O SONHO DA MENINA TRISTE! ( PROJEÇÃO).

Sheila andava passando por maus bocados. Noites mal dormidas, sonhos recorrentes, suores noturnos. Palpitações! Sérios indícios de desequilíbrio energético. Seus dias estavam sufocados por sensações ruins. Estava muito difícil enfrentar o trabalho de pedagoga no prestigiado instituto de educação “Rui de Andrade”. Tudo começara há seis meses, quando se envolvera numa situação inusitada: Sheila sentada num dos bancos do jardim da escola em que trabalhava, distraída, corrigindo algumas redações. Ela é canhota! De repente, uma borboleta azul turquesa pousa em seu braço direito, suavemente. Sempre teve fascínio por borboletas! Meio supersticiosa. “Iria acontecer algo de bom”. O toque da borboleta  despertou surpresa e encantamento. Imediatamente, parou com a correção. Tentou ficar com o braço imobilizado, respirar suavemente, bem devagarzinho, evitando que ela voasse. Queria admirar de perto tanta beleza. Sensações misturadas afloraram, diante da proximidade daquele intenso azul-turquesa. Era de uma beleza divina! Ficou por alguns minutos nessa estase. Esse instante mágico foi inesperadamente quebrado pela aproximação do diretor da escola. Homem de traços fortes. Negro, simpático e sensual. Eloquente. Casado e pai de família. Ele tinha observado de longe toda a cena. Tentou chegar fazendo o mínimo ruído possível. “A borboleta voou! O charmoso diretor Carlos, sorrindo, lamentou a súbita fuga da borboleta”. Convidou Sheila para um café. Ali começou uma súbita paixão dela por ele. Exageradamente carente como era, confundiu atenção por sedução. Transferiu para Carlos todas as suas fantasias de menina-mulher. Pensava nele de modo obsessivo. Não dava trégua ao seu coração nem ao diretor. Criava situações incríveis para se aproximar dele. Amadurecido, com uns bons anos a mais que Sheila, no início achava graça do assédio dela. Sheila desenvolveu comportamento inadequado, doentio, em seu ambiente profissional. Todos andavam comentando, meio sigilosamente, as investidas frustradas que ela andava fazendo, a tal ponto que Carlos chamou-a para um papo adulto. Deixou claro nessa conversa que apesar de achá-la bonita, não tinha interesse nela como mulher. Era bem casado e amava a sua família. Disse que a admirava como profissional, mas que suas últimas atitudes estavam causando bochichos maldosos entre seus colegas e que isso não era legal. Sheila ficou arrasada. Envergonhada. Pediu desculpas e demissão. Foi trabalhar bem longe de seu Deus Negro! Queria esquecer aquela loucura.  O saldo emocional daquele período, ficou confuso em seu coração. Não entendia a razão de tamanha atração por ele. Afinal, nem o conhecia direito! No meio dessa ambivalência, começaram as noites mal dormidas e o “maldito sonho recorrente” que, por mais que se esforçasse, não conseguia entender. Ele se repetia quase que todas as noites. Queria entender emocionalmente o seu significado e se livrar daquela cena. O porque da insistência e repetição. Aconselhada por uma amiga, buscou ajuda numa psicoterapia que abordava sonhos e seus significados; SONHO RECORRENTE: “Menina de uns sete anos de idade, cabelo castanhos curtos e com franjinha. Resfriada, nariz escorrendo levemente até perto da boca, com expressão muito triste. No olhar, um pedido de socorro velado. Usando um vestido claro com babadinho no pescoço e peito. Tecido leve, esvoaçante.” Iniciado o processo da psicoterapia, no tempo certo, finalmente viajou dentro daquele sonho e histórias reveladoras emergiram. Retomou à consciência momentos emocionais de sua história de vida. Reviu a sua mãe, Alice, solteira que assumiu sozinha a maternidade. Deu o seu melhor à Sheila. Como é natural, não conseguiu suprir a ausência do pai, ficando assim esse buraco emocional em seu peito. Sua mãe, apenas descrevia que ele era um homem forte. Negro e muito sensível, por circunstancias da vida não pode estar presente em suas vidas. Nas sessões de terapia, Sheila encontrou dentro de si imagens, posturas e atitudes que ela construiu do pai ausente. Os sentimentos retidos nessa construção emocional, começaram a emergir paulatinamente durante o trabalho de interpretação do sonho. A criança triste ressurgiu com força total pedindo socorro. Muitas lágrimas. Muitas sensações desconhecidas até então. Foi a primeira vez que ela conseguiu falar com o pai. Conversou com ele. Falou de suas angústias e da tristeza de não tê-lo por perto. “Quanto o esperou!” Nesta cena descreveu o pai construído por ela. A imagem refletida foi muito semelhante a  imagem de Carlos, o diretor da escola. A semelhança foi tanta que num ato falho, chamou o pai de Carlos! Conseguiu sentir a confusão e a projeção dos sentimentos que viveu naquela louca paixão.  Projetou no diretor o pai idealizado e tentou conquistá-lo loucamente. Resgatar o homem de sua vida! Compreendeu sua carência e necessidade de resolução desse bloqueio interno e reformular emoções mal resolvidas. Anda até pensando em fazer uma busca pela internet e procurar o “Sr. Francisco Amorim”. Quem sabe! Conseguiu ótimos dados para isso. Noites mal dormidas e sonhos recorrentes? FIM!

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2 comentários em “O SONHO DA MENINA TRISTE! ( PROJEÇÃO).”

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