LOUCURA OCULTA! (VIOLÊNCIA DOMÉSTICA).

Caminhos me levaram a você. Que caminhos aqueles? Porque? Seria destino? Droga! Podia ter pulado aquele dia em minha vida. Se eu tivesse uma bola de cristal! Jonas entrou tão sorrateiramente em meu coração. Quase nem percebi. Quando me dei conta já estava totalmente envolvida e encantada. Maior erro que eu podia cometer! Esqueci de mim. Foi tão intenso. Ficou mania. Doença mesmo. Perdi a identidade. “Virei Jonas”. Fui sua ridícula sombra! Auto crueldade me submeter a tanta agressão psicológica daquele homem. Over dose! Custou reconhecer o “ser humano menor” que estava ali e ao  tamanho em que eu estava me reduzindo. Cega por paixão! Paixão por um doente! Aquele ser arrogante não sabia o que era respeito a uma mulher. Abruptamente se transformava num animal feroz e insensível, alternando com atitudes de extremo agrado em momentos diferentes. Desproporcional! Desequilibrado mesmo! Esse traço de caráter perverso emergia principalmente quando ele se  defrontava com minha alegria. Acho que mobilizava seus sentimentos bloqueados. Muitas vezes, causticamente, falava que eu parecia hiena. Sorria do nada. Sem motivo! No começo disso tudo, nem ligava. Até achava engraçado. Quando as agressões foram ficando recorrentes e mais intensas, algo dentro de mim sinalizou que não dava mais. Eu teria que tomar uma atitude! Essas cenas insanas sempre ocorriam quando estávamos a sós. “Loucura inteligente”. Encobria seu desequilíbrio dos olhares externos, no social, disfarçando-se sob uma camada de bom humor e muitas brincadeiras. Era admirado pelo seu jeito educado, gentil e inteligente. Especialmente pela sua grana! “Socialmente, a imagem do bom menino”. Dentro de casa, a besta explodia! Bastava contrariar seus caprichos ou vontades, lá vinha o “Jonas louco”. Desrespeito total. Lado escuro, mesclando mel e fel! Alternava essa característica de seu caráter com atitudes doces, românticas, conturbando o meu mental. Ficava confusa. Enlouquecida, depois das crises. Sem saber o que fazer. Duvidava até de mim! Muitas vezes imaginava que talvez Jonas estivesse apenas estressado, quando arrependido  cabisbaixo pedia desculpas. Ficava feliz. Quem sabe? Mas, qual nada! Daí um tempinho ele se repetia em atitudes severamente neuróticas. Doentias. Nova decepção! Nova violência. Tentei ponderar e desculpar por quatro longos anos. Ele nunca quis fazer um tratamento psicológico. Sentia-se  perfeitamente equilibrado. Perfeito! Nesses tempos, muitas vezes, tive enorme vontade de sumir. Mandar tudo pro inferno. Virou uma gangorra a minha relação com Jonas. Baixos e altos. Altos e baixos! Muito mais baixos que altos. Minha energia sendo sugada de forma vampiresca. Com o passar do tempo fui mudando internamente. Cansando de perdoar. “O bom menino no social foi perdendo sua força dentro de casa”. Suas neuroses não engatavam mais em minhas neuroses. O nó lentamente se desfazendo. Ambivalência entre amor e raiva em que eu estava estagnada foi evoluindo num sentimento único, forte, anunciando sinais vitais de minha identidade. O meu emocional buscando  focar num caminho livre e claro. Amor e raiva se transformando em “Amor Próprio”. Lentamente e silenciosamente foi crescendo essa nova consciência, disposta a proteger minha integridade de mulher. Num belo sábado de sol aconteceu o ápice dessa relação emocional caótica que eu mantinha com Jonas. Animada, preparei uma reunião em casa, com amigos em comum. Por um motivo banal, o imbecil do Jonas teve a audácia de  armar um novo e intenso barraco em cima de mim. Coitado. Bem naquele dia! Sem perceber minha transformação interna, a fera atacou novamente. Se deu mal! Desta vez me pegou mais fortalecida. Cego, nem percebeu que eu estava diferente e muito disposta a buscar alegria de viver. Com ou sem ele. Como sempre, mostrou estar disposto a destruir o meu jeito de ser.  Covardemente extrapolou todos os limites possíveis de falta de respeito e consideração. Destruiu o meu emocional violentamente, como nunca antes. Imperdoável! Senti minhas energias enfraquecerem naquele momento. Tremia de raiva. Muito desequilíbrio daquele doente. Motivo banal! Estava segurando uma bandeja com copos cheios de cervejas, cantarolando com a música de fundo. Feliz. Distraída. Num repente, tropecei no pé de uma cadeira. Parece coisa do diabo. Jonas estava bem ali. Agachado. Amarrando o tênis. Sua bermuda ficou molhada pela bebida. Enfurecido levantou a cabeça abruptamente. Ficou em pé, soltando fogo pelo olhar. Transformou-se no demente que eu já conhecia. Rosto vermelho de raiva. Olhos saltando pelas orbitas. Até salivou. Furioso. Como se eu tivesse dado um soco no meio da cara dele, sem motivo algum. Reação absurda. Desproporcional. Insultou-me violentamente. Minhas pernas foram ficando trêmulas. Ele não ouvia minhas desculpas. Surdo. Esbravejava me chamando de vadia, desastrada, infeliz. Gritava que eu nunca fazia nada direito, mesmo. “Esses  os melhores elogios que ouvi”. Suas ofensas foram num crescer assustador  enquanto eu pedia mil desculpas. Soltou adjetivos pejorativos que derrubam qualquer dignidade quando tentei lhe explicar o ocorrido. (Nem passou pela cabeça dele que acidentes acontecem). Rir comigo do acontecido seria esperar muito daquele doente. Imagina! Aproveitou que estávamos sozinhos na sala de jantar e despejou toda a raiva de uma vida. Confesso que fiquei com medo ao perceber sua loucura sem limites. (O pessoal estava no quintal onde tínhamos montado a festa). Aquele olhar de ódio e violência no instante da fúria, registrou em meu interno o fim definitivo da nossa relação. Deu um estalo em minha mente. Conclui comigo mesma que aquele olhar  de ódio não queria mais sobre  mim. Não. Eu não merecia! Calada e decidida voltei à festa. Estranhamente tranquila. Depois de alguns minutos, como se tudo estivesse maravilhoso, surge Jonas. Com uma gelada na mão. Dissimulado. Brincando e rindo. Reafirmei em meu coração o que já havia decidido instantes atrás. A falta de respeito a minha pessoa estava sendo enterrada naquele instante! Com essa convicção, depois que todos foram embora e Jonas já estava em sono profundo, decidida, fui dormir no quarto de hóspedes. Sensação estranha em meu corpo. Respiração ora leve, ora acelerada. Parecia que eu estava anestesiada. No entanto, dormi profundamente naquela noite. Acordei ainda esquisita. Sonhos de recomeço em minha cabeça. Triste, por ter me auto sabotado durante tanto tempo. Permitir que humores violentos daquele homem quase anulasse minha identidade. Jonas, por sua vez, ao acordar, fazendo-se de vítima, como sempre, tentou me seduzir e se desculpar. Beijos forçados. Frios. Frustrou-se! Afastei-o com firmeza. Senti até um certo nojo!  Ele percebeu. Ficou sem chão ao perceber minha indiferença e decisão. Nunca tinha me visto assim. Resoluta! Ali mesmo, na cozinha, sem titubear, pedi o divorcio. Surpreso e agressivo gritou que eu estava louca. Que precisava me tratar. Concordei com sua ofensa. Falei que então não se metesse com uma louca! Que não seria mais seu tapete. Nem de homem. Algum. Não deixei o desequilibrado falar. Eu berrava! Meu coração saia pela boca. Vociferei todo o sufoco contido há anos. Ele ouviu tudo num silêncio assustador. Entendeu que era o fim. Silencioso foi embora de casa naquela manhã de domingo ensolarada! Levou junto seu ego inflado e alguns pertences. Não deixei que levasse nossa gatinha, Lila. Saiu só. Ele e seu carrão vermelho! Foi embora de minha vida deixando rastros de mágoas. Muitas feridas para cuidar. Natural que eu chorasse algumas noites. Não sei se de raiva ou saudades dos falsos momentos bons. Não importa. Lavar feridas com lágrimas ajudam na assepsia da alma. Ando com dó de mim mesma. Isso não é bom! Muitas vezes me sinto como criança sozinha, fragilizada.” Quem me dera voltar no tempo”. Jonas jamais seria uma escolha. Resgatar minha menina interna com a consciência de agora, é tudo que preciso. “SAUDADES DE MIM”!  – Queixa de Ana Rita, quando buscou psicoterapia. (Depois de participar de um Workshop na integração entre corpo e mente. Chegou em meu consultório na busca  de um trabalho emocional na linha de Reich). “Concomitantemente Ana Rita está começando um movimento social, na ampliação da consciência, em defesa das mulheres que sofrem violências domesticas, tanto físicas quanto psicológicas”.

ALIMENTOS LILAZES! ( SAÚDE INTEGRADA).

Hábito tem um imenso poder sobre a qualidade da saúde em geral. Através dele podemos selecionar formas doentias ou saudáveis de levar a vida. Quando desenvolvidos, norteiam atitudes, tanto emocionais quanto comportamentais. Padrão mental se forma exatamente com a repetição constante de situações, de pensamentos e de sentimentos. Interferem direto em nossas vidas. As pessoas ao longo da existência vivem inúmeras experiências e nesse processo crescem e amadurecem. Desenvolvem uma visão específica sobre saúde, família, relações afetivas, finanças, entre muitas outras. Geralmente esse processo se inicia na infância e segue pela vida. “Os padrões mentais nos estimulam a crescer ou nos limitam”. Definem nossas escolhas e decisões, na maioria das vezes. (O modelo mental é desenvolvido de acordo com crenças e  influencia o comportamento). A partir dessa consciência podemos medir a importância desse tema diante da vida. Abrir um espaço e viajar em nosso interior. Investigar modelos internos. Construtivos ou autodestrutivos? Pode-se tentar verificar desde o tipo de alimento que ingerimos para nutrir o corpo até os tipos de sentimentos com que alimentamos a alma. Identificar e alterar padrões nocivos é complicado; eles se tornam automáticos em nossas atitudes, porém é o único jeito para tentar reabilitar o equilíbrio mente-corpo. (Ajuda psicoterapêutica funciona bem). Pensamentos involuntários interferem o tempo todo. Outro caminho excelente é exercitar yoga.  Concomitantemente, referências em cursos ou leituras sobre alimentação saudável podem indicar os caminhos rumo à reparação do que foi cristalizado em nossa mente e não está nos fazendo bem. Tanto física quanto emocionalmente. (Integração entre mente e corpo pode ser transformadora). Impulsionar a mente nessa direção é um trabalho voluntário e demanda intenção e foco. É como fazer uma boa faxina! O resultado final é sensação de leveza. Sentir-se bem naquela casa! Vale a pena experimentar comer colorido. Legumes, frutas, verduras fazem a festa nas células da maioria das pessoas. Assim também como desintoxicar a mente e o coração de pensamentos e sentimentos negativos que realimentam atitudes neuróticas. “Padrão neurótico é  uma mala sem alça”! O efeito colateral dessa assepsia é a circulação da energia saudável e um novo olhar para a vida. Durante um papo desse tipo com alguns alunos de psicologia  muito mobilizados com o tema (lá pelo fim da aula), num momento de descontração, alguém do fundão expressa:- VOU ME DIVORCIAR HOJE. ALIMENTO LILÁS JÁ. RISADA GERAL!

FIM DO MUNDO! (DELÍRIO).

Sensação de bola de fogo baixando sobre a terra. Sol ardente. Queimava. Queimava muito! Elise não aguentava mais! Calor intenso vindo por todos os lados. Caminhava no deserto. Areias brancas e finas. Tão brancas. O reflexo do sol sobre elas turvava a visão. Temia que não desse tempo de chegar ao seu destino, embora não tivesse clareza sobre qual seria esse destino. Sabia que tinha uma missão a cumprir, mas, no entanto, também não tinha clareza sobre ela! De uma coisa tinha certeza: seria muito importante, vital, para sua evolução como ser humano. “Cumprir a missão”. Só teria consciência no fim do caminho! Confusa e culpada, sentia que não organizara prioridades essenciais. “Não podia ter negligenciado assim, meu Deus”! Agora – não tinha saída – correria o risco. Foi então que, pausadamente, observou ao redor. Assustada, percebeu que não havia nem um sinal de vida. “Nem uma formiga, que fosse”! Assustou-se! O sol cruel não perdoava. Cabeça fervendo (dentro e fora), apesar do chapéu. Medo acentuado aumentando. Ninguém para lhe dar a mão. Num impulso de vida, mesmo sem norte, acelera os passos tentando chegar em algum lugar onde se sinta mais segura. Bolhas ameaçadoras estourando nos pés. Dor beirando o insuportável! Garganta seca. Sede desesperada. Língua grudada na boca. Sensação de estar colada. Respiração curta e acelerada. Pensamentos confusos, enlouquecedores. Visões de aranhas imensas voando em sua direção; outras vezes, borboletas transformando-se em monstros carnívoros querendo atacá-la. Seu racional reagiu na tentativa de sobrevivência, recuperando parcialmente a lucidez, como último recurso.  Organizou os pensamentos! Tremendo esforço tentando sair daquela situação suicida. Essa breve recuperação não durou muito. Apenas instantes! Quadro mental caótico voltou. Visão cada vez mais embaçada. Sombras e vultos! Num milésimo de segundo pensou que as visões pudessem ser Anjos Salvadores. “Anjos e aranhas voadoras”! Simultaneamente. Duvidou de sua sanidade. Ambivalência total! Pernas muito bambas, mal conseguia ficar em pé. Sensação de desmaio. E o sol lá! Causticante, impiedoso, persistindo. Ignorava seu sofrimento! Já quase sem visão alguma, fecha os olhos, pisca bem forte, tentando melhorar a cegueira que sente se aproximar. Depois de repetir esse exercício, algumas vezes, como num milagre, consegue vislumbrar bem distante, lá no fim das dunas, vultos humanos se movimentando. Instantaneamente se revigora. Quis acreditar naquele vislumbre. “Sinal de vida se aproximando”! Força absurda emerge das entranhas. Acelera os passos naquela direção. Talvez tenha encontrado a saída! Nem sente mais a dor insuportável nos pés, tamanha a excitação. Começou salivar vida! Apressou-se. Passos acelerados. De repente se viu correndo. Correndo atrás da salvação! No entanto, foi percebendo alguma coisa estranha no ar. Por mais que corresse não sentia que se aproximava dos vultos avistados. Pior ainda, sensação que não tinha saído do mesmo lugar. Pensa em seu desespero: cadê as pessoas? Esfrega os olhos, agoniada.  Impotência esmorece de vez o  seu corpo. Pernas cambaleiam. Cai na areia escaldante como um saco de areia. Semiconsciente. Tem a sensação que uma nuvem enorme e  fervente está para cair em sua cabeça. Conforme essa nuvem se aproxima, ela consegue vislumbrar uma fumaça lilás e negra formando a frase  “FIM DO MUNDO!”. ( ELISE ACORDOU).

NÃO ERA HORA DE PARTIR! (ESPERANÇA).

Todas as manhãs a mesma rotina. Pontualmente, sete horas e trinta minutos, lá estava eu passando pela  praça da Avenida Joaquina. Arborizada, florida, linda, linda! Alguns ipês amarelos também enfeitavam o caminho. Nos dias ensolarados havia mais encanto ainda. Presente dourado da natureza ! Essa alameda ficava bem pertinho da biblioteca onde eu trabalhava como bibliotecário. Assim que me formei conquistei esse emprego. Foi festa. Grande sonho daquele momento de vida! Tanto prazer no trabalho que nem percebia o tempo passar. Adorava ler sobre plantas e suas diversidades e todos os temas ligados à agricultura. Sempre buscava  novidades sobre esses assuntos. Ali havia grandes obras. Sentia-me afortunado. Um verdadeiro privilegio! Assim que surgia um tempinho, aproveitava para buscar lançamentos interessantes. Num desses momentos, folheando um livro  relacionado à diversidade da “Floresta Amazônica”,  considerada a maior biodiversidade do planeta., absorto e surpreso com a citação das milhares de espécies de plantas, mamíferos, anfíbios, pássaros e peixes, enquanto virava uma página, ouvi uma  doce voz, meio infantil, dirigindo-se a mim, desfocando minha atenção! Indagou exatamente sobre o tema que eu estava folheando. Entreguei-lhe o livro. Era uma tarde de quinta feira. Primavera! Sol ameno invadia as janelas da biblioteca.  Foi assim que conheci “Esperança”! Estudante de agronomia. Mais ou menos vinte e cinco anos de idade. Introspectiva. Rosto sério. Cara de intelectual. Num cenho acentuado, as sobrancelhas moldavam um par de olhos extremamente expressivos e sonhadores. Seus olhos, ainda que doces, traiam um jeito rígido de ser. Não se encaixavam naquele rosto de expressão tão dura. Hoje, passado quatro meses, entendo diferente aquela expressão! Por trás daquela rigidez  e introspecção, se escondia uma menina insegura. Era sua defesa! Talvez tenha tido uma educação severa. Quem sabe! Esperança era linda. Cabelos longos e cacheados, de um castanho brilhante. Tinha o hábito de jogá-lo para trás com as mãos, sempre que eu puxava conversa com ela. Eu achava um charme. Adorava o momento em que ela chegava na biblioteca. Vivia fantasiando cenas incríveis entre nós. Ela nunca baixou a guarda! Inacessível! Acho que esse fato me excitava ainda mais. Quantos sonhos noturnos invadidos por Esperança! Virou vício, aguardar sua chegada todas as quintas feiras, à tarde. Parecia que ela e os ipês entravam juntos. Tamanha a energia, florindo, colorindo emoções! Menina mulher que emanava perfume agridoce, aromas que mexiam em meus desejos inconfessos. Essa contradição entre seu olhar e atitude tornou-se um mistério envolvente. Apaixonei-me por aquela menina. Perdidamente. Obsessivo. Não era normal pensar nela do jeito que eu pensava.  Vinte e quatro horas por dia, Esperança em minha mente. Brigava comigo mesmo! Raiva daquela dependência emocional que controlava os meus sentidos, sem receber o menor retorno. De vez em quando me sentia um idiota. Simplesmente não conseguia controlar o coração disparado quando ela chegava.. “Quintas feiras virou  paranoia”! Acordava feliz. Tomava um banho cheiroso. Escolhia uma roupa que encaixasse com o colorido daquele dia. Treinava expressões sedutoras frente ao espelho. (Repetidas vezes). Queria aquela menina para mim! Assim, o tempo foi passando. Eu sonhando como um adolescente. Até que numa quinta feira quente, início de verão, Esperança não chegou. Gelei! Fiquei angustiado! Ansioso. Esperei-a nas quintas seguintes. Qual nada! A menina difícil sumiu. Não deixou rastros. Sofri muito. Pensei em  morrer. “Como queria Esperança e os amarelos ipês de volta”! Saudades de seu olhar triste e sonhador. Foi cruel. Sonho destruído. Menina mulher não quis mais voltar! Parece que perdi pedaço de mim. Dia destes, num repente, enquanto trabalhava, senti seu cheiro passeando por lá. O coração disparou. Corri como um doido até o cantinho em que ela  gostava de ler. Decepção! Até duvidei de mim. Será que enlouqueci? Não havia nem sombra dela. Só o aroma agridoce emanando daquele canto. Podia jurar! Seria fruto da imaginação? Sei lá. Ultimamente a saudade anda me intimando:- CORRE ATRÁS DA ESPERANÇA SENÃO TE MATO!

QUAL É A SUA, CARA? (CÉREBRO).

Nunca mais vou deixar de consultar o “grande comandante”. Ele sabe das coisas. Todas as vezes que o ignorei foi um desastre. Não foi culpa minha! Não tinha ideia de sua força. Sempre fui desequilibrada mesmo! Parecia um animal, agia só através dos instintos. Simplesmente não conseguia reconhecer sequelas desastrosas de meus atos. Assim fui caminhando pela vida. Inconscientemente. Errei muito! Confusão emocional é o que mais me acometia. (Raiva mesclada com impotência). Sentia-me como numa gangorra subindo e descendo. Dois lados opostos: Potência e Impotência! Na impotência, a sensação era como se eu fosse uma sombra de mim mesma. Um fantoche! Sem forças pra tomar um simples banho ou alguma atitude saudável. Era como se eu estivesse morrendo. A vida não fazia sentido. Remédios psiquiátricos? Até tentei! Depois de algum tempo faziam lá seus efeitos, limitados. A longo prazo sabia que sequelas inevitáveis chegariam. (Falta de libido. Apatia. Dores musculares). Tinha muito medo de prejudicar ainda mais minha saúde tomando esse tipo de medicamento. (Escolhi interromper esse tratamento em pouco tempo). Já, na potência, o sentimento preponderante era a raiva. Invadia os meus sentidos, desnorteando ou bloqueando a sensatez. Horrível sensação! Não tinha lucidez psíquica pra identificar esse sentimento em mim. Sabia que algo estava errado, porém não reconhecia a base emocional que me impelia a uma agressividade desmedida. Nenhum auto controle sobre a situação. Minha saúde física gritava por socorro. Vários sintomas orgânicos foram emergindo. Fiquei até hipertensa. “Não queria tomar remédios para pressão alta, e, ao mesmo tempo, tinha  medo de enfartar sempre que sentia pressão no peito. A luz vermelha acendeu mais intensamente no último domingo de maio do ano passado. Crise brava me acometeu! Cinco horas da tarde. Motivo banal. A cafeteira quebrou bem quando eu estava meio deprimida e fui fazer um café. Comecei a passar mal. Parecia que ela era culpada em me frustrar. Arrebentei-a contra a parede. Perdi o auto controle! Surgiu uma raiva absurda. Raiva do mundo. Raiva de mim! Vontade de quebrar tudo que estivesse em minha frente. No coração, angústia incrível. Sensações assustadoras invadindo todo o meu ser, num crescer. Não me reconhecia. Poderosa força cegou-me. Explodia ou Implodia! Morreria assim? Conflito. Instintivamente, num gesto de sobrevivência, abri a porta, e fui andar na praia. “Talvez o mar com sua magia me acalmasse”. Assim que peguei ritmo no caminhar, a fumaça que embaçava os meus pensamentos começaram a se desfazer, lentamente. Ideias mais claras se aproximaram. Num repente, sensação de vida! Necessidade intensa de me livrar das energias agressivas que se apoderavam de mim. Entender de onde vinha aquela loucura toda. Porque? Qual seu significado? Mais calma e oxigenada, tentei conversar com meu cérebro. Estava difícil estabelecer esse diálogo, até então. Somente o emocional e o instinto andavam me comandando.. Num “insight “, enquanto acelerava os passos e um vento energético acariciava a minha face, pele, cabelos, foi nascendo uma sensação de leveza que envolveu todo o meu ser. (Naquele instante senti que era possível ser feliz). Voltei para casa. Revigorada e determinada. Foi o momento transformador dessa crise! Procurei uma excelente psicóloga. A terapia está ajudando a colorir a minha vida. Não vivo mais em preto e branco! Sabiamente ela está conduzindo a integração entre o que sinto e o que penso. Além de trabalhar os conteúdos emocionais que desencadeiam as crises insanas. A descoberta de minha força interna e a forma de administrar a impotência estão alterando a minha maneira de enxergar o mundo. Fiquei surpresa com o jeito que aprendi de lidar com a raiva. (Usar a razão antes da explosão). Faz a diferença!  É um exercício difícil, impedir que impulsos me dominem. (Questionar o comandante e respirar)! Já entendi que identificando o sentimento presente e a forma como o expressamos, pode ser o início da melhora. Essa consciência fortalece para o próximo passo que é conseguir diagnosticar o motivo da raiva! Entendi que tentar desviar o pensamento para um outro foco, desenvolve o auto controle. Dar um tempo antes de expressar! (Contar até dez lentamente pode ajudar). Evitar reações abruptas, irracionais. Outra forma é nos afastar do ambiente em que estamos, “dar uma volta”. Ponderar! Com a expansão da consciência a visão clareia. Até conseguimos avaliar a parte positiva do quadro estressante. Toda situação tem o aspecto positivo e o negativo. (Fixar no positivo). Vale super a pena. Aprendo também que a raiva bem dosada pode ser construtiva. É um sentimento legítimo. (Um diálogo com respeito e verbalização transparente, pode ser edificante). Além do mais alivia o peito sem destruir sentimentos e energias. Para se atingir esse equilíbrio é necessário fortalecer a mente e integrá-la aos sentimentos, cada vez mais. Tenho vivido sensações incríveis nessas experiências! Fato interessante:- Noutro dia, sonhei estar muito enraivecida. Meu cérebro brigava com uma raiva incontrolável, A raiva era bem escura, quase preta. Disforme e forte. O cérebro lilás tentava iluminá-la e diminuir sua força. Ela resistia muito. O cérebro não desistia! Essa aproximação forçada foi diminuindo a resistência da raiva. Num ímpeto inesperado, já enfraquecida, com medo de morrer, a raiva perguntou ao cérebro:- QUAL É A SUA , CARA? ACORDEI RINDO!

BATIDAS SELVAGENS! ( SUSTO REPENTINO).

Frio intenso nesse fim de tarde chuvosa. Inverno rigoroso. Encapotada até os pés, ainda assim o queixo treme. Vou até a sala de estar e acendo a lareira. Percebo que as lenhas estão acabando. Só dá para mais uma vez. Penso em ligar e pedir mais um bom tanto delas. Prevenir é sempre bom! Que gostoso; já estou sentindo o calorzinho invadindo o ambiente. Devagar vai ficando bem aquecido. Até esqueço do frio. Sensação deliciosa invade o meu corpo. “Sensação de útero materno”! Vou até a cozinha buscar um chá de erva cidreira. Meu favorito! Pego a xícara de porcelana vermelha que foi de minha avó. Tenho um carinho especial por ela. O chá fica mais gostoso. Adoro essa xícara! Volto à sala novamente. Retiro de cima da mesinha redonda de canto um livro e alguns artigos que estou começando a ler sobre “Auto conhecimento.” Presentão de meu amigo João. Ele adora psicologia! Folheio um pouco. Leio alguns trechos interessantes. (Costume antigo). A sinopse do livro resume a viagem fascinante ao nosso mundo interno. Continente muito pouco explorado pela maioria dos mortais! “A gente vive e morre sem se auto conhecer”! Um dos trechos descreve o conceito de Carl Gustav Jung, falando sobre o processo de individuação. Tornar-se um Ser integral. “Autônomo e independente”. Buscar o equilíbrio entre corpo, mente, alma, emoções e relações. (Precisamos manter essas áreas em equilíbrio para estarmos bem na vida). Começo a ler o primeiro capítulo. O tema vai se aprofundando um pouco mais, falando sobre dores do passado, relação com a mãe, o pai e a criança interior. Encarar as feridas para curar-se! Descobrir a máscara que foi construída para  proteger essas feridas que acabam encobrindo o ser. Aprofunda também sobre conteúdos psíquicos não expressos! “Soltar as feras”! Vou saboreando intensamente essa leitura. Pego um almofadão pra ajeitar melhor a coluna. Tomo um gole do chá, que nessa altura já esfriou. Infelizmente. Adoro bem quente! Leio outro trecho que aborda a importância do conhecimento de si mesmo. “Apropriar-se de suas qualidades, limitações, desejos, ambições. Facilita o autocontrole. Desenvolve objetivos de uma forma mais integrada”. O texto relaciona também a importância da prática da meditação como caminho da auto  realização. Essa prática ajuda  no processo de identificar o que precisa ser mudado e, a partir de nossa transformação, obter uma vida mais funcional e plena. Enfatiza que a ausência do auto conhecimento dificulta o nosso eixo, alterando o sistema energético, podendo fazer com que dependamos excessivamente da opinião do outro. Desenvolver auto cobrança exagerada e muita  crueldade consigo mesmo pode ser outra das sequelas. “Fragiliza a pessoa”. Fui me envolvendo com a leitura e não percebi o tempo passar. Nem o sono chegar. Cochilei mesmo. Também nessa sala quentinha! Acordei do cochilo com os olhos ainda sonolentos. Parecia que tinham areia. Percebi o livro entreaberto, caído no tapete. Branquinha, “parece uma bola de neve”, amada filhinha peluda, com uma das patas em cima do meu braço querendo me acordar. Sufocando-me com seus beijos. Que felicidade ter a minha Branquinha! Retribuo intensamente os carinhos. Afago muito seus pelos macios enquanto a encho de beijocas. Vou até a cozinha buscar chá quente. Enquanto isso, o telefone toca insistentemente. Olho para o telefone. Resolvi não atender. Era o Júlio César. Sempre inadequado. Caramba. Ele consegue! Estou me sentindo tão bem aqui. Julinho (assim que o chamo), detesta livros! É um cara legal, mas, pessimamente formado. O que me atraiu nele é a espontaneidade e o seu jeito natural de ser. Não tem o menor interesse em entender como funciona o psiquismo. Tento trabalhar nossas diferenças o tempo todo! Não sei se vai dar! Tenho um interesse enorme em conhecer minhas profundezas e buscar equilíbrio entre a mente e o o corpo. (Júlio Cesar é meio ignorante, só gosta de ouvir notícias na televisão. Nada intelectual)! Para mim, leitura é vitamina! Enquanto divago sobre isso, percebo, fixados em mim, dois olhinhos brilhantes e curiosos. Não aguento! Rolo no tapete com a bolinha de neve até a gente se cansar. Esgotada, ela adormece em cima da almofada como um anjo. Sento-me na posição de eixo. Respiro fundo. Tento contatar  sentimentos presentes. Conecto. Relaxo! Começo a meditar e identificar sensações. Entregue, numa sintonia absoluta com o meu eu; nesse momento sou interrompida com fortes batidas na porta (campainha quebrada).  Branquinha acordou assustadíssima. Latiu muito. Peguei minha linda no colo. Senti seu coração disparado. Apertei-a contra o meu peito, com muito carinho. Fui pra bem perto da porta, reconhecendo aquela batida, pergunto meio brincando : QUEM SERIA O SELVAGEM? MUITOS RISOS VINDOS DE FORA!

QUERO PAZ! (CONTURBAÇÃO).

Não me venha com suas lamúrias disfarçadas escurecer o meu olhar. Você representa nuvem que antecede tempestade. Mal se aproxima a paz vai embora. Um inferno! Sua história de abandono e rejeição justifica atitudes destrutivas que você sempre expressou diante da vida. Você nunca cuidou disso! Tentei de todas as formas lhe ajudar. Até indiquei terapia. Muitas vezes parecia um louco. Não deu! Seu vampirismo sugava minha energia. Da última vez tinha jurado que não lhe daria mais nenhuma chance. “Insanidade mascarada de amor”! Rasguei sua máscara. Deparei com muita raiva e egoísmo. Impressionante! Assustou minha alma serena. Decidida, exclui você de minha vida. Não foi nada fácil! Sentimento forte, mesclado de mágoa e amor, sem norte, me afligindo por longo período. Num primeiro momento parecia que meu peito iria explodir.  Sorrateiro, esse sentimento enganou meu consciente. Escondeu-se num ponto desconhecido de meu ser. Queria se proteger da dor. Não podia mais se expor. Desestabilizou minha energia orgânica completamente. Adoeci. Chorei. Chorei muito. Lavei a alma! Demorei um bom tempo pra recuperar a saúde mental e meu equilíbrio. Enfim, resgatei o amor próprio! Meu coração menino recomeçou a sonhar novamente. Liberto e maroto, não quis mais saber do que sofreu. Queria viver! Agora, no meio desse baile animado da vida, onde ritmos se alternam entre samba, valsa, jazz, você reaparece em meu céu. Nova máscara. Novas promessas. Brotou uma sensação ambivalente “amor e medo”! Nuvens ameaçadoras ressurgiram! Só de imaginar tempestades se reaproximando, o sangue gelou! Frio na barriga. Fiquei esperta. Não me permiti errar novamente. Prestei mais atenção em meu coração. Não dispensei o cérebro. Desta vez você me pegou mais integrada. Suas falas e xavecos,  enfraqueceram. Não me seduzem mais. Estranhei você! Não o quero mais. Meu sistema reptiliano repetiu forte: NÃO!NÃO! NÃO!

ALZHEIMER! (ALTERAÇÃO NA MEMÓRIA E COMPORTAMENTO.).

Francisco, sempre foi um rapaz fora de série. Quando jovem, jogava bola como ninguém. Atacante do time, Chiquinho começou num time de várzea e, descoberto por um olheiro, transformou-se num grande profissional. Aos dezoito anos já era muito valorizado no meio futebolístico. Fechou contratos importantes no decorrer da carreira. Aos trinta anos tinha armazenado um bom dinheiro, graças ao pai, seu empresário. Soube administrar seus ganhos. O poder e o sucesso não afetaram seu caráter equilibrado, ao contrário do que normalmente acontece com jogadores. Esteva em plena carreira, já com trinta e dois anos, quando sofreu um acidente de carro que o excluiu, definitivamente, da carreira de futebol. Sofreu. Traumatizante para ele! Como tinha boa estrutura emocional não se entregou. Organizou-se! Depois de pouco tempo abriu uma empresa na área de “equipamentos eletrônicos” com economias acumuladas. Contratou gente de peso.  Empenhou-se. Era determinado. Estudou  tudo sobre o assunto. Buscou parcerias especializadas. Assumiu um sócio minoritário, amigo antigo e seu admirador. Depois de quatro anos de muito trabalho, começou a receber os frutos. Vida mais tranquila! Apaixonou-se por Jasmim. Conheceu-a no meio profissional. “Era realmente uma flor aquela menina”! Casou-se. Seu lar foi colorido por duas filhas, Joana e Laura. Paixões de sua vida, além de sua mulher, claro. O tempo passou! Francisco trabalhando mais do que devia. Centralizador. Tinha dificuldades em delegar. Traço espertamente muito explorado pelo sócio e gerências. “Facilitava a vida deles”! Na verdade ele trabalhava por todos. Era sempre ele que resolvia os maiores problemas. Além do mais, era muito humilde. Não se apropriava de seus feitos. Sempre dividia  conquistas, sem cobrar maior participação dos integrantes de primeira linha. Desgastava-se demais. Muitas vezes, ficava em seu limite energético mínimo sem se dar conta. Vivia descompensado pelo excesso de trabalho e preocupação. Dores no estômago. Baixa glicemia. Tomava lá seus remédios e dava um jeito provisório nessas reações orgânicas. Assim o tempo foi passando. Além do desgaste físico do futebol, acumulou também intensos estresses de sua atuação na área executiva.  Com cinquenta e dois anos começaram a surgir dores intensas nas articulações, comprometendo-o profissionalmente, mais uma vez. Concomitantemente, seus reflexos foram ficando mais lentos que o normal para a sua idade. Resistiu muito em aceitar essa realidade. Não se conformava. “Não tinha história genética para isso!”. Assustado, tentava disfarçar os problemas, esforçando-se para parecer normal. (Reflexo é uma reação corporal automática, imediata e constate. Uma lesão que interrompe o arco reflexo em qualquer uma de suas partes pode provocar perda do reflexo. Estruturas encefálicas podem exercer ação inibitória ou estimulante sobre os reflexos). Como estava ganhando peso muito rápido, suspeitou-se que poderia ser “hipotireoidismo”. Essa possibilidade foi descartada. Depois de uma bateria de exames e de uma ressonância magnética cerebral, foi diagnosticado com início de “ALZHEIMER PRECOCE”. Iniciou tratamento clínico pra melhorar  sintomas e a qualidade de vida. Foram indicados muitos exercícios aeróbicos, de força, equilíbrio e coordenação. Exercícios em grupo, como caminhada, corrida, hidroginástica, natação, são eficazes tanto física quanto emocionalmente. (Vida natural e menos estresses facilitam a circulação energética). Como tratamento adicional, foi sugerida a utilização do óleo de cannabis. Estudos apontam que ele ajuda a conter a formação de beta-amilóide no cérebro (fibra proteica pegajosa que se junta rapidamente e forma placas prejudiciais  ao funcionamento da região onde é formada). Sua família unida contra esse monstro invisível deu a maior força a Francisco. Com a introdução desse novo estilo de vida, cheio de esportes, respiração e alimentação saudável, uma nova esperança nasceu. Jasmim, Joana e Laura bolaram um programa legal em família. Resolveram fazer do limão, limonada! Divertiam-se, brincavam e trabalhavam respiração em grupo. Duas vezes por semana. O clima de doença foi dando espaço a uma nova vida. Além disso, Francisco foi fazer terapia num grupo masculino. Lá transformou-se numa nova pessoa. A neurose e a doença perderam espaço. Articulava emoções, pensamentos, sensações, explorando e expandindo sua capacidade cerebral. Fazia parte trabalhar sonhos e alegria de viver. Voltava de lá renovado! Começou a fazer quadros coloridos e cobiçados. Conquistou um público. Fez exposições. Muito entusiasmado com a nova vida, ninguém o reconhecia mais! Essa nova fase possibilitou descobertas e renascimentos inesperados. Voltou a sentir a vida melhor do que antes! Centrado. Autêntico. Parece que descobriu que não precisa mais responder às expectativas do outro. Noutro dia comentou com a Jasmim: NUNCA SENTI TANTO O TEU PERFUME!

AVISO DO INCONSCIENTE! (MENSAGEM SIMBÓLICA).

Sonho de Gustavo: Estava com sua filha de trinta anos, no andar de cima do sobrado ensolarado, cheio de boas energias, onde tinham morado com a mãe e duas irmãs, durante muitos anos. Vista para a serra. Muito verde ao redor. Maritacas, muito frequentes naquela região, cantavam em coro, orquestradas pelo vento. No sonho, porém, a sensação era outra. Sensação de vazio! Estava noite. Silêncio. Luzes acesas onde estavam. Só Gustavo e sua filha na sala do piso superior. A parte térrea da casa, totalmente escura. Gustavo ouve um barulho vindo de lá. Se assusta! Imediatamente pensa em assaltantes. Coração dispara. Cautelosamente, desce as escadas para ver o que estava acontecendo. Enquanto isso, sua filha Ariane permanece no andar de cima. Gustavo abre a porta da sala do andar térreo, cuidadosamente. A luz da rua entra pelas frestas iluminando parcialmente o ambiente. Espia! Olha para todos os lados do quintal. Percebe que folhas caídas faziam ruídos, movimentadas pela ventania que estava começando. Imediatamente fecha a porta com trancas e puxa os cantos das cortinas das janelas, fechando-as completamente. (Acordou)!

Descrição de Gustavo:  Homem maduro. Inteligente. Machista, sensível e articulado. Caráter extremamente rígido. Muitos conflitos entre o racional e o emocional. Dificuldades intensas em ser espontâneo e natural. Sem se perceber, muitas defesas fazem seu comportamento fora de casa ser extremamente gentil e falso com ele mesmo. Isso lhe acarreta uma cisão entre o que faz e o que realmente deseja. Medo de ser rejeitado! “Baixa auto estima”. Tendência a super valorizar os outros! Em contra partida, no ambiente intimo, solta as feras! Ali, compensa  as contenções que se impõe no ambiente social. Exageradamente crítico e ácido. Qualidades que desenvolveu por intensas raivas e humilhações contidas. “Exige dos íntimos o que sente que exigiram dele mesmo”! Desta forma alimenta a sua neurose (conflito inconsciente). Assim vai vivendo insatisfeito e descompensado energeticamente.

Interpretação: Gustavo está num momento de tomar decisões importantes em sua vida. Construir mudanças radicais ou continuar patinando nas neuroses cristalizadas. Precisa conversar com sua primeira natureza. Apropriar-se de sua realidade, saudavelmente. O sonho traz Ariane, sua filha, tão carente quanto ele. Ambos no andar de cima (precisando se auto cuidarem). Estão sozinhos, sem contato com o chão! O andar de baixo está escuro (contato com o chão). Chão dá segurança! Inseguros com o barulho. Gustavo desce cautelosamente. Abre a porta, luz da rua ilumina a sala (enfrentamento). Percebe que o barulho que ouviu era das folhas esvoaçando. “Fecha a porta e os cantos da cortina”: defesa (medo de ser visto)!. Risco do que isto significa à sua vida.

Momento de vida: Gustavo vive um intenso conflito. Empresário bem sucedido, tem um sócio, de temperamento controlador, mais rígido do que Gustavo, ainda. Quer morrer trabalhando, único prazer de sua vida! Na empresa, age como se fosse o presidente. O único dono! Seu ego é maior que suas habilidades e funções. Disfarça bem! Aos incautos,  pega de surpresa, induzindo ao caminho que quer. Sempre na intenção de não “perder o seu brinquedo”. Não quer vender a empresa de jeito nenhum.. Isso representa um grande conflito para Gustavo. Ele, ambivalente, tem grandes preocupações em gerar conflito na sociedade. (Insegurança). Não consegue ser claro e transparente o suficiente e expressar que não dá mais. Quer realizar voos sonhados, conectados ao seu emocional há tempos! Por outro lado, tem muita dificuldade em vender a empresa, construção de sua vida, mesmo já tendo sentido nas vísceras que, sem isso, não será possível sua realização plena. Gustavo sente que o fator tempo está correndo contra seus anseios. Conflito instalado!

Processo terapêutico: Trabalho em seus traços de caráter.  Traumas, estresses em sua história de vida. Tentar integrar seu emocional com a sua realidade. Desconstruir os  medos, inseguranças, raivas contidas “teias de aranhas”. FAZER AS PAZES COM O CORAÇÃO!

NÃO DEIXE O SEU JANTAR PRA DEPOIS! (AUTO-SABOTAGEM).).

Carlos Henrique, empresário, sessenta anos. Trouxe um sonho: numa sala ampla de um casarão antigo estava havendo uma festa. No centro da sala uma mesa grande, retangular, com imensas travessas repletas de alimentos, variados e saborosos. A maioria das pessoas já estavam se servindo à vontade. Carlos Henrique chegou acompanhado de sua mulher, Carla. Percebeu que as comidas já estavam escasseando, porém, mesmo assim, ainda havia muitas iguarias. Ele e a esposa começaram a montar seus pratos. Carlos Henrique foi logo nos pratos preferidos. Assim que avistou abóbora recheada, salivou! Colocou no prato duas porções bem servidas e foi pegar o seu indispensável arroz integral e alguns refogados verdes. Anda evitando carnes. Tem considerado a condição de se tornar vegetariano.  É bem mais saudável para o organismo! Além disso, principalmente, existe a questão de não se alimentar através da dor dos animais! Influência de Carla, vegetariana há mais de vinte e cinco anos. “Mulher cheia de saúde e energia”! Enquanto ele montava o prato, surge uma das gerentes de sua empresa e comunica que haveria uma comemoração formal aos casados, no andar de cima. Sua mulher, logo de cara, disse que não iria. Foi sentar-se para almoçar. Carlos  Henrique ficou em conflito. Tem muita dificuldades em dizer “NÃO”, socialmente. Suas prioridades pessoais sempre estão em segundo plano. “Atitude que irrita profundamente a sua mulher”! Depois de repensar e perceber a atitude de Carla, ele decidiu também que não iria. Voltou para pegar o prato que tinha depositado na mesa, mas o garçom já o havia retirado. Carlos Henrique, com fome, disfarçadamente, pegou um novo prato e se contentou com alguns restos que sobraram nas travessas. (Acordou).

ANAMNESE: Carlos Henrique construiu com muito empenho e determinação a empresa que hoje lhe dá conforto financeiro. Não seria sua melhor escolha na juventude (tinha fortes dons artísticos). Adorava cinema! Entendeu, porém, que para ganhar dinheiro tinha que ser empresário. Precisava garantir a vida. Muito inteligente! Espírito empreendedor. Deu tudo de si. Construiu o seu sucesso financeiro e social. Por outro lado, porém, lhe custou um preço alto. “Dinheiro e sucesso não compram felicidade”! Reprimiu muitos sonhos e um jeito natural de ser.  Viveu longos anos no automático. Respondendo muito às expectativas que os outros tinham dele. Mesmo fora do trabalho esse comportamento se repetia. Sua mulher muitas vezes enfrentou o comportamento desajustado do marido, com muitas discussões e conflitos. Quantos aniversários sozinha! Quantas noites solitárias. Ele simplesmente não conseguia valorizar afetos mais do que trabalho. Mesmo um trabalho sem importância, ele achava fundamental sua presença. Não se permitia!  Agia como se fosse um funcionário com receio de ser demitido. Não conseguia agir como proprietário e usufruir de momentos emocionais, tanto pessoais como familiares.  Foram trinta anos de ausência em datas especiais da família. Sempre houve um motivo como justificativa. Não se deu conta que ficava infeliz com atitudes tão rígidas, bloqueando sua sensibilidade e sonhos. Durante esse período surgiram muitas alterações energéticas através de sintomas psicológicos ou somáticos. Não entendia o porque desse quadro. Sua primeira natureza ficou aprisionada neste percurso. “Afetos essenciais  não vivenciados”. Relatou em sua história de vida, ter sido obrigado a ficar distante da mãe e da família, num colégio interno, por longos anos. Estudou muito. Sofreu também! Revoltado, calado. Seu foco mental tornou-se somente crescer socialmente. Desenvolveu racionalidade extrema. Comportamento político e cordial. Todos gostavam dele.(Internamente vazio emocional). Não sabia dizer não! Esse comportamento facilitou entradas de pessoas fúteis e artificiais em seu núcleo de amigos. Divertido e articulado. Vivia muito de aparência. Com trinta anos se envolveu com Carla, sua secretária. Na verdade ficou atraído por sua beleza. Jeitosa, sensível e feminina! “Sorte grande”! Inteligente e tolerante, soube ser companheira. Conseguiu enxergar a alma carente de Carlos Henrique! Soube ter calma e compreensão acima do que se pode esperar de uma mulher. Carlos Henrique de algum jeito  desenvolveu algumas atitudes na relação para compensar intensas neuroses trazidas em sua bagagem. Carla nunca perdeu a esperança de ver seu marido mais humano e menos máquina!

QUEIXA: Sonhos recorrentes, como o citado acima, tem bagunçado muito a forma mental extremamente organizada de Carlos Henrique. Anda ansioso e angustiado. Dia destes, acordou no meio da noite sufocado, coração disparado. Suor frio. “PRECISA LIVRAR-SE DAS TEIAS E CUIDAR DE SUAS IGUARIAS”!