AS TRIGÊMEAS! (QUEM É ESSA FILHA?).

Sonhos acalentados. Amor incondicional. Noites e noites acordada. Choros. Risos no meio da madrugada. Dores de barriga. Leite quente escorrendo dos seios fartos. Enrijecidos de tanto leite! Olhos fixos nos meus enquanto mamava. Brilho das estrelas1 Sensação de vida intensa. Extrema felicidade. Muitas vezes cansada, dormia com uma delas no colo. Crianças amadas! Frutos de intensa paixão nascida lá na adolescência. Eduardo o grande escolhido. Meu homem das cavernas! Fase dos hormônios loucos. Sonhava ser mãe. Tudo tão intenso. Deus foi generoso comigo. Ganhei logo trigêmeas. Quis o universo que fossem extremamente diferentes, umas das outras, tanto na fisionomia, quanto, principalmente, na personalidade. Loira, morena e ruiva. Lindas. Lindas! Tentei dar o meu melhor, igualzinho, à todas elas. Cuidado e amor esbanjando pelas células, mãos e olhar.  Cada uma é única com sua própria sensibilidade e expressão. Reagem e agem, singularmente. Enquanto pequenas, era tão fácil lidar com essas diferenças, no entanto, após a adolescência, a vida tem feito estragos emocionais entre elas. Relações bagunçadas. Difícil de se lidar com os insistentes e inevitáveis conflitos.   Angústias recorrentes. Baixa de energia. Das trigêmeas, destaque especial à Camila. Exageradamente individualista. Segura de si. Tornou-se uma criatura distante, indiferente. Fechada em seu mundo idealizado. Sofro! Simplesmente não tenho acesso ao seu emocional.  “Coração dela anda blindado”! Temo que desmorone anos de construções emocionais, focados na união, carinho, respeito, confiança. Simplesmente não a reconheço mais. Cristine e Carla são mais Humanas. Não se escondem. Têm a coragem de expressar sentimentos. Será que idealizei as minhas meninas? Errei na educação? Muitas vezes sinto culpa mesclada com mágoa. Já Eduardo transformou-se num sapo! Muitas vezes sozinha, choro a dor da ausência.  Minhas meninas Cristine e Carla já saíram mais meigas. Gênios complicados, sim, porém, mais doces, presentes. Que saudades das tardes chuvosas com bolinhos de chuva regado a carinho. Lá assistíamos muito desenho animado, agarradinhas no sofá da sala de estar. Lembro que em dias de chuvas fortes, durante, raios e trovões, a gente se enrolava uma na outra, feito sanduíche de gente. Muito contato. Medo e afeto misturados invadiam o coração. Muita vida! O tempo passou. Caminhos e escolhas diferentes  foram acontecendo. Batalhei como uma guerreira louca tentando manter a família unida. Ganhei algumas batalhas. Outras perdi. Vida seguindo! Retaliações e emendas acontecendo. Dores e separações fizeram parte. Lágrimas salgadas. Tudo bem! Fui e sou paciente. Aguardo o universo conspirar a nosso favor. O amor há de vencer! Trabalho arduamente a dissolução dessa nuvem destrutiva que ousa invadir o meu jardim. E VAI PASSAR. ESSA NUVEM VAI PASSAR, SIM!

Queixa/conflito de Jéssica. Mãe das trigêmeas, do grupo psicoterapêutico em que participou. ( Workshop).

-GRUPO COM QUATRO MULHERES:- Cada integrante escreveria numa folha de papel o conflito presente em seu coração. Textos foram colocados numa caixa. Seriam sorteados. Cada situação seria trabalhada durante o workshop, na forma de psicodrama. (A psicoterapeuta coordenaria o trabalho). Objetivo- Expor e mobilizar o conflito, através de vivencia emocional, com a finalidade de buscar formas saudáveis de administrá-lo. Expandir a consciência em busca de resolução. Seriam trabalhados, também, aspectos importantes como empatia, identificação, acolhimento e contato. A Finalização seria  com um trabalho energético de integração entre as participantes.