BARULHO DENTRO DE MIM! (SAUDADE).

Sons e ruídos são sinais de movimento. A vida é barulhenta! Sons tem suas frequências. Podem variar em diferentes níveis. Do mais silencioso ao mais alto. Eles influenciam nosso equilíbrio! Nosso organismo tem seus sons próprios. O universo também. No universo, parece que o som mais alto vem de fusões de buracos negros, sons em ondas gravitacionais. A terra tem seu zunido! Todos os seres vivos emitem seus ruídos. Internos. Externos. Silêncio pode ser prenúncio de morte. (Se você evita encarar o barulho do conflito para manter a paz, começa uma guerra dentro de si mesma). Guerra maltrata e mata! Acordei hoje azucrinada por um som intenso. Ameaçador. Altos decibéis disparando o coração ansioso. Parecia que ia implodir. Era um som só meu! Brigas intensas entre emoções. “Pandeiro forte machucando o peito”. Paixão vívida. Ruidosa. Insana! Que saudades meu Deus. Saudades de morrer! Som ressuscitando vida. Não aguento mais, amor. VOLTA PRA MIM!

BRAÇOS QUENTES E PELUDOS! ( ROTINA MENTAL DOENTIA).

Assim que se conheceram, Eleonora e Heitor viviam grudados. Todos comentavam que eram almas gêmeas. O namoro era uma festa! Ela de uma meiguice sem tamanho. Ele representava o papel do bom menino. Solícito, amável e prestativo no social. A mudança surgiu depois de algum tempo de casados. Heitor se transformou num homem grosseiro e agressivo. Desta forma passou a projetar sua intensa neurose camuflada.  Queria ser o soberano. O admirado! Ocupar todo o espaço. Suas palavras e decisões não podiam ser contestadas. Não respeitava Eleonora, sendo constantes suas agressões emocionais. (Agressão domestica). Heitor projetava todas os sentimentos ruins contidos, decorrentes da péssima relação que teve com a mãe. (Rejeições e frustrações). Quanto mais Eleonora expressasse compreensão e paciência, mais grosseiro Heitor ficava. Um inferno! Isso o fortalecia. (Muitas raivas contidas). Ele nunca tocou nesse assunto com a mãe. (Pacote fechado dentro do peito). Mulher rígida e esperta. Um gelo! Expressão felina. Fazia dele o que bem queria. Não enxergou o mal que causou ao filho. Incapaz de fazer um carinho. Só o estudo foi o  projeto de vida que reservou para ele. Ficou distante de Heitor durante anos, isolando-o num internato de padres. Ele chorou muito. Nunca a perdoou! Sofreu em silêncio. Garoto sensível e amoroso, desenvolveu um padrão de caráter rígido. Regredido emocionalmente. Intelectualmente diferenciado! Todos o admiravam. Eleonora nunca imaginou que esse seria o grande problema em seu casamento. Também, como podia uma menina moça como ela pressupor consequências de todo esse pacote em sua vida? Eles se davam tão bem! Na cabeça dela só rolavam fantasias e sonhos. Vivia intensamente a mágica paixão por aqueles olhos verdes. Era como um Deus para ela. Encarar o lado oculto do comportamento doentio de Heitor foi sofrido demais. Sentiu-se traída! Ele não era a pessoa com quem havia se casado. “Injusto a vida fazer isso com uma sonhadora!¨. Fazia tudo que uma mulher podia fazer para tentar ser feliz com ele. Deletou dívidas emocionais acumuladas. Longas dívidas! Perdoava sempre! De vez em quando pensava que as coisas podiam melhorar. Ela acreditava que ele não era aquele agressor barato. Naquele fim de ano ela estava feliz. Há duas semanas Heitor estava menos desequilibrado! Não tinham brigado. Até pensou em preparar um natal em grande estilo. Sentia-se leve. No entanto a realidade traiu novamente Eleonora. Na manhã de quinze de dezembro ela acordou bem cedo. Cantando. Preparou o desjejum costumeiro. Banana assada com aveia, queijo branco e um café bem fraco. Até torradas integrais! Do jeitinho que Heitor gostava. Saudável e natural. Tudo pronto. Lá fora, Eleonora teria um dia cheio de trabalho. Correria total. Sem tempo pra nada. Mesmo assim priorizou a relação. Dez minutos  junto dele, na manhã fresca, era um presente para ela. Eleonora foi até o escritório e chamou-o com carinho. Chocou-se com a reação estúpida e agressiva de Heitor. A leveza e o bom humor que Eleonora estava sentindo, até então, foram substituídas por uma carga de raiva intensa. Heitor falou rispidamente pra ela calar a boca e não atrapalhar a sua leitura. Essa reação despertou demônios internos nela. “Ofereceu flores e recebeu espinhos!¨. Muito irada, pensou em partir para o revide. Aquela atitude desequilibrada repentina de Heitor, transportou Eleonora a um lugar em que ela tinha  jurado não mais voltar! Violência emocional, não iria mais admitir. Eleonora sentia que estava traindo sua essência e dignidade! A resposta de Heitor foi como um raio caindo sobre a sua cabeça. E diante da insistência dela querendo contornar a situação, Heitor ainda completou:- “Para de encher o saco! Vai tomando o seu café!¨. Eleonora sentiu um aperto no peito. Pensou que estava enfartando. Seu corpo ficou todo dolorido dando sinais de que não admitiria mais que o tratassem assim. Como se ela tivesse levado uma surra! Estressada, cabeça confusa, pensou em dar um basta no casamento naquele mesmo instante. Foi tudo muito rápido. Num milésimo de segundo implodiram emoções absurdamente contidas. Ela se estranhou. De-repente um branco mental em Eleonora. “Foi como  uma pausa entre o sentir e o pensar”. Respirou fundo. Bem fundo! Lentamente foram surgindo em sua mente, cenas de historias tocantes vividas com Heitor. Recuperou sensações. “Parecia auto sabotagem!¨. Como num filme! Frio na barriga. Conflito! Vingança ou perdão? Sangue pulsando. Eleonora era uma irremediável apaixonada  por Heitor. “Atração de pele é um animal indomável”. Só em pensar nos braços quentes e peludos dele, envolvendo-a por inteiro, suas pernas bambeavam. Atiçavam desejos profanos. Primitivos. Gangorra emocional prevalecendo.  Ambivalência. Queria Heitor. Não queria Heitor! Dividida. Incapaz de se libertar. NOVAMENTE OS SENTIDOS IMPERARAM. A GOTA AINDA NÃO EXTRAPOLOU!

(Eleonora apresenta um quadro de dependência emocional. Identidade fragilizada. Auto estima e auto conhecimento poderão fortalece-la e ajudá-la. Psicoterapia é bem indicada).

BOCA DE BALEIA. ( RELACIONAMENTO ABUSIVO).

Maria Carolina, catarinense, alta e esguia. Porte orgulhoso e nobre que tenta manter diante das adversidades da vida. Criada a beira mar, adorava andar descalça nas areias macias das praias que frequentava. Uma ligação muito íntima com as águas. Sempre nadou como sereia. Nos dias de boas ondas pegava sua prancha e sumia no mar. Com a separação de seus pais, aprendeu a se defender sozinha das angústias que acometiam o seu coração. Foi difícil enfrentar essa nova realidade. Muita coisa mudou em seus dezessete anos de vida. As águas já não eram tão azuis! Amava seu pai. Modelo de homem. Imperfeito, perfeito! Identificava-se com ele.  Modelo desfeito como vapor dissipando-se no ar. Insegura e triste buscou desesperadamente novas referências. Nesse estado de extrema fragilidade, conheceu André Luiz. Personalidade semelhante à do pai ausente. Visual bonito. Determinado e inteligente. Sedutor. “Soube seduzir a sereia”! Num repente, para ela parecia que a vida estava colorida novamente. Transferiu para “Dezinho”, esse era seu apelido, toda sua carência e instabilidade emocional. Ele, com vinte e oito anos de idade, agia como um homem maduro e experiente. Aspectos que encantou ainda mais Maria Carolina.  Em seu interno houve uma substituição da figura paterna. (Começo do grande problema)! Sem se dar conta, entrou nessa relação com o papel de filha. (Teria que obedecer às regras de Dezinho). A mulher cheia de desejos e sonhos ficou escondida, bloqueada em seu interior. Sem identidade adulta. Relação iniciada fora dos padrões saudáveis entre um homem e uma mulher! Depois do encantamento a filha foi descobrindo o pai sem escrúpulo e sem respeito com quem tinha construído sonhos. Chocou-se. Já conhecia esse filme! A revelação deu-se pouco tempo depois de estarem vivendo sob um mesmo teto. Com traços psicopatas, André Luiz sabia muito bem fazer igual a um morcego (chupa o sangue e lambe). Subjugava Maria Carolina nos pequenos detalhes da vida rotineira de um casal. Desrespeitava sua companheira, na intimidade e publicamente. Apelidos pejorativos à sua imagem de mulher. Críticas ácidas e destrutivas constantemente. Sentia-se o dono dela. Detestava que ela reagisse com brigas ou lágrimas. Dizia, com voz ríspida ou sarcástica, que ela era chata e mal humorada. Uma criança chorona! Precisava virar mulher e saber ser feliz com ele. Depois, simplesmente, fechava o tempo! (Atitude recorrente). Esses episódios significavam apenas uma pitadinha dos momentos abusivos que aconteceram ao longo de seu relacionamento. Almoço em casa muitas vezes foram sinônimos de brigas e humilhações. André Luiz despejava gratuitamente suas neuroses  e traços patológicos de seu caráter sobre sua bela e insegura Maria Carolina. Esse sofrimento sufocado, aos poucos, a foi definhando. Emagreceu. Deprimiu. Foi perdendo vitalidade e alegria de viver. Nessa auto sabotagem, inconsciente, Ana Carolina não percebia a areia movediça em que estava atolada. Sentia-se muitas vezes a vilã da história. (Será que sou eu a errada?). As palavras de André Luiz, muitas  vezes, a convencia de ser a culpada pelo inferno emocional entre eles. “Duvidava dela mesma”! Assim foi transcorrendo o tempo e Maria Carolina resignando-se com o clima de desrespeito e humilhação. Adaptou-se naquela relação, destrutiva e invasiva, de uma forma patológica. O fato de não conseguir engravidar foi outro aspecto que a enchia de culpa e aumentava sua baixa auto estima. Passou a sentir-se incompetente sexualmente, como mulher. Noites e noites mal dormidas.  Não conseguia se desvencilhar desta prisão de dependência emocional e de auto- sabotagem. Passados seis anos nesse quadro doentio, surgiu uma viagem profissional de André Luiz ao exterior. “Momento transformador!” Maria Carolina resolveu ir em segredo visitar a avó materna que morava no sul. Desde que veio residir em São Paulo, não tinha mais voltado à Santa Catarina. Morria de saudades, mas não se permitia. Desta vez, resoluta, enfrentaria o seu medo. Encheu-se de coragem e foi matar  suas saudades. Respirar ares novos. Nem questionou de onde veio essa força. (Foi assim como um passarinho acostumado com a gaiola mas que não esquece como era voar).  Aproveitaria e mataria todas as saudades acumuladas e doloridas. “Mãe e avó moravam juntas há seis anos, desde o seu casamento”. Tinha noção de ter  evitado esse encontro por conflitos entre elas e André Luiz. Definitivamente ele não gostava delas. Nem elas dele. Evitavam piorar o casamento fragilizado de Ana. Comunicavam-se através de telefonemas oportunos, embora a  amassem muito.  André Luiz as considerava ignorantes e desniveladas. Maria Carolina se afastou da família tentando preservar o relacionamento já tão desgastado. Abriu mão de suas origens e afetos genuínos. Sentia-se ameaçada! (Síndrome do sequestrador e sequestrado)! Agora, com a chance da viagem prolongada de “Dezinho”, sentiu-se invadida por uma nova energia.  Resolveu ir passar um fim de semana. Talvez dar uma esticada maior.  Aproveitaria também pra matar saudades dos amigos de infância. Tão esquecidos! Especialmente Renatinho, com quem, nos bons tempos, viajava nas ondas do mar azul. Soube que ele estava solteiro ainda. No dia da viagem, acordou ansiosa. Feliz da vida. Tomou um banho e café rápido. Chamou um taxi. Chegou cedo ao aeroporto. Coração disparado. Há quanto tempo não se sentia tão leve! Durante o voo, sentiu-se literalmente nas nuvens. Assim que chegou em Florianópolis sensação  maravilhosa. Frio na barriga. Custou a acreditar. Prepararam uma festa surpresa. Não esperava por tanta alegria. Radiante. Reviveu emoções profundas registradas na alma. Tanta gente querida! Encantou-se. Especialmente com  Renatinho. Velho companheiro de tantas brincadeiras. Tornou-se um  rapaz forte. Porte atlético. Surfista profissional. O abraço entre eles selou um recomeço de algo que nunca deveria ter sido interrompido. Conversaram horas a fio. Mãos entrelaçadas. Nem disfarçavam a explosão de sentimentos emergidos. A paixão nasceu ali! O paraíso chegou. Maria Carolina não mais voltou à capital. Abandonou seu cárcere e o sequestrador. Quer surfar corajosamente nas ondas do amor próprio e auto respeito. Já entendeu que o tom das águas depende somente dela. Não admite mais ser engolida pela baleia assassina. Já sabe se proteger!

LAURO ! ( SOM NO SILÊNCIO).

Lauro está presente há uns bons anos em minha vida. Companheirão amado e fiel. Noutro dia, estava na sala, tranquila e focada, assistindo a uma reportagem especial que falava sobre a importância da educação na formação do caráter nas pessoas. Compenetrada, ouvia o  especialista explicar que o caráter é construído através de hábitos, orientações e relações que fazem parte da experiência individual. Ressaltava que  atitudes revelam uma pessoa. Traduz como ela funciona e que o período de cinco anos de idade  é fundamental na formação do caráter. Dizia também que essa fase se  estende até o começo da adolescência. Eu já tinha lido algo a respeito, mas, os detalhes estavam atualizando a minha curiosidade. O especialista falava de uma forma motivadora e fácil sobre o significado emocional das construções internas. (O assunto foi me interessando muito). Trouxe temas importantes da psicologia sobre o desenvolvimento do psiquismo humano, estimulando muito meu interesse em compreender como funcionam os bloqueios emocionais e a forma como se refletem na formação do caráter. Doutor Pedro, ressaltou a importância do contato afetivo e da expressão do amor dos pais em relação a criança e como esse aspecto poderá auxiliar  na construção de uma pessoa saudável e equilibrada. (Priorizar a qualidade do contato). Durante  pausa de quinze minutos, aproveitei e fui até a cozinha tomar um chá verde, bem quentinho. Caiu tão bem! Saboreando, sentei-me na cadeira de madeira entalhada, pertinho da janela. Inspirei o perfume dos jasmins. Delícia! Comecei a refletir sobre os assuntos pautados naquela reportagem. Emergiu em minha memoria a história de Eduarda, ex-aluna, muito querida, com sérios problemas emocionais. Lembrei- me de seus olhinhos tristes, pedintes. Suplicavam amor. “Cruel criança sofrer”! Queria vê-la feliz como seus colegas de classe. Doía muito perceber tanta angústia em seu olhar. Meu instinto protetor ficou aguçado. Fui me aproximando de Eduarda sutilmente. Queria conquistar sua confiança. Busquei contato com a família. Fiz tudo que pude! Eduarda fazia parte da primeira turminha com qual  eu tinha um compromisso serio, instruí-las e mostrar o quanto possível como a vida pode ser bela! Tornar-me professora foi um sonho desde criança. Assim que me formei em pedagogia já consegui essa primeira classe. Cheinha de lindos alunos entre cinco e seis anos de idade. Eu, repleta de sonhos. Apaixonada. Nem sentia o tempo passar enquanto estava com eles. Adorava lidar com aquelas energias cristalinas. Eram quinze alunos. Meninos e meninas. Ali, sentada, tomando meu chá na calma da noite, as informações transmitidos na reportagem trouxeram a presença de Eduarda muito viva em minha mente. Relacionei o que tinha entendido sobre os conceitos de psicologia com a história de carência afetiva da minha menina. Encaixava perfeitamente no caso dela, como  bloqueios emocionais comprometem a capacidade de expressão. Menina triste e delicada, sensível e muito carente. Dona de uma criatividade incrível. Sabia construir através de seus desenhos, historias fortes e simbólicas, com personagens singulares, porém, uma criança muito insegura. Fechada em si mesma! Não interagia com coleguinhas. Nas tarefas em grupo não participava. Preferia estar só em seu mundo imaginário. Anjo menina, que muito me  sensibilizou com sua delicadeza e fragilidade. Nasceu um carinho muito grande entre nós. “Minha criança interna identificou-se com Eduarda”. Eu era a única companhia com quem ela se expressava como se eu fosse sua fada madrinha. Demonstrava sentir-se acolhida e segura. Seus olhinhos quase negros, mostravam um brilho incomum sempre que estávamos próximas. Certo dia, um fato transformador mudou rumos. Envolvida com a criançada, bem na hora do lanche, enquanto todas corriam e brincavam, Notei Eduarda sozinha num cantinho do pátio. Cabisbaixa! Fui até ela apressadamente. Segurei suas mãozinhas um pouco frias e úmidas, e, face pálida. Esse quadro me preocupou.  Segurei-a no colo com ternura e apreensiva. Imediatamente chamei nosso medico de plantão. Depois da avaliação criteriosa, foi constatado que era um quadro apenas de fundo emocional. Muita ansiedade naquela criança! De certa forma fiquei mais tranquila. Resolvi chamar seus pais para uma reunião. Insisti que fossem eles próprios e não a babá como sua mãe propôs. ( Para ela babá representava a mãe em tudo). A carência daquela menina tocava demais! Busquei conhecer toda a história na intimidade de seu lar. Constatei que seu ambiente familiar era excessivamente frio e sem contato. “Pais ausentes”. Quem cuidava dela eram babás temporárias que viviam se revezando e sendo trocadas. Soube que a mãe de Eduarda não hesitava em despedir funcionárias por motivo banais. Nenhuma delas podia fazer qualquer comentário que fosse sobre  carência e necessidades de Eduarda. “Doutora Fernanda”, dava à filha todos os brinquedos que uma criança pensa ter. Materialmente não deixava faltar nada à filha. Em sua visão, babá teria que suprir qualquer necessidade da criança. ” Para isso era bem remunerada”. Rígida e prática, detestava mi mi mi! Dizia não ter tempo para resolver bobagens! Vivia enfronhada em sua promissora profissão de cirurgiã plástica. Congressos e muito trabalho hospitalar. Encontros a noite com amigos, ocupava o resto do tempo. Seu marido também cirurgião, acompanhava a mulher em tudo. Viviam como namorados! Normalmente quando chegavam em casa tarde da noite, Eduarda já dormia. (Fernanda nunca teve vocação para ser mãe). Casou-se com Celso, alguém igual a ela. A coordenação da escola, convocou uma reunião com os pais de Eduarda. Foi muito produtiva! Conseguimos derreter um pouco do gelo da “doutora Fernanda”. Pudemos até chamá-la de Fernanda! Mencionei situações e fatos ocorridos na escola que ela ignorava. Demonstrou surpresa. Certa indignação! Na cabeça dela aquilo era inusitado. Não podia ter acontecido! Não se considerava uma mãe negligente. Depois de longas conversas, nossa psicóloga sugeriu psicoterapia. Fernanda, surpreendentemente, resolveu tentar. Iniciou terapia familiar e individual. Foi o momento transformador na vida de Eduarda. O tempo passou. O ano escolar terminou. Fui notando mudanças sutis no comportamento de Eduarda. No ano seguinte já chegou sorridente e interagindo mais facilmente com as outras crianças. Mais viço no olhar. Acho que as coisas estão se reestruturando! Respirei aliviada. (Acredito cada vez mais num processo psicológico bem elaborado). “Caminho do auto conhecimento pode ser a cura dos males do coração”. No momento, sempre que Eduarda me encontra no pátio da escola, ganho um abraço tão quente! E seu beijo? Delícia de carinho. Envolvida nessas sensações, distraída, tomando o último gole de meu chá, ouço uma voz conhecida, estridente:- LOLITA, LOLITA. LORO QUER CAFÉ!

AMOR E PAIXÃO (CONFLITO).

Domingo. Saboreando uma taça de vinho tinto, na ampla  varanda de meu apartamento, frente ao mar. Raro momento, mesclado de prazer e saudade. Certa nostalgia no ambiente. Raios faiscando no horizonte e um mar violento como pano de fundo. Ondas gigantes. Assustadoras. Aqui, eu e meus pensamentos. Torturantes. Infiéis e traiçoeiros. Malditos pensamentos! Chegam sem serem convidados, abalando a aparente harmonia que insisto transparecer real. Coisas do meu racional. Tremendo rochedo que não deixa vazar quase nada do que sinto. Quase! Batida de maracujá consegue enfraquecer esse rochedo! Sozinho, sentado na poltrona verde musgo comprada há anos, poucas semanas antes do casamento. Em meio a correria do casório resolvi ir até Itatiba, cidadezinha próxima, onde havia ofertas de excelentes móveis. Assim que avistei aquela poltrona no canto da loja, logo de cara, me apaixonei. Verde foi sempre minha cor favorita. Tinha um design perfeito. Feliz, arrumei meu ninho, como um “bem te vi” apaixonado pelo canto em que iria morar, enfeitiçado por aquela pessoa que tinha encantado a minha vida tão profundamente. Quantas loucuras! Devaneios malucos. “Travessuras de crianças”. Quantas! Tudo tão perfeito. Dava medo de tanta felicidade; porém, o senhor tempo, poderoso e transformador, trouxe alterações. Com certeza, lições importantes, também. Temo que eu não tenha sido bom aluno. Os anos foram se passando. Do fogo, restou fumaça. Densa. Escura. Algumas vezes colorida. Não percebi que mudanças lentas, quase imperceptíveis, foram deixando buracos internos e um vazio angustiante no coração. Instinto de vida reagiu, fortemente, fundamental aos sentidos, na busca da sobrevivência. Faltava pulsação dentro de mim! Precisava sentir motivação pela vida. Foi então que inconscientemente acolhi uma nova pessoa em meu coração. Chegou, sem pedir licença. Ancorou-se. Foi construindo um mundo colorido que  nem lembrava mais existir. Nutriu tanto! Fortaleceu sentimentos anêmicos, quase falidos. Nova vontade de viver. Fui ancorando num quadro emocional ambivalente, cheio de altos e baixos. Muitas vezes o diafragma aperta exageradamente. Inspiro fundo e vou levando a vida sentada na mesma poltrona verde, onde bem-te-vis nem fazem mais questão de alimentar os antigos sonhos. Ao mesmo tempo, novas âncoras emocionais estimulando meus sentidos, trazendo vida e colorido. Culpa? Sempre! O mar sabe bem de minhas histórias. Sempre ouve meus queixumes apaixonados. Indecisos. Neste início de tarde, raios no céu turquesa, assustando pela beleza e força, tocaram meu fogo interno. Tão forte! Conseguiram desestabilizar a rígida estrutura psíquica que montei pra me enganar. Neste estado vulnerável, num repente, ouço uma voz companheira e amorosa, chamando:- AMOR, O ALMOÇO ESTÁ NA MESA!

CASAMENTO RECORRENTE! (TENTATIVA).

Equilíbrio mental? Impossível, naquele contexto. Idealizei uma relação com um cara que nunca existiu. Só tinha vida em minhas fantasias. Aliás, fantasias muito caras. Preço alto a pagar! Bagunçaram toda a minha estrutura psicológica. Perdi a identidade. Esqueci de mim. Durante anos aquele homem vulcão soltou lavas queimando e devastando o meu bom senso e amor próprio. Fui me transformando numa pessoa fria e esquisita. Perdendo a sensibilidade e alegria de viver. Enrijeci! Desenvolvi couraças protetoras, alterando a minha primeira natureza. Sergio Ricardo conseguiu! Identifiquei-me com a sua casca de crocodilo. Ficamos iguais! Comecei a viver a vida de forma prática, assim como ele. Fui seguindo sem olhar para trás. Pedi o divórcio! Sai do relacionamento tóxico. Precisava ser feliz. Iniciei um novo caminho levando as sequelas da toxicidade vivida com aquele homem. Dores de estomago. Zumbido na cabeça. Ansiedade! Fragilizada e assustada, busquei tratamentos naturais. Chás caseiros aos montes. Alongamentos, respiração e meditação. Iniciei alimentação vegetariana. Precisava reequilibrar o psicológico e o meu organismo. Estresses vividos foram intensos e danosos. Depois de uns tempos finalmente voltei para mim. Fazendo muitas reparações. No meu ritmo, fui resgatando valores perdidos. (Sensação incrível sentir-se conectada consigo mesma). Voltei a frequentar minha antiga turma da faculdade. Sair para dançar. Beber com amigos. Esqueci dores passadas. Percebi que a vida pode ser trágica e cômica. Senti isso na pele! O Halloween, trinta e um de outubro, foi realmente a noite das bruxarias em minha vida. Distraída, dançando, vestida de “Dama da noite”, percebi um zorro alto e esguio do outro lado do salão. Olhos fixos em mim. Desviei várias vezes do insistente olhar. Na medida em que disfarçadamente foi se aproximando, notei um verde muito intenso naqueles olhos risonhos. Mistura de energia e sedução foram se intensificando. Num milésimo de segundo, senti minhas defesas se afrouxarem. Desde que tinha terminado o relacionamento com Paulo Henrique, há dois anos e meio, aquela era a primeira vez que sentia atração novamente por alguém. Me estranhei. Resisti. Não sabotei a sensação maravilhosa que me envolvia. Estava carente daquela emoção. Sorrindo, dei boas vindas à vontade de viver. Abri meu melhor sorriso! Na medida que os olhos verdes foram se aproximando senti certa familiaridade com a expressão e a figura daquele zorro. A fantasia que ele usava camuflava traços físicos. Mas o olhar… Frio na barriga antigo se intensificou! Encoberto por sua capa preta e máscara aproximou-se, descaradamente, envolveu-me pela cintura. Saímos dançando feito loucos. Quando me dei conta estávamos girando muito no centro do salão. Tudo tão rápido. Tão mágico. Eu era a rainha da festa naquele momento! A mais linda e desejada. Assim que me sentia! Depois de muitos giros e danças, a música foi se acalmando, lentamente, até que pausou. Sei lá, “PAULO HENRIQUE SOUBE FAZER DO INTERVALO UMA NOVA SEQUENCIA”! RECAÍDA?

IMERSÃO NA FANTASIA! (METAMORFOSE).

Sentada na areia. Olhar fixo. Elas chegam barulhentas. Partem silenciosas. Chegam. Partem. Chegam. E partem… Incessantemente! Não pausam. Nem me ouvem. Não querem parir meus desejos. Ignoram meus pedidos. Meus anseios. Nem percebem o tamanho de minha angústia. Mar egoísta. Ondas maldosas. Sádicas! Imploro para que a energia desse azul se funda à minha energia. Ignoram. Malditas ondas. Soberanas. Desprezam minha dor. Coração aperta no peito. Cinza predomina em mim! Nelas, só o azul. Quase turquesa. Cor preferida do meu amor. Lúcio é turquesa! Sua energia com as pessoas tem esse tom. Comigo? Só quando faz amor. Noutros momentos, cinza escuro. Seu cinza é contaminante. Minha alma fica cinza também. Adoece. Só vitaliza quando entra no azul de Lúcio. Sexo azul  turquesa! Enlouquecedor. Pleno. Breve instante de onda azul. Turquesa, tom dos olhos que tiram meu fôlego. Momento simbiótico!  Coração dispara. Basta seu olhar, que esqueço de mim! Meus sentidos se envolvem num turquesa inebriante. Dançam nas ondas do mar azul! Quase se afogam. Surfam. Enlouquecem. Imploram carinhos. Malditos carinhos. Falsos! Eles não me querem de verdade. Hoje acordei cinza. Estou cinza. Fui contaminada pelo escuro cinza de Lúcio, assim como ondas do mar em dia de chuva. Seu olhar não me quer mais! Estou carente  do azul turquesa que remexe minhas entranhas e me faz sentir viva. Amanheceu um dia ruim! Cinza pincela cruelmente minha alma angustiada. Tento aliviar sensações difusas olhando para o mar. Resolvo correr em direção a ele. Imerjo nas ondas azuis. Perigosas. Envolventes. Quero ser desejada. Possuída por elas. Ser azul. Azul turquesa. Afogar no profundo azul. QUEIMAR  NUM SOL TURQUEZA!

LOUCURA OCULTA! (VIOLÊNCIA DOMÉSTICA).

Caminhos me levaram a você. Que caminhos aqueles? Porque? Seria destino? Droga! Podia ter pulado aquele dia em minha vida. Se eu tivesse uma bola de cristal! Jonas entrou tão sorrateiramente em meu coração. Quase nem percebi. Quando me dei conta já estava totalmente envolvida e encantada. Maior erro que eu podia cometer! Esqueci de mim. Foi tão intenso. Ficou mania. Doença mesmo. Perdi a identidade. “Virei Jonas”. Fui sua ridícula sombra! Auto crueldade me submeter a tanta agressão psicológica daquele homem. Over dose! Custou reconhecer o “ser humano menor” que estava ali e ao  tamanho em que eu estava me reduzindo. Cega por paixão! Paixão por um doente! Aquele ser arrogante não sabia o que era respeito a uma mulher. Abruptamente se transformava num animal feroz e insensível, alternando com atitudes de extremo agrado em momentos diferentes. Desproporcional! Desequilibrado mesmo! Esse traço de caráter perverso emergia principalmente quando ele se  defrontava com minha alegria. Acho que mobilizava seus sentimentos bloqueados. Muitas vezes, causticamente, falava que eu parecia hiena. Sorria do nada. Sem motivo! No começo disso tudo, nem ligava. Até achava engraçado. Quando as agressões foram ficando recorrentes e mais intensas, algo dentro de mim sinalizou que não dava mais. Eu teria que tomar uma atitude! Essas cenas insanas sempre ocorriam quando estávamos a sós. “Loucura inteligente”. Encobria seu desequilíbrio dos olhares externos, no social, disfarçando-se sob uma camada de bom humor e muitas brincadeiras. Era admirado pelo seu jeito educado, gentil e inteligente. Especialmente pela sua grana! “Socialmente, a imagem do bom menino”. Dentro de casa, a besta explodia! Bastava contrariar seus caprichos ou vontades, lá vinha o “Jonas louco”. Desrespeito total. Lado escuro, mesclando mel e fel! Alternava essa característica de seu caráter com atitudes doces, românticas, conturbando o meu mental. Ficava confusa. Enlouquecida, depois das crises. Sem saber o que fazer. Duvidava até de mim! Muitas vezes imaginava que talvez Jonas estivesse apenas estressado, quando arrependido  cabisbaixo pedia desculpas. Ficava feliz. Quem sabe? Mas, qual nada! Daí um tempinho ele se repetia em atitudes severamente neuróticas. Doentias. Nova decepção! Nova violência. Tentei ponderar e desculpar por quatro longos anos. Ele nunca quis fazer um tratamento psicológico. Sentia-se  perfeitamente equilibrado. Perfeito! Nesses tempos, muitas vezes, tive enorme vontade de sumir. Mandar tudo pro inferno. Virou uma gangorra a minha relação com Jonas. Baixos e altos. Altos e baixos! Muito mais baixos que altos. Minha energia sendo sugada de forma vampiresca. Com o passar do tempo fui mudando internamente. Cansando de perdoar. “O bom menino no social foi perdendo sua força dentro de casa”. Suas neuroses não engatavam mais em minhas neuroses. O nó lentamente se desfazendo. Ambivalência entre amor e raiva em que eu estava estagnada foi evoluindo num sentimento único, forte, anunciando sinais vitais de minha identidade. O meu emocional buscando  focar num caminho livre e claro. Amor e raiva se transformando em “Amor Próprio”. Lentamente e silenciosamente foi crescendo essa nova consciência, disposta a proteger minha integridade de mulher. Num belo sábado de sol aconteceu o ápice dessa relação emocional caótica que eu mantinha com Jonas. Animada, preparei uma reunião em casa, com amigos em comum. Por um motivo banal, o imbecil do Jonas teve a audácia de  armar um novo e intenso barraco em cima de mim. Coitado. Bem naquele dia! Sem perceber minha transformação interna, a fera atacou novamente. Se deu mal! Desta vez me pegou mais fortalecida. Cego, nem percebeu que eu estava diferente e muito disposta a buscar alegria de viver. Com ou sem ele. Como sempre, mostrou estar disposto a destruir o meu jeito de ser.  Covardemente extrapolou todos os limites possíveis de falta de respeito e consideração. Destruiu o meu emocional violentamente, como nunca antes. Imperdoável! Senti minhas energias enfraquecerem naquele momento. Tremia de raiva. Muito desequilíbrio daquele doente. Motivo banal! Estava segurando uma bandeja com copos cheios de cervejas, cantarolando com a música de fundo. Feliz. Distraída. Num repente, tropecei no pé de uma cadeira. Parece coisa do diabo. Jonas estava bem ali. Agachado. Amarrando o tênis. Sua bermuda ficou molhada pela bebida. Enfurecido levantou a cabeça abruptamente. Ficou em pé, soltando fogo pelo olhar. Transformou-se no demente que eu já conhecia. Rosto vermelho de raiva. Olhos saltando pelas orbitas. Até salivou. Furioso. Como se eu tivesse dado um soco no meio da cara dele, sem motivo algum. Reação absurda. Desproporcional. Insultou-me violentamente. Minhas pernas foram ficando trêmulas. Ele não ouvia minhas desculpas. Surdo. Esbravejava me chamando de vadia, desastrada, infeliz. Gritava que eu nunca fazia nada direito, mesmo. “Esses  os melhores elogios que ouvi”. Suas ofensas foram num crescer assustador  enquanto eu pedia mil desculpas. Soltou adjetivos pejorativos que derrubam qualquer dignidade quando tentei lhe explicar o ocorrido. (Nem passou pela cabeça dele que acidentes acontecem). Rir comigo do acontecido seria esperar muito daquele doente. Imagina! Aproveitou que estávamos sozinhos na sala de jantar e despejou toda a raiva de uma vida. Confesso que fiquei com medo ao perceber sua loucura sem limites. (O pessoal estava no quintal onde tínhamos montado a festa). Aquele olhar de ódio e violência no instante da fúria, registrou em meu interno o fim definitivo da nossa relação. Deu um estalo em minha mente. Conclui comigo mesma que aquele olhar  de ódio não queria mais sobre  mim. Não. Eu não merecia! Calada e decidida voltei à festa. Estranhamente tranquila. Depois de alguns minutos, como se tudo estivesse maravilhoso, surge Jonas. Com uma gelada na mão. Dissimulado. Brincando e rindo. Reafirmei em meu coração o que já havia decidido instantes atrás. A falta de respeito a minha pessoa estava sendo enterrada naquele instante! Com essa convicção, depois que todos foram embora e Jonas já estava em sono profundo, decidida, fui dormir no quarto de hóspedes. Sensação estranha em meu corpo. Respiração ora leve, ora acelerada. Parecia que eu estava anestesiada. No entanto, dormi profundamente naquela noite. Acordei ainda esquisita. Sonhos de recomeço em minha cabeça. Triste, por ter me auto sabotado durante tanto tempo. Permitir que humores violentos daquele homem quase anulasse minha identidade. Jonas, por sua vez, ao acordar, fazendo-se de vítima, como sempre, tentou me seduzir e se desculpar. Beijos forçados. Frios. Frustrou-se! Afastei-o com firmeza. Senti até um certo nojo!  Ele percebeu. Ficou sem chão ao perceber minha indiferença e decisão. Nunca tinha me visto assim. Resoluta! Ali mesmo, na cozinha, sem titubear, pedi o divorcio. Surpreso e agressivo gritou que eu estava louca. Que precisava me tratar. Concordei com sua ofensa. Falei que então não se metesse com uma louca! Que não seria mais seu tapete. Nem de homem. Algum. Não deixei o desequilibrado falar. Eu berrava! Meu coração saia pela boca. Vociferei todo o sufoco contido há anos. Ele ouviu tudo num silêncio assustador. Entendeu que era o fim. Silencioso foi embora de casa naquela manhã de domingo ensolarada! Levou junto seu ego inflado e alguns pertences. Não deixei que levasse nossa gatinha, Lila. Saiu só. Ele e seu carrão vermelho! Foi embora de minha vida deixando rastros de mágoas. Muitas feridas para cuidar. Natural que eu chorasse algumas noites. Não sei se de raiva ou saudades dos falsos momentos bons. Não importa. Lavar feridas com lágrimas ajudam na assepsia da alma. Ando com dó de mim mesma. Isso não é bom! Muitas vezes me sinto como criança sozinha, fragilizada.” Quem me dera voltar no tempo”. Jonas jamais seria uma escolha. Resgatar minha menina interna com a consciência de agora, é tudo que preciso. “SAUDADES DE MIM”!  – Queixa de Ana Rita, quando buscou psicoterapia. (Depois de participar de um Workshop na integração entre corpo e mente. Chegou em meu consultório na busca  de um trabalho emocional na linha de Reich). “Concomitantemente Ana Rita está começando um movimento social, na ampliação da consciência, em defesa das mulheres que sofrem violências domesticas, tanto físicas quanto psicológicas”.

ALIMENTOS LILAZES! ( SAÚDE INTEGRADA).

Hábito tem um imenso poder sobre a qualidade da saúde em geral. Através dele podemos selecionar formas doentias ou saudáveis de levar a vida. Quando desenvolvidos, norteiam atitudes, tanto emocionais quanto comportamentais. Padrão mental se forma exatamente com a repetição constante de situações, de pensamentos e de sentimentos. Interferem direto em nossas vidas. As pessoas ao longo da existência vivem inúmeras experiências e nesse processo crescem e amadurecem. Desenvolvem uma visão específica sobre saúde, família, relações afetivas, finanças, entre muitas outras. Geralmente esse processo se inicia na infância e segue pela vida. “Os padrões mentais nos estimulam a crescer ou nos limitam”. Definem nossas escolhas e decisões, na maioria das vezes. (O modelo mental é desenvolvido de acordo com crenças e  influencia o comportamento). A partir dessa consciência podemos medir a importância desse tema diante da vida. Abrir um espaço e viajar em nosso interior. Investigar modelos internos. Construtivos ou autodestrutivos? Pode-se tentar verificar desde o tipo de alimento que ingerimos para nutrir o corpo até os tipos de sentimentos com que alimentamos a alma. Identificar e alterar padrões nocivos é complicado; eles se tornam automáticos em nossas atitudes, porém é o único jeito para tentar reabilitar o equilíbrio mente-corpo. (Ajuda psicoterapêutica funciona bem). Pensamentos involuntários interferem o tempo todo. Outro caminho excelente é exercitar yoga.  Concomitantemente, referências em cursos ou leituras sobre alimentação saudável podem indicar os caminhos rumo à reparação do que foi cristalizado em nossa mente e não está nos fazendo bem. Tanto física quanto emocionalmente. (Integração entre mente e corpo pode ser transformadora). Impulsionar a mente nessa direção é um trabalho voluntário e demanda intenção e foco. É como fazer uma boa faxina! O resultado final é sensação de leveza. Sentir-se bem naquela casa! Vale a pena experimentar comer colorido. Legumes, frutas, verduras fazem a festa nas células da maioria das pessoas. Assim também como desintoxicar a mente e o coração de pensamentos e sentimentos negativos que realimentam atitudes neuróticas. “Padrão neurótico é  uma mala sem alça”! O efeito colateral dessa assepsia é a circulação da energia saudável e um novo olhar para a vida. Durante um papo desse tipo com alguns alunos de psicologia  muito mobilizados com o tema (lá pelo fim da aula), num momento de descontração, alguém do fundão expressa:- VOU ME DIVORCIAR HOJE. ALIMENTO LILÁS JÁ. RISADA GERAL!

FIM DO MUNDO! (DELÍRIO).

Sensação de bola de fogo baixando sobre a terra. Sol ardente. Queimava. Queimava muito! Elise não aguentava mais! Calor intenso vindo por todos os lados. Caminhava no deserto. Areias brancas e finas. Tão brancas. O reflexo do sol sobre elas turvava a visão. Temia que não desse tempo de chegar ao seu destino, embora não tivesse clareza sobre qual seria esse destino. Sabia que tinha uma missão a cumprir, mas, no entanto, também não tinha clareza sobre ela! De uma coisa tinha certeza: seria muito importante, vital, para sua evolução como ser humano. “Cumprir a missão”. Só teria consciência no fim do caminho! Confusa e culpada, sentia que não organizara prioridades essenciais. “Não podia ter negligenciado assim, meu Deus”! Agora – não tinha saída – correria o risco. Foi então que, pausadamente, observou ao redor. Assustada, percebeu que não havia nem um sinal de vida. “Nem uma formiga, que fosse”! Assustou-se! O sol cruel não perdoava. Cabeça fervendo (dentro e fora), apesar do chapéu. Medo acentuado aumentando. Ninguém para lhe dar a mão. Num impulso de vida, mesmo sem norte, acelera os passos tentando chegar em algum lugar onde se sinta mais segura. Bolhas ameaçadoras estourando nos pés. Dor beirando o insuportável! Garganta seca. Sede desesperada. Língua grudada na boca. Sensação de estar colada. Respiração curta e acelerada. Pensamentos confusos, enlouquecedores. Visões de aranhas imensas voando em sua direção; outras vezes, borboletas transformando-se em monstros carnívoros querendo atacá-la. Seu racional reagiu na tentativa de sobrevivência, recuperando parcialmente a lucidez, como último recurso.  Organizou os pensamentos! Tremendo esforço tentando sair daquela situação suicida. Essa breve recuperação não durou muito. Apenas instantes! Quadro mental caótico voltou. Visão cada vez mais embaçada. Sombras e vultos! Num milésimo de segundo pensou que as visões pudessem ser Anjos Salvadores. “Anjos e aranhas voadoras”! Simultaneamente. Duvidou de sua sanidade. Ambivalência total! Pernas muito bambas, mal conseguia ficar em pé. Sensação de desmaio. E o sol lá! Causticante, impiedoso, persistindo. Ignorava seu sofrimento! Já quase sem visão alguma, fecha os olhos, pisca bem forte, tentando melhorar a cegueira que sente se aproximar. Depois de repetir esse exercício, algumas vezes, como num milagre, consegue vislumbrar bem distante, lá no fim das dunas, vultos humanos se movimentando. Instantaneamente se revigora. Quis acreditar naquele vislumbre. “Sinal de vida se aproximando”! Força absurda emerge das entranhas. Acelera os passos naquela direção. Talvez tenha encontrado a saída! Nem sente mais a dor insuportável nos pés, tamanha a excitação. Começou salivar vida! Apressou-se. Passos acelerados. De repente se viu correndo. Correndo atrás da salvação! No entanto, foi percebendo alguma coisa estranha no ar. Por mais que corresse não sentia que se aproximava dos vultos avistados. Pior ainda, sensação que não tinha saído do mesmo lugar. Pensa em seu desespero: cadê as pessoas? Esfrega os olhos, agoniada.  Impotência esmorece de vez o  seu corpo. Pernas cambaleiam. Cai na areia escaldante como um saco de areia. Semiconsciente. Tem a sensação que uma nuvem enorme e  fervente está para cair em sua cabeça. Conforme essa nuvem se aproxima, ela consegue vislumbrar uma fumaça lilás e negra formando a frase  “FIM DO MUNDO!”. ( ELISE ACORDOU).