usava todos os\u00a0 fins de semana, tran\u00e7as no cabelo e muita pipoca doce no parque. Quantas saudades.\u00a0 \u00a0Tempo bom e ruim! Tia Zinha partiu t\u00e3o cedo. T\u00e3o de repente. Doeu muito. Chorei um rio! N\u00e3o entendi na \u00e9poca, o porque do abandono. Nem doente ela estava. &#8220;Tias amadas n\u00e3o deveriam morrer&#8221;! A vida \u00e9 injusta. Envolvida em emo\u00e7\u00f5es ambivalentes, de um tempo t\u00e3o long\u00ednquo,\u00a0 tristeza e prazer misturados numa onda de sensa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m,\u00a0 num segundo, como se\u00a0 acordasse para a realidade, vislumbrei a linda toalha de renda branca que cobria a mesa de almo\u00e7o da casa onde nasci.\u00a0 Distra\u00edda, admirando aquela obra de arte, surgiu, diante de meus olhos, duas m\u00e3os,\u00a0 cansadas, marcadas pelo tempo. Percebi estarem tr\u00eamulas, movimentos lentos tentado colocar sobre a mesa um prato de seus petiscos especiais. Pela primeira vez, depois de uma vida, tive um olhar especial para as m\u00e3os de minha m\u00e3e! Manchas escuras deixadas pelo tempo, denunciando longo caminho trilhado. Emo\u00e7\u00f5es. Esse quadro pegou em\u00a0 cheio meu cora\u00e7\u00e3o. As marcas, no entanto, n\u00e3o esconderam a delicadeza de suas m\u00e3os! M\u00e3os expressivas. M\u00e3os quentes. M\u00e3os que muitas vezes precisaram mostrar limites amorosos. M\u00e3os que curavam! Secavam l\u00e1grimas. Ensinavam a viver! Filme em minha mente.\u00a0 Intenso e r\u00e1pido. Em meio a esse devaneio, devagar, levantei a cabe\u00e7a e deparei com\u00a0 um olhar terno e amigo, oferecendo o meu quitute preferido, (rolinhos de tofu com o molho especial da Lourdes). Delicia! Sua voz carinhosa, sussurrou ter feito especialmente pra mim. Zonza, mobilizada emocionalmente,\u00a0 sob o efeito de quatro ta\u00e7as de vinho e essa\u00a0 gama de intensas emo\u00e7\u00f5es, me sentia fragilizada, naquele momento.\u00a0 Sorte que mam\u00e3e nem notou! Meio zonza, olhei fundo em seus olhos. Ela esbo\u00e7ou aquele sorriso t\u00e3o seu!\u00a0 Brilho diferente no olhar. Nossos olhares se cruzaram. Conversaram no sutil de almas que se amam. Ali, dan\u00e7amos a nossa m\u00fasica\u00a0 como nunca antes!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem, antes do jantar, casa de minha m\u00e3e, saboreava um &#8221; Tawny Port,&#8221; que Mariela, prima querida, trouxe de sua recente visita a Portugal. Bebericando, lentamente, foi me envolvendo,\u00a0 sensa\u00e7\u00e3o intensa de leveza e prazer. Cada micro gole preenchia minhas papilas gustativas, sensa\u00e7\u00e3o inebriante, de &#8220;quero mais&#8221;. Despertou lembran\u00e7as de uma vida. 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